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Bancos olham janela para voltar a captar recursos no exterior

10:50 | 11/07/2016
Os bancos observam a janela que se abriu desde maio aos emissores brasileiros, com a melhora do risco-país, para eventualmente voltarem a captar recursos no exterior. Após mais de um ano sem que se veja as instituições financeiras nesse mercado, os candidatos mais óbvios a uma futura emissão são, de acordo com fontes ouvidas pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, os bancos públicos, que estariam em situação menos confortável do que os privados em termos de capital.

O Banco do Brasil já monitora o mercado. A exemplo do que vêm fazendo várias companhias, o BB concluiu nesta segunda-feira, 11, um programa de recompra de títulos de cerca de US$ 200 milhões para melhorar o perfil de seu endividamento. No ano passado, conforme fato relevante da época, o banco recomprou mais de US$ 500 milhões.

Já os bancos de modo geral enxergam a oportunidade de retirar títulos subordinados que perderam o efeito de Basileia, que mede quanto um banco pode emprestar sem comprometer o seu capital, e atualmente implicam em custos com juro em dólar.

"Há a percepção de melhora de investidores internacionais sobre o quadro político no Brasil e de que o prêmio de risco do País caia bastante, aumentando o apetite por papéis brasileiros. Além disso, a oferta desses títulos está muito baixa", analisa Leandro Miranda, diretor gerente do Bradesco BBI, em entrevista ao Broadcast.

De maio até o fim da semana passada, empresas brasileiras já levantaram US$ 13,350 bilhões com a emissão de bônus no exterior. Na quinta-feira, a Petrobras captou US$ 3 bilhões e ainda a Suzano emitiu US$ 500 milhões em bônus no mercado internacional. Já a última captação de um banco local foi a do Itaú Unibanco, que levantou, em maio do ano passado, US$ 1 bilhão em bônus com vencimento em 2018 e retorno de 2,85%.

O presidente do Banco do Brasil, Paulo Rogério Caffarelli, acredita na manutenção da janela para emissores brasileiros ao longo do segundo semestre deste ano, a despeito dos recentes desdobramentos da Lava Jato e com o impeachment da presidente afsatada Dilma Rousseff ainda em curso.

Sobre a possibilidade de o BB ser um dos candidatos, ele disse, em recente entrevista ao Broadcast, que o banco "sempre olha as oportunidades", mas evita comentar sobre moedas que possam fazer sentido para a instituição em uma eventual captação. A última vez que o banco emitiu no exterior foi há dois anos. Na ocasião, o BB captou US$ 2,5 bilhões em bônus perpétuos com cupom e retorno de 9%.

A Caixa Econômica Federal, conforme executivo próximo ao banco, não teria intenção de testar o apetite de investidores externos para dívida neste momento. O banco estaria concentrado apenas na abertura de capital do seu braços de seguros e previdência, a Caixa Seguridade, conforme essa fonte.

A justificativa, acrescenta ele, é o custo atual dessa operação. A abertura de capital de sua seguradora é, assim como a joint venture das loterias e da sua área de cartões, fundamental para evitar a necessidade um aporte bilionário do governo no banco público. A última vez que a Caixa emitiu no exterior foi há dois anos, quando captou US$ 500 milhões com vencimento em 2024 e US$ 1,3 bilhão com prazo de cinco anos.

Um executivo de mercado lembra que a pressão sobre os bancos públicos para reforçar capital via emissões externas diminuiu com a piora do cenário macroeconômico e a baixa demanda por crédito no País. Essa necessidade, segundo ele, já foi mais intensa, mas como os empréstimos crescem abaixo do esperado, deixou de ser tão urgente na atualidade.

Do lado dos bancos privados, o Bradesco avalia emitir dívida subordinada de nível 1 ou nível 2 ao longo dos próximos anos e, por isso, olha tanto o mercado internacional como o local, conforme informou Luiz Carlos Angelotti, diretor gerente e de relações com investidores da instituição, durante conversa com a imprensa sobre os resultados do primeiro trimestre.

O executivo disse, na ocasião, porém, que não é possível afirmar que a operação ocorrerá este ano, pois depende de condições favoráveis do mercado.

De acordo com uma fonte, o Bradesco não tem necessidade de captar recursos no exterior ainda que tenha efetuado na semana passada o pagamento de R$ 16 bilhões pela aquisição do HSBC Brasil.

Isso porque, além de Basileia confortável, que fechou março em 16,9%, o valor do negócio ficou um pouco abaixo do previsto. Quando anunciou a aquisição, em agosto do ano passado, o Bradesco havia anunciado o preço de US$ 5,186 bilhões (cerca de R$ 17,6 bilhões) pelo HSBC. A última vez que testou o apetite dos investidores estrangeiros foi em 2012, quando emitiu US$ 1 bilhão, com vencimento em 2022.

Para o diretor da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais (Anbima), José Eduardo Laloni, os bancos devem acessar o mercado de dívida, uma vez que é uma estratégia que faz sentido para as instituições, apesar da contração do crédito.

"Embora as instituições estejam emprestando menos, há carteiras que precisam ser roladas e parte dos ativos bancários estão indexados em dólar", diz Laloni, que também é diretor vice-presidente do Banco ABC Brasil.

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