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Justiça pede reintegração de fábricas da Mabe

10:00 | 19/03/2016
Funcionários da empresa Mabe na unidade Hortolândia (SP), que está ocupada desde 18 de dezembro de 2015, receberam na tarde de ontem uma notificação judicial determinando a reintegração de posse da fábrica. O grupo mexicano, que fabrica eletrodomésticos e detém no Brasil as marcas Dako, Continental e GE, entrou em falência judicial e desde dezembro os 1,9 mil funcionários não recebem salários nem seus direitos trabalhistas.

O diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas Jair dos Santos disse que na notificação foram estipulados 15 dias para que os trabalhadores possam contestar a ação antes do cumprimento da ordem.

Uma assembleia com os mil da unidade de Hortolândia para discutir o assunto foi marcada para segunda-feira. A administradora da massa falida alega que está impedida de entrar na fábrica para dar sequência ao gerenciamento de ativos para o pagamento de credores.

Jair dos Santos diz que não há impedimento para a entrada na unidade. "Os trabalhadores estão ocupando somente o restaurante, os refeitórios e áreas de lazer", afirmou.

Logo após receber a notificação judicial, o sindicalista e o advogado do sindicato foram conversar com o juiz Eduardo Bigolin, da 2ª Vara Cível de Hortolândia. "Fomos explicar a situação dos trabalhadores, que estão sem receber seus direitos desde dezembro. A administração da massa falida diz que a unidade é rentável e quer retomar as atividades. Nós também achamos, mas queremos que sejam readmitidos os antigos funcionários", afirma.

Cerca de 80 trabalhadores fazem um rodízio e ficam na Mabe, inclusive dormindo no local. A comida deles é preparada com doações de trabalhadores de outras empresas e de moradores de Hortolândia e da região, que deixam suas doações em uma barraca armada em frente da fábrica.

Barricadas

Outra unidade da Mabe, em Campinas, que tinha 900 funcionários, também está ocupada e a administradora judicial pediu reintegração de posse com urgência.

Os trabalhadores dessa unidade ainda não receberam a notificação, mas já fizeram barricadas nas entradas para evitar invasões.

O sindicato acusa a multinacional de ter usado a falência judicial como forma de reduzir os custos das suas fábricas no Brasil, que teriam suas atividades retomadas com novo registro e com salários menores.

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