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Indústria de prospecção de petróleo enfrenta dificuldades de financiamento

11:30 | 29/03/2016
A queda prolongada dos preços do petróleo tem levado empresas de prospecção de petróleo a enfrentarem dificuldades crescentes em assegurar financiamento para novos projetos.

Executivos de companhias como a Tullow Oil e a Cairn Energy vem se reunindo com seus credores ao menos duas vezes por ano para revisar os empréstimos que os permitem continuar perfurando novos poços e tocando seus projetos. Para muitas empresas, este tem sido um momento tenso, uma vez que os bancos estão cada vez mais preocupados com o montante de dívida acumulada por empresas do setor de energia, ao passo que os lucros estão secando.

Quando o petróleo operava acima de US$ 100 por barril, muitos bancos disputavam o direito de emprestar para o setor. Agora, parte credores trouxeram às mesas de negociação equipes especializadas em reestruturação corporativa para revisar os balanços das companhias, afirmou uma pessoa próxima ao assunto.

O novo escrutínio é uma mostra da mudança na relação entre ambos os lados, e reflete o problema que se tornou a dívida do setor petrolífero na Europa. Globalmente, a dívida líquida das empresas de petróleo e gás listadas em bolsa triplicou na última década, para US$ 549 bilhões em 2015, de acordo com a consultoria de energia Wood Mackenzie. O cálculo não leva em conta companhias estatais.

Nos Estados Unidos, o setor enfrenta os mesmos problemas. Muitas pequenas e médias companhias emprestaram pesadamente durante o boom do xisto. Segundo o Wall Street Journal, o número de empréstimos ao setor considerados em risco de calote está próximo de atingir 50% nos grandes bancos norte-americanos.

A revisão bianual dos empréstimos pelos bancos é um processo delicado. Caso uma instituição decida que uma companhia emprestou mais do que pode pagar, ele pode pedir um pagamento antecipado, corte de gastos ou até mesmo a venda de ativos para obtenção de recursos.

"Não existe ninguém no setor muito tranquilo no momento", disse Thomas Bethel, especialista em finanças do setor petrolífero da Herbert Freehills.

Na Tullow Oil, a expectativa é que a companhia veja diminuída a linha de crédito de US$ 3,7 bilhões a que atualmente tenha acesso, afirmou o diretor financeiro, Ian Springett. Já a Cairn estima que seu crédito será reduzido de US$ 575 milhões para US$ 335 milhões.

"Quando o petróleo estava a US$ 100 por barril, era fácil conseguir crédito", disse o executivo-chefe da Cairn, Simon Thomson. "O que vemos hoje é que algumas pessoas estão tendo dificuldades de pagar pelo empréstimo que contraíram (naquele momento)." Fonte: Dow Jones Newswires.

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