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Atividade econômica piorou de forma 'contínua e intensa' em 2015, avalia FGV

08:35 | 21/01/2016
A atividade econômica brasileira piorou de forma "contínua e intensa" ao longo do ano de 2015 e chegou a novembro com uma queda acumulada de 3,2% em 12 meses, estima o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV) por meio do Monitor do PIB. Neste patamar, a economia brasileira já tem o pior desempenho desde 1990, quando o recuo do PIB foi de 4,3%.

Segundo o Monitor da FGV, sete das 12 atividades que compõem o PIB apresentam queda em 12 meses até novembro. Os destaques são as indústrias de transformação (-9,1%) e construção (-8,2%), além de comércio (-7,5%) e transportes (-5,6%). No sentido contrário, a indústria extrativa mineral apresentou crescimento de 7,4% nesta base de comparação, enquanto a agropecuária avança 2,0%.

Sob a ótica da demanda, a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) liderou o "processo recessivo", segundo a FGV. Em retração desde agosto de 2014, os investimentos no PIB acumulam queda de 13,0% em 12 meses até novembro de 2015. O componente máquinas e equipamentos, de maior peso dentro da FBCF, apresenta recuo de 24,0% no período, estima o Monitor.

O consumo das famílias, por sua vez, caiu 2,9% em 12 meses até novembro, aproximando-se também do pior resultado em 25 anos. Seu componente mais importante, os serviços (transporte, alugueis, outros serviços), apresentou redução de 0,7% no período.

Também tiveram resultados negativos os bens não duráveis (alimentos, bebidas, combustíveis, etc.), com queda de 1,6%; os semiduráveis (vestuário, plásticos, etc.), com recuo de 5,7%; e os duráveis (veículos, eletrodomésticos, nacionais e importados), com perda de 13,8% no período.

As importações, que desaceleraram fortemente devido ao freio no consumo das famílias e também à desvalorização do real ante o dólar, recuaram 11,7% em 12 meses até novembro. A importação de duráveis apresenta o pior resultado, com queda de 21,6%, embora as demais categorias também apresentem números negativos: importação de bens de capital (-16,1%) e de bens intermediários (-12,5%).

Já as exportações ganharam força na esteira do câmbio desvalorizado. Desde setembro do ano passado, os embarques para o exterior conseguiram reverter a trajetória negativa e, em 12 meses até novembro, acumularam avanço de 4,5%. O resultado, porém, é explicado principalmente pelo desempenho da indústria extrativa mineral (19,7%) e também pela exportação de produtos industrializados duráveis (2,2%). Os embarques de bens de capital ainda apresentam forte retração (-13,5%) no período.

O Monitor do PIB é um indicador de volume que estima as Contas Nacionais brasileiras de acordo com as mesmas fontes de informação e metodologia empregadas pelo IBGE, responsável pelas estatísticas oficiais do PIB. As informações são disponibilizadas mensalmente para 12 atividades econômicas e cinco componentes da demanda em dados com e sem ajuste sazonal - além de desagregações especiais que não costumam ser divulgadas pelo IBGE.

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