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Rede BBC denuncia fornecedores da Apple

10:00 | 20/12/2014
Trabalhadores com sono na linha de montagem, dormitórios que amontoam dezenas de pessoas e retenção irregular de documentos estão entre as denúncias lançadas pelo documentário Panorama: Apple's Broken Promises, que foi ao ar na rede britânica BBC. A reportagem da emissora usou câmeras escondidas e repórteres infiltrados para obter as imagens.

O título ("as promessas quebradas pela Apple") faz referência ao fato de que a empresa não teria cumprido seus compromissos de melhorar as condições de sua cadeia de fornecimento, que coleciona denúncias de más condições ao longo dos últimos anos.

O programa foca em dois pontos específicos: a fábrica da Pegatron, na China, que desde 2013 produz iPhones, e minas de estanho na Indonésia, onde trabalhadores, incluindo menores de idade, escavam em busca do metal que é um dos mais usados na fabricação de componentes eletrônicos.

A fábrica mostra cenas de funcionários exaustos, dormindo sobre as linhas de montagem. Já na mina trabalha-se com o constante temor de soterramento. Em um de seus trechos mais fortes, o documentário diz que é fácil descobrir quem trabalha na mina: basta verificar as marcas e cicatrizes causadas pelos soterramentos.

O presidente da Apple, Tim Cook, enviou uma carta aos funcionários britânicos da empresa se dizendo "profundamente ofendido" pelo documentário. Segundo ele, a BBC recebeu da Apple informações e posicionamento sobre o assunto, mas frisou que estes "estavam claramente ausentes do programa".

Sobre as minas da Indonésia, especificamente, Cook disse que a empresa ficou "horrorizada" com suas condições. Ele disse que a Apple poderia ter deixado de usar estanho proveniente destas minas, mas que isso seria uma opção "preguiçosa e covarde". De acordo com o executivo, a companhia preferiu buscar a melhoria das condições locais, criando um grupo de trabalho com outras empresas de tecnologia dedicado a lidar com a questão. O documentário pode ser visto na íntegra no YouTube (http://youtu.be/AVaTl2kW6YU), mas não tem legendas em português. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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