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Gestores de fundos de ações começam a avaliar aumento de posição em bolsa

11:10 | 28/12/2014
Os gestores de fundos de ações estão começando a avaliar o retorno para uma maior exposição em bolsa, após um período de queda quase que generalizada no mercado de renda variável. Com a percepção de que algumas ações estão com os preços descolados de seus fundamentos, alguns fundos estão começando a remontar posições, retirando parte do capital que foi deixado em caixa ao longo dos últimos meses diante do cenário de alta volatilidade e de incerteza no mercado.

O responsável pelo desenvolvimento de produtos do Bradesco Asset Management(Bram), Alexandre Mathias, destaca que no momento já começam a aparecer boas opções de compras no mercado acionário e que, para aquele investidor com "sangue frio" e de olhar de mais longo prazo, os fundos de ações poderão significar uma boa rentabilidade futura. Uma das alternativas, sugere Mathias, são os fundos de dividendos, que seleciona ações de empresas mais maduras, com bom histórico de pagamento de proventos, e que, em geral, costumam ser menos voláteis em momentos de expectativas em baixa.

Tendo esse cenário em vista, os gestores já começam a avaliar a possibilidade de ter chegado o momento de diminuir a posição de caixa de seus fundos, que seguiu uma trajetória de crescimento nos últimos meses. Neste ano, muitos optaram em manter o máximo possível do patrimônio em caixa, sendo que a regra permite manter até um terço dos recursos, que podem ser alocados, por exemplo, em títulos públicos, ativos bastante atraentes em tempos de elevada taxas de juros (selic). Essa foi uma das estratégias utilizadas para a proteção do capital, diante do alto grau de incerteza, que acabou refletindo no desempenho da Bolsa e aumentando a aversão ao risco. Apenas em dezembro o Ibovespa acumula queda de cerca de 8%.

O vice-presidente da SulAmérica Investimentos, Marcelo Mello, conta que no momento o fundo de ações da gestora tem cerca 10% em caixa e que a casa está analisando se este não é o momento para aumentar sua posição em ações. "Poderíamos ter um caixa ainda maior, mas estamos vendo se faz sentido aumentar posição em ações", destaca. "O investidor institucional, que é mais técnico, tem que aproveitar esses momentos, que trazem boas oportunidades. É preciso ser um pouco 'contrário ao mercado'", explica. Segundo ele, com a queda do preço das ações, os múltiplos de muitas empresas começaram a ficar atraentes para o investimento.

"Certamente o melhor momento para se investir em ações coincide com o momento em que a fotografia está muito ruim. Quando se consegue entrar na ação nesses momentos, o retorno para o fundo fica muito maior", afirma o sócio e gestor responsável pela área de renda variável da Pacifico Gestão de Recursos, Carlos Eduardo Ramos.

No entanto, o ideal é que a compra em bolsa, neste momento, seja feita em partes, sugere o sócio da consultoria financeira Aditus, Leonardo Bortoloto. "Como o cenário externo estressou com Rússia, ainda podemos ter alguma notícia que faça com que a bolsa caia, mas já começa a ser atrativo", afirma.

Essa boa oportunidade de entrada, porém, vai na contramão do interesse dos investidores em comprarem ações. "É difícil atrair novos cotistas. Nos momentos mais interessante para a entrada, o silêncio é grande", afirma o gestor do Pacífico. Nesse contexto, os antigos cotistas do fundo é que acabam capturando os ganhos do fundo.

No ano, essa categoria de fundos tem afugentado os investidores. Os fundos Ações Ibovespa Ativo registram, até o dia 16 deste mês, resgate líquido de R$ 3,124 bilhões, com perda acumulada no período de 7,63%, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Já os Ações IBrX Ativo registra no mesmo intervalo saída líquida de R$ 2,459 bilhões, com rentabilidade negativa de 8,06%. Em termos de rentabilidade, nenhuma das modalidades registra ganhos no ano.

Para atravessar esses momentos de grande volatilidade e de aversão ao risco, a SulAmérica tem encontrado apoio na carência de seus fundos, que chega a até cinco anos. Do lado do investidor, essa restrição acaba impedindo a decisão do resgate dos recursos no pior momento do mercado, o que acaba gerando perdas para todos os cotistas, diz Mello, vice-presidente da asset. "Se formos ao mercado no próximo ano será nessa linha", destaca.

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