PUBLICIDADE
Notícias

Conab seguirá apoiando algodão em 2015; milho não deve ter Pepro

09:10 | 28/12/2014
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) avalia que em 2015 será necessário manter a política de garantia de preços aos cotonicultores, iniciada neste ano. Já os produtores de milho, também beneficiados com leilões de Prêmio Equalizador Pago ao Produtor (Pepro) em 2014, tendem a caminhar sozinhos. Em entrevista ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, o presidente da estatal, Rubens Rodrigues dos Santos, disse que a situação da pluma é "complicada", porque os preços internacionais devem seguir pressionados pelos amplos estoques da China.

No caso do cereal, no entanto, Santos afirmou que depois das intervenções realizadas pela Conab neste ano o mercado está regulado e deve permanecer acomodado. "Além de os preços estarem acima do mínimo atualmente, a previsão de que a área plantada será menor na safra de verão também ajuda a balizar os preços", avaliou.

Em seu último levantamento, divulgado em 10 de dezembro, a Conab estimou a lavoura de milho verão em 6,181 milhões de hectares, 6,6% menor que a cultivada no ciclo passado, o que aponta para uma produção de 29,3 milhões de toneladas (-7,5%). A estimativa para a safrinha ainda não foi atualizada e a Conab considera, por enquanto, a mesma área de 2014, de 9,182 milhões de hectares de milho. Assim, a projeção para a safra brasileira do cereal em 2014/15 é de 78,7 milhões de toneladas (-1,5%). Já o algodão deve ocupar 1,0 milhão de hectares (-10,4%) e resultar em até 1,539 milhão de toneladas (-11,2%).

Os recursos para operações de subvenção, como Pepro, principal instrumento usado em 2014, deverão constar do orçamento para o próximo ano, ainda não aprovado. Em relação à Aquisição do Governo Federal (AGF) para milho Santos diz que a estatal recorrerá à operação caso haja necessidade de garantir preço mínimo. O mecanismo permite ao governo reforçar os estoques públicos, que em milho somam 1,64 milhão de toneladas neste mês de dezembro.

Milho e algodão foram as duas culturas que receberam maior apoio da Conab neste ano por meio de leilões de Pepro, respondendo por 79,38% do valor total das operações, sendo R$ 255,54 milhões para milho (5,8 milhões de toneladas) e R$ 243,6 milhões para algodão (905,3 mil toneladas).

Nas operações de Pepro realizadas em 2014 a Conab disponibilizou um total de R$ 628,82 milhões em prêmios. Além da subvenção ao algodão e ao milho, a companhia apoiou com Pepro laranja, trigo e borracha. Foram arrematados prêmios para a comercialização de 18,8 milhões de caixas da fruta, com valor total de R$ 47,11 milhões. Para o trigo, foram 788,69 mil toneladas, com total de R$ 81,11 milhões em prêmios. Já para a borracha, a subvenção foi de R$ 1,46 milhão.

Na avaliação de Santos, as operações cumpriram seu objetivo já que os preços dos produtos se estabilizaram acima do mínimo. No caso do trigo, houve subvenção para 1,55 milhão de toneladas e foram arrematados prêmios referentes a 50,75% desse volume. "No último leilão que realizamos apenas 11% do volume ofertado foi arrematado, indicando que não há mais demanda pela subvenção", afirmou Santos.

Estoques

Ao sinalizar a possibilidade de aquisição de milho no ano que vem, o presidente da Conab afirmou que não há previsão de compras de arroz, mesmo com estoques baixos do produto. Em 2014, a estatal vendeu 418,17 mil toneladas de arroz. "Em uma determinação do governo, os estoques foram praticamente zerados", afirmou Santos. O executivo lembrou que o estoque de arroz foi formado três e quatro anos atrás, por meio de AGF. "Hoje temos pouco menos de 380 mil t de arroz em estoque, e a intenção era exatamente desovar esse volume", disse. Em dezembro, a Conab registrava 1,64 milhão de toneladas de milho em estoque, 376,67 mil toneladas de arroz e 15,02 mil toneladas de trigo.

Esta semana, o Ministério da Agricultura anunciou que fará Aquisições do Governo Federal (AGF) para trigo no limite de até R$ 200 milhões. As operações visam a garantir preço mínimo ao produtor e recompor os estoques públicos. A medida havia sido anunciada pelo ministro Neri Geller em setembro, início da safra nacional, mas só confirmada agora. A data para o primeiro leilão de AGF ainda será informada.

TAGS