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IABr: cenário impede previsão da produção de aço em 2015

17:10 | 26/11/2014
A pouco mais de um mês do fim do ano, o Instituto Aço Brasil (IABr) ainda não tem uma estimativa de produção de aço bruto para 2015. Segundo os executivos da entidade, o cenário macroeconômico nebuloso impede que se faça projeções. Nesta quarta-feira, 26, o IABr anunciou previsões apenas para as vendas internas no ano que vem, com alta de 4% sobre 2014, e para o consumo aparente, com crescimento de 4,7% na mesma base de comparação. "Não temos um cenário claro para fazer previsão de produção de aço bruto para 2015", afirmou o presidente-executivo do IABr, Marco Polo de Mello Lopes.

"O Brasil precisa resgatar confiança dos agentes econômicos nacionais e internacionais. É difícil fazer previsão clara do que vai ser economia no ano que vem", comentou o presidente do Conselho Diretor do IABr, Benjamin Mário Baptista Filho.

O olhar atento ao crescimento econômico se justifica pela ligação direta que o consumo de aço tem com a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), como os investimentos são medidos do Produto Interno Bruto (PIB). Estudos feitos pelo próprio instituto mostram que, com crescimento do PIB total na faixa de 1% a 2% ao ano, o reflexo no consumo aparente de aço é irregular e baixo.

"É possível notar indexação maior quando o PIB varia 3%, 4%, 5%. Nessa faixa, o consumo de aço aumenta 1,5% a cada ponto porcentual do PIB. Ou seja, se PIB mantiver faixa de 3%, expectativa é de que consumo de aço melhore 4,5% ao ano", explicou Baptista Filho.

"Tudo depende do desempenho e da eficiência da economia nos próximos anos. De qualquer forma, a indicação de crescimento do PIB não está trazendo nenhum alívio para consumo do aço, nem para este ano nem para o ano que vem. À medida que a presidente Dilma confirmar a nova equipe econômica, pode ser que isso traga uma luz no fim do túnel", acrescentou o presidente do Conselho Diretor.

Reivindicações

Mesmo diante de dificuldades como o excedente de aço no mercado internacional e de um câmbio desfavorável às exportações, executivos do IABr avaliam que o governo não se mostrou muito receptivo às reivindicações do setor siderúrgico. "O grau de sensibilidade o governo em ouvir nossas prioridades foi muito baixo", afirmou Lopes. "Entendo que, num ano eleitoral, a prioridade do governo passou a ser outra."

Há uma sinalização positiva para o futuro, ponderou Lopes, citando a provável indicação de Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda e de Nelson Barbosa para o Ministério do Planejamento. "Nova equipe econômica traz expectativa muito positiva pela representatividade de seus membros. Há uma expectativa favorável de que se abra um diálogo", afirmou o presidente-executivo do IABr.

A competitividade não só da siderurgia, mas da indústria de transformação brasileira como um todo, depende da redução da acumulação de impostos, de uma infraestrutura "razoável", da alteração na taxação de impostos sobre investimentos (hoje colocados antes que eles se tornem produtivos, segundo o Instituto), além de juros em padrões internacionais, listou Lopes. "Não podemos falar em juros em padrões internacionais se não tiver ajuste fiscal. Precisamos ter uma política que assegure, por meio da política fiscal, os juros em condições internacionais", disse.

A desvalorização do câmbio seria outro fator importante para dar competitividade à indústria local. Hoje, o IABr estima que o real está 22% sobrevalorizado, tendo como referência do índice Big Mac. A China, maior produtor de aço do mundo, tem sua moeda desvalorizada em 43% de acordo com a mesma medida.

A defesa comercial também é uma reivindicação das siderúrgicas. Segundo o IABr, a expansão da produção chinesa foi predatória, e a evolução da demanda brasileira vazou para o exterior. A aplicação da regra de conteúdo local, especialmente na indústria de óleo e gás, contribuiria positivamente nesse sentido, disse Lopes. Hoje, grande parte do aço consumido pela Petrobras é importado, estimam os executivos.

Lava Jato

De acordo com Lopes, as denúncias de corrupção na Petrobras, trazidas à tona pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal, podem prejudicar a estatal petrolífera e o Brasil como um todo. A atividade das siderúrgicas, no entanto, não deve ser impactada diretamente, a não ser que haja uma paralisação de obras e encomendas de máquinas e equipamentos.

"Vários investimentos são demandadores de aço. Se esses investimentos pararem, certamente afeta, embora grande parte da Petrobras seja aço importado. Mas a Petrobras é uma empresa muito grande para não afetar a indústria como um todo", disse Lopes. "O caso da Petrobras não é preocupação apenas do setor aço, mas do Brasil. (O caso) Tem que ser apurado, investigado. Outras empresas têm de estar capacitadas, pois o País não pode parar", acrescentou.

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