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FGV: IGP-DI em 12 meses até outubro é o menor em 4 anos

13:30 | 06/11/2014
A alta de 3,21% acumulada em 12 meses até outubro deste ano no âmbito do Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) é a menor registrada nesta comparação desde abril de 2010 (2,95%), quando o índice ainda trazia efeitos da crise iniciada no fim de 2008, disse nesta quinta-feira, 6, o superintendente adjunto de inflação da Fundação Getulio Vargas (FGV), Salomão Quadros. Sem fazer projeções, ele afirma que, até o fim do ano, o índice pode avançar um pouco "por conta das incertezas". Antes de chegar a esse mínimo, o IGP-DI em 12 meses atingiu um pico de 8,10% em abril deste ano.

Parte da explicação para uma inflação tão baixa, segundo Quadros, está no cenário global. A demora na recuperação da economia mundial, especialmente a zona do euro, tem deixado preços de commodities mais comportados. No caso do minério de ferro, a queda superior a 30% em 12 meses tem como pano de fundo a desaceleração do crescimento da China. Além disso, uma conjuntura extremamente favorável para a safra dos Estados Unidos deixou a soja 14,88% mais barata nos últimos 12 meses - o grão é um dos itens de maior peso dentro do indicador.

"Daqui para o final do ano, pode subir um pouco por conta das incertezas", disse Quadros, ressaltando, contudo, que a taxa não deve ter sobressaltos até o fechamento de 2014. Entre as incertezas, ele citou um eventual choque de alimentos por conta da estiagem e o aguardado reajuste nos combustíveis.

Câmbio

A valorização do dólar ante o real nas últimas semanas teve forte repercussão sobre os preços dos materiais para a manufatura no atacado. A inflação neste grupo subiu 0,72% em outubro, após recuo de 0,43% em setembro, no âmbito do IGP-DI. "O principal fator é o câmbio, não só porque os produtos, vários deles, são suscetíveis a mudanças de câmbio, mas também porque na nossa pesquisa várias altas de preço detectadas trouxeram essa justificativa do câmbio", disse Quadros.

Segundo o superintendente, o impacto do câmbio ficou mais evidente na indústria química (-0,24% para 0,73%), mesmo diante da queda do preço do petróleo. Também avançaram os metais não ferrosos (1,23% para 2,54%) e a celulose (1,72% para 2,68%).

Em meses anteriores, quando o câmbio se mostrou bastante volátil, a maior parte da indústria hesitou em incorporar as oscilações do dólar aos preços praticados internamente. Com essa mudança na postura, Quadros avalia que os empresários dão "como fato já consumado" a cotação do dólar na casa de R$ 2,50. "É como dizer 'não sabemos onde ele vai parar, mas não voltará a ser como antes'", disse.

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