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95% das empresas familiares não chegam à quarta geração

01:30 | 08/10/2014
O nível de mortalidade das empresas familiares é alto. Apenas 5% chegam à quarta geração como familiares. Parte quebra ou se dissolve, enquanto outras são vendidas, de acordo com Guilherme Pequeno. Entre a primeira e a segunda geração, metade quebra. Chegam à terceira geração somente 35%, destacou citando o pesquisa John Davis.

“O principal desafio é tratar o negócio como negócio, gerir pensando em resultado, buscando maximizar valores entre os sócios, de forma profissional. Quando não for tratado de forma profissional, existe tendência de que esse processo se enfraqueça”, destacoy.

O processo sucessório para ser bem conduzido demora de cinco a 15 anos, explicou Pequeno. “É o momento de integrar o sucessor na cultura da empresa, fazer com ele o processo sucessório e fazer com que ele participe da gestão do negócio ainda tendo o apoio do diretor executivo.”

Precisa haver um conselho de administração soberano. A recomendação é que 50% sejam conselheiros independentes. De acordo com Pequeno, as principais práticas de governança corporativa são ter uma gestão de risco identificada, auditoria externa e um código de ética. É necessário ainda que as demonstrações financeiras sejam no modelo tradicional validado pela contabilidade.

A pesquisa identificou que há reuniões periódicas entre os sócios para avaliação e direcionamento das estratégias do negócio em 62% dos casos. No entanto, em 74% as demonstrações de resultados da empresa não são auditadas por uma empresa especializada.

Pequeno destacou que podem levar à falência práticas como misturar despesas pessoais com a da empresa, colocar família no negócio sem avaliar critérios, não ter um processo sucessório definido e formar um conselho e não respeitar as decisões deles. “Às vezes para o negócio é melhor afastar a família da gestão. Continuam como proprietários.”

Para reter talentos, é necessário ter critérios claros, de acordo com Simom Franco, presidente da Simom Franco Recursos Humanos. “No meu entender, a empresa precisa se preocupar qual é pessoa que tem os princípios, os valores, a cultura, o modo de pensar e de agir alinhados com o da empresa e depois ser portador da qualificação técnica.”

SAIBA MAIS


> Conceito de empresa familiar é que 51% das ações pertencem a uma família mesmo depois de terem realizado IPO (Oferta Pública Inicial, em inglês). A exceção no Brasil são normalmente as multinacionais e as públicas.

> Os desafios enfrentados pelas empresas familiares em 2014 foram crescer de forma estruturada (33%), formar equipes (22%), queda de faturamento (21%), rotatividade de funcionários (11%) e aumento de funcionários (13%).

> Os entraves em 2014 não tiram o otimismo das companhias. O crescimento acima de 10% é esperado por 46% das companhias em 2015. Outras 28% esperam estabilidade no faturamento. A expansão para outros mercados é uma expectativa de 19% das empresas consultadas, enquanto 2% pretendem fazer processos de fusão e aquisição com outras empresas. Apenas 5% declarou que terá queda de faturamento.

> Para estabelecer critérios de governança corporativa, é ideal entender o que os donos desejam. Depois disso, começar o processo de governança corporativa. “Começamos conversando com todos os stakeholders. Conversamos com os proprietários, possíveis sucessores, membros da família, fazemos pesquisa com os diretores da empresa, com os funcionários, com os fornecedores, com os clientes para que a gente saiba como é a relação daquela empresa hoje”, disse o diretor presidente da Gomes de Matos, Eduardo Gomes de Matos.

> As médias empresas são as que mais buscam sistema de governança corporativa. Normalmente estão na segunda geração.

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