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Construção civil de MG pede políticas de longo prazo

14:50 | 06/08/2014
O setor da construção civil de Minas Gerais quer que os novos governantes a serem eleitos no pleito deste ano criem políticas de longo prazo para a cadeia. Conforme o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil de Minas Gerais (Sinduscon-MG), Luiz Fernando Pires, o "governante novo" terá de ter a capacidade de resgatar a confiança da população no País, trazendo de volta a estabilidade econômica e regras claras.

"Tivemos intervenções positivas em energia, em combustível, mas elas foram pontuais. O País precisa de regras claras, de planejamento de longo prazo e mais simplicidade. Todos temos interesse de investir, mas só com o resgate da confiança serão retomadas condições de investimento", declarou ele durante a feira Minascon/Construir 2014, no Expominas. Ele citou, por exemplo, que o programa do governo federal "Minha Casa, Minha Vida" ou qualquer projeto de garantia habitacional, não pode ser atrelado à uma gestão, tem que virar lei, ser de longo prazo.

Conforme dados do Sinduscon-MG, o segmento da construção civil do Estado é o terceiro maior do País, representando 10% do PIB nacional, ficando atrás somente de São Paulo e do Rio de Janeiro e também é o maior produtor de cimento do Brasil. De 2004 a 2013, a taxa média de crescimento da construção mineira foi de 4,97% ao ano, enquanto no País foi de 4,28% ao ano. As obras dos programas estaduais Pró-Acesso, Pró-MG, da linha verde, da construção do Centro Administrativo do Estado, dos estádios Mineirão e Independência, impulsionaram o crescimento do segmento mineiro. Em 2013, o setor teve incremento de 3,7% ante 1,4% do Brasil, mas, por conta de muitas obras prontas e entregues, teve aumento de 0,5% frente a de 1,6% do segmento no País.

"Em 2014, haverá uma redução do ritmo de crescimento observado nos últimos anos, mas ainda vamos crescer e acima do PIB, como temos registrado. Necessitamos vencer essa dificuldade da confiança", disse Pires. O Sinduscon-MG não tem uma previsão oficial de crescimento, mas estima que o segmento deverá seguir o desempenho do setor no País que, conforme estimativas da Fundação Getulio Vargas (FGV), deve ter crescimento entre 1,8% e 1,4%.

Para o vice-presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (FIEMG) e presidente da Câmara da Indústria da Construção (CIC/Fiemg), Teodomiro Diniz Camargos, o mercado da construção vive em apreensão e em uma verdadeira incógnita. "Vivemos 10 anos de explosão e passamos por dois anos de resfriamento do setor. Todo esse quadro da macroeconomia, de pessimismo e desconfiança, traduz em perspectivas não muito boas para a construção civil. Apesar de sabemos que a construção é uma das formas de alavancar crescimento no País", falou. A burocratização das prefeituras e cartórios também foi citada como um entrave à expansão do setor.

Ele ainda comentou que o ainda crescimento do setor virá da "inércia" que o segmento possui da continuidade dos financiamentos imobiliários, dos programas federais de habitação e infraestrutura e da demanda contínua do setor de mineração. "Mas esse crescimento de 2014 não será nada brilhante", enfatizou. Para reverter esse cenário adverso para o setor, segundo Camargos, é necessário se resgatar a confiança e haver uma reestruturação e ampliação dos investimentos na economia. "Já vimos que o Estado brasileiro não consegue fazer esse investimento maior sozinho, precisa também de recursos privados, Esse movimento começou a deslanchar com os aeroportos", disse.

Imóveis

O vice-presidente da Fiemg comentou que aguarda uma estabilidade dos preços dos imóveis em Minas Gerais. "Hoje, o mercado está estagnado, com tendência à estabilização. Movimento natural, num mercado que não está tão pujante. Acredito que deva continuar assim, já que os preços de matérias-primas não têm perspectiva de baixar e se olharmos terrenos nas grandes cidades, a tendência é de aumento de preço. Não há de pensar em redução de preços dos imóveis agora", disse.

Sobre mão-de-obra, o especialista disse que não há problema de falta de profissionais. Nos últimos 10 anos, os salários aumentaram e favoreceu a formação de mão-de-obra. Mas a grande reclamação do setor é a falta de capacidade e baixa produtividade dessas pessoas.

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