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J.Safra: termo 'neste momento' sobre Selic surpreende

22:00 | 16/07/2014
O economista-chefe do Banco J.Safra, Carlos Kawall, mostrou-se surpreso com a manutenção do termo "neste momento" no comunicado que acompanhou a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom). O colegiado manteve a Selic estável em 11% ao ano, mas, segundo Kawall, ao usar o "neste momento" a instituição criou duas opções distintas de leitura. Por isso, a reação dos juros futuros vai depender do que cada investidor enxergar e também das próximas comunicações do Banco Central.

Uma possibilidade é o reforço da leitura dos agentes que, devido à fraqueza recente da atividade, acreditam que a Selic pode ser até mesmo cortada no curto prazo. "A corrente dos que enxergam que a atividade fraca pode fazer a inflação convergir para a meta, diante do esforço monetário já feito pelo Banco Central, pode ganhar força", pontuou Kawall, para em seguida completar: "Mas eu não acredito nesta hipótese".

"Da última vez, o uso do termo parecia ser no sentido de que poderia elevar a Selic por conta da inflação pressionada. Depois, com a ata da reunião mostrando atividade mais fraca e inflação resistente, o BC passou a ideia de que a Selic seria mantida por um período mais prolongado, apostando nesse equilíbrio de forças", disse.

No entanto, para ele, na nota divulgada pelo Banco Central no começo deste mês, referente a uma entrevista que o presidente do BC, Alexandre Tombini, deu para um órgão interno da instituição, ficou claro que, na avaliação de Kawall, Tombini sinalizou que "o mundo não está mais em 2011, pois o ambiente externo está no sentido de uma normalização".

Depois, lembrou Kawall, a nota falou que a inflação também estava resistente, mas citou "apenas a atividade internacional". "Após isso, o IPCA em 12 meses até junho acabou indo para acima do teto da meta, de 6,50%. Para mim, o termo 'neste momento' deveria ser lido como o sinal de que a inflação preocupa e que, portanto, poderia haver alta da Selic", analisou. "Meu call é de alta do juro em dezembro", disse.

Mesmo porque, segundo ele, o Brasil vai chegar ao fim do ano com inflação beirando os 6,50%, "até um pouco acima". "E qual será, depois da eleição, a perspectiva da inflação nos próximos 12 meses, com uma série de preços represados?", questionou. "Além disso, o Fed já terá terminando sua compra de títulos, e os agentes estarão discutindo quando haverá alta do juro por lá", afirmou, dizendo que esse conjunto de fatores pode abrir espaço para um aperto monetário na última reunião do ano.

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