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Para FGV, tarifas de energia vão pressionar inflação

13:50 | 09/05/2014
A desaceleração nos preços dos alimentos no Índice de Preços ao Consumidor (IPC), no âmbito da primeira prévia do IGP-M de maio, ainda foi muito dependente das hortaliças e legumes, afirmou o superintendente adjunto de Inflação da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Ao longo deste mês, ele espera que os alimentos processados, incluindo carnes e laticínios, deem uma contribuição maior para a descompressão do índice.

"O cenário de alimentos no IPC é de continuidade de desaceleração", disse Quadros. Na prévia anunciada hoje, a Alimentação no varejo subiu 0,73%, contra 1,07% em abril. As hortaliças e legumes desaceleraram de 6,65% para -0,33%.

As carnes já mostraram reação. Com a matéria-prima subindo menos no atacado, o item registrou alta de 0,09% no varejo, após subir 1,49% na primeira prévia de abril. Laticínios, contudo, aceleraram de 1,34% para 1,88%. "Mas vão inverter rapidamente, porque os laticínios na indústria já desaceleraram", contou Quadros.

O que segurou o IPC em maio (a desaceleração foi pequena, de 0,65% para 0,64%) foi a tarifa de energia elétrica. "Os reajustes de energia em Belo Horizonte, Recife e Salvador devem continuar segurando um pouco o IPC, impedindo que as taxas sejam muito menores", disse o superintendente. Na prévia anunciada hoje, a alta da tarifa de energia elétrica foi de 2,11%. O item responde por 2,52% do IPC.

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) também deve seguir pressionando o IGP-M, devido ao impacto dos reajustes salariais da categoria em Salvador e no Rio. Há ainda a expectativa, segundo Quadros, de que saia o dissídio coletivo em São Paulo - que deve causar impacto adicional no índice. O INCC subiu 0,92% na primeira prévia de maio, contra 0,35% no mês anterior.

"O IPC tem limites de desaceleração, e o INCC tem fatores de aceleração. Isso vai contrabalançar o IPA negativo. Mesmo assim, o IGP-M fechado ainda deve ficar baixo, mas não negativo", previu Quadros.

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