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Governo não teme discussão sobre emprego, diz Belchior

13:30 | 15/04/2014
A ministra do Planejamento, Miriam Belchior, afirmou que "têm saído informações truncadas sobre o IBGE" e rebateu as críticas de que o governo temeria a publicação de dados sobre desemprego. Nos últimos dias, o instituto enfrenta um crise que começou com a informação de que a divulgação da Pnad Contínua seria suspensa até janeiro de 2015.

"Quanto a insinuações de que governo temeria dados da Pnad contínua, eu gostaria de dizer que, se tem algo que esse governo não se preocupa, é com discussão com relação a emprego. Emprego é uma discussão que esse governo não teme", afirmou. Ela argumentou que os dados de desemprego da PME caíram, de 2012 para 2013, menos que os da Pnad - cuja divulgação está suspensa. "Qual seria o interesse do governo em esconder dados sobre emprego?", questionou a ministra. "A população deste País sabe muito bem quem criou emprego nos últimos anos."

A ministra afirmou que o IBGE "tem plena e completa autonomia pra tomar decisões sobre pesquisas que realiza". Ela disse, ainda, que a Pnad Contínua "é fruto de muitos anos de trabalho durante governo Lula e Dilma. "A Pnad Continua é do governo e do estado brasileiro. O governo investiu recursos para que ela fosse feita."

Miriam Belchior afirmou que a legislação relacionada ao Fundo de Participação dos Estado (FPE), discutida no Congresso no ano passado, estabeleceu nova forma de calcular o FPE de cada estado e introduziu duas variáveis: a população e a renda domiciliar. "São dois dados novos que precisarão ser usados para calcular a transferência de recursos do governo federal para estados", explicou.

De acordo com a ministra, o calendário da Pnad Contínua previa disponibilizar dado de renda domiciliar em dezembro de 2015. O IBGE contava que nova regra só fosse implementada a partir de 2017.

Segundo a ministra, depois de uma audiência pública e de um requerimento no Senado, o IBGE "percebeu que estava trabalhando com data diferente". "O IBGE percebeu que em vez de ter dois anos para colocar dados a disposição, tem apenas até janeiro do ano que vem, ou seja, menos de um ano."

"Ficaram preocupados de não conseguir fazer isso com qualidade que caracteriza pesquisas do IBGE. O instituto esta refazendo seus planos de trabalho." A ministra fez questão de dizer, ainda, que o conselho diretor é formado exclusivamente por servidores do próprio IBGE.

"Eu considero que ainda bem que isso veio à tona neste momento. A direção e a equipe técnica do IBGE têm capacidade de reformular o cronograma e cumprir prazos estabelecidos na lei", concluiu.

Corte

Belchior também afirmou que fica difícil preservar qualquer órgão, como o IBGE, no momento que o governo passa por um corte de R$ 44 bilhões no orçamento. "Todos os ministérios tiveram contingenciamento. Até o PAC que nunca teve corte, teve um contingenciamento de R$ 7 bilhões esse ano", justificou.

A ministra disse que o orçamento do IBGE caiu de R$ 2,1 bilhões para R$ 1,8 bilhão, recursos ainda suficientes para preservar todas as pesquisas conjunturais do órgão como a PNAD contínua. "É difícil poupar algumas áreas quando se quer fazer uma meta fiscal de 1,9% do PIB", disse.

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