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Economistas destacam perfil técnico de Ary Joel

Para economistas descontinuidade prejudica o banco. Já a presidente da associação de funcionários do BNB disse que a antiga gestão estava causando "inquietação"

16:32 | 04/04/2014

A saída de Ary Joel Lanzarin da presidência do Banco do Nordeste do Brasil (BNB), em menos de dois anos no cargo, é vista por economistas como prejudicial à instituição, devido à falta de continuidade administrativa que o banco vem experimentando nos últimos anos. A última mudança na cúpula do BNB aconteceu em junho de 2012, com a renúncia do então presidente Jurandir Santiago, após denúncias de empréstimos irregulares que acarretou em uma das mais graves crises da história da instituição.

“Conheci pouco da gestão dele (Lanzarin). O que poso falar é que essa instabilidade de mudanças de presidentes no BNB, que é uma instituição muito importante, não é saldável”, disse Flávio Ataliba, diretor geral do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica (Ipece). “A continuidade administrativa é muito importante para que as ações se concretizarem. Então essas mudanças frequentes enfraquece o banco tanto do ponto de vista político como administrativo”.

 

No entanto, segundo a presidente da Associação dos Funcionários do Banco do Nordeste do Brasil (AFBNB), Rita Josina Feitosa da Silva, a gestão de Ary Joel estava causando inquietação nos funcionários. “Embora a gente tenha visto uma expansão, do ponto de vista da atuação do BNB fugiu-se um pouco do modelo que criou o banco, que era para atuar principalmente presente nos debates da região. Esse debate estava muito resumido”.

 

Para Lauro Chaves, professor da Universidade Estadual do Ceará (Uece) e PhD em desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, a gestão de Lanzarin serviu para “apagar um incêndio institucional e ético”. Entretanto, Chaves não acredita que haverá mudanças significativas com a presidência de Nelson de Souza, diretor de Estratégia, Administração e Tecnologia da Informação do banco, que assume interinamente a presidência. “O maior impacto seria a mudança do eixo estratégico do banco, aí poderia mudar alguma coisa, mas uma mera substituição não deve ser significativa”, avalia.

Além disso, o perfil técnico de Lanzarin era bem visto pelos economistas. “Ary Joel cumpriu muito bem o papel dele. Pegou o BNB num dos piores momentos da sua história e conseguiu administrar a situação. É uma perda grande pela competência dele”, diz o economista José Maria Porto. “Ele atendeu principalmente o pequeno e micro empreendedor. Desburocratizou algumas operações do banco, principalmente da parte de financiamento no FNE (Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste), promoveu o crescimento do número de agências, e houve uma melhoria na governança do banco. A gente perdeu um profissional competente, com perfil técnico que hoje não é fácil encontrar.”

O economista Raimundo Padilha, que já foi funcionário do BNB, se disse surpreso com a notícia da renúncia de Lanzarin, por ter permanecido por um período “tão curto”. Para ele, por melhor que seja o substituto, a descontinuidade prejudica o banco. “Nos poucos contatos que eu tive com o Ary Joel, ele me pareceu uma pessoa de muita experiência. Ele estava promovendo uma visão de crescimento do banco, fazendo um enxugamento num sentido bastante dinâmico, e isso me parecia muito bom. Então eu lamento (a saída).”

Quanto à administração de Nelson de Souza, Lauro Chaves acredita que será mais longa do que o esperado, por este ser um ano de eleições presidenciais. “Não acredito que a presidente (Dilma Rousseff) faça alguma mudança, para não criar uma indisposição política”.

Redação O POVO Online

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