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Companhias brasileiras voltam a atrair investidor

08:40 | 04/04/2014
A Hapvida, maior operadora de planos de saúde do Norte e Nordeste do País, tem sido sondada por fundos de investimentos interessados em comprar uma participação ou totalidade de seu negócio. A empresa de logística TPC, da Bahia, foi assediada por grupos europeus para aquisição de uma fatia da companhia. Esses dois casos não só ilustram o apetite de fundos e grupos estrangeiros por ativos brasileiros como são uma amostra do quanto as operações de fusões e aquisições no País estão aquecidas desde o início deste ano.

No primeiro trimestre, foram realizadas 164 operações de fusões e aquisições no País, 18% acima do mesmo período do ano passado. Em receita, essas transações somaram R$ 44 bilhões, ante R$ 9 bilhões no mesmo período de 2013, segundo levantamento do banco de investimento Greenhill, com base em dados da Capital IQ, PWC e CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

"O número de transações privadas tem se mostrado a mais factível, sustentável e realista alternativa de capitalização e criação de liquidez para grande parte das empresas brasileiras", diz Daniel Wainstein, que está à frente do Greenhill no Brasil. Ex-presidente de investimentos do Goldman Sachs, Wainstein está no comando do escritório da instituição no Brasil, inaugurado em outubro passado.

Segundo o executivo, muitas empresas brasileiras com faturamento entre R$ 300 milhões e R$ 400 milhões que estão distantes de atingir o tamanho mínimo para acessar o mercado de oferta pública de ações (IPO, na sigla em inglês) estão buscando outras formas de investimento que não o mercado de capitais. E são esses grupos que têm atraído a atenção da instituição.

Nenhuma operação de abertura de capital foi realizada este ano, diante do cenário desafiador projetado para 2014. "O mercado de capitais deixou de ser uma alternativa para as empresas. O Brasil está mais barato e os preços dos ativos mais racionais", afirma um alto executivo que comanda operações de fusões e aquisições de um banco estrangeiro no País. "As multinacionais que olham o Brasil como investimento de longo prazo devem continuar fazendo negócios aqui", diz a mesma fonte, acrescentando que operações relevantes deverão ser concluídas neste ano, mesmo com Copa do Mundo e eleições. "As eleições já estão precificadas pelo investidor."

Empresas focadas em serviços, saúde e varejo estão entre as áreas consideradas atraentes para investidores, diz Ricardo Lacerda, presidente da BR Partners, um das principais assessoras financeiras e de investimentos do País. A BR Partners ficou em décimo lugar em volumes e em quinta no total de operações de fusões e aquisições em 2013.

A expectativa do mercado é de que as operações de fusões e aquisições repitam, no mínimo, o desempenho de 2013. Grandes transações, como a venda do laboratório Fleury, a área de seguro de grandes riscos do Itaú Unibanco, a venda de duas divisões da Tempo Participações para a Qualicorp, e a possível mudança de controle da Netshoes, são algumas das operações recém- anunciadas e que deverão ter desfecho nos próximos meses.

Com o dólar valorizado e a bolsa em baixa, os fundos de private equity (que compram participações em empresas) estão aumentando seus investimentos em ativos no Brasil. A participação dos private equities em transações envolvendo empresas brasileiras vem aumentando a cada ano. Em 2013, 21% das operações de fusões e aquisições tiveram participação desses fundos.

Investidor estratégico

Leonardo Barros, presidente da empresa de logística baiana TPC, não descarta a entrada de um parceiro estratégico. A empresa, que teve seu início como operadora portuária na Bahia em 2001, fez aquisições ao longo dos últimos anos na área de armazenagem e distribuição, tornando-se uma das maiores de aparelhos de celulares e cosméticos do País. No ano passado, encerrou com faturamento de R$ 340 milhões. Barros não descarta vender até 40% para promover sua expansão e alcançar receita de R$ 1 bilhão.

Já a Hapvida negou, por meio de sua assessoria, que irá vender fatia da empresa, mas não desmente o assédio de fundos. A empresa informou que não descarta abrir o capital em 2015.

Bovespa Mais

A BM&F Bovespa está tentando desenvolver o mercado de IPOs para pequenas empresas, mas a falta de cultura do investidor em apostar em ações, associada à atratividade das taxas de instrumentos de renda fixa, inibe ainda mais o desenvolvimento do Bovespa Mais em sua plenitude. "No longo prazo, um mercado dessa natureza poderá ser algo importante para o País, mas até lá, transações com private equity ou investidores estratégicos vão permanecer como única alternativa viável no curto e médio prazo para a grande maioria das empresas", diz Wainstein. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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