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BNDES vê mais R$ 36 bilhões em investimento

09:30 | 22/04/2014
A projeção de investimentos na indústria mapeados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para o período de 2014 a 2017 aumentou em R$ 14,5 bilhões, numa recente revisão parcial do levantamento, inicialmente divulgado em outubro passado. A revisão definitiva do estudo dos economistas do banco de fomento deverá acrescentar mais R$ 36 bilhões, elevando o total para R$ 733 bilhões.

A atualização do mês passado, apresentada pelo presidente do BNDES, Luciano Coutinho, no Senado, projeta R$ 697 bilhões em investimentos na indústria. A revisão definitiva será publicada em cerca de 30 dias, segundo o superintendente da Área de Pesquisa e Acompanhamento Econômico (APE) do BNDES, Fernando Puga.

Na revisão parcial, o setor de papel e celulose puxou o crescimento, seguido pelas indústrias aeronáutica e extrativa mineral, e pelo setor químico - apesar das dificuldades do último. Na revisão definitiva, os destaques serão o setor de petróleo e gás e a siderurgia.

A projeção de investimentos na indústria de petróleo e gás deverá subir em R$ 30 bilhões. "Do total projetado para o setor, 60% dos investimentos vão para exploração e produção, com destaque para o pré-sal", diz Puga, sem dar detalhes.

A revisão definitiva dos números divulgados em outubro incluirá parte dos investimentos na exploração do prospecto de Libra, leiloado ano passado. Estudo da consultoria IHS, uma das maiores do setor de petróleo e gás, preparado antes do leilão, estimou os investimentos em Libra em US$ 400 bilhões, ao longo dos 35 anos de licença. A Petrobrás, líder do consórcio, teria que arcar com 40% do total ou US$ 160 bilhões.

Na revisão do mês passado, o grande destaque é o setor de celulose. A projeção saltou de R$ 18,6 bilhões para R$ 26 bilhões. Vários projetos de investimento foram confirmados. A indústria de celulose é competitiva internacionalmente, por ter uma combinação terras disponíveis para plantar eucalipto e tecnologia agrícola avançada.

Celulose avança. Segundo Carlos Farinha, vice-presidente para o Brasil da consultoria Poyry, especializada no setor, os projetos de investimento - entre recém-inaugurados, em implementação e já anunciados - do Brasil deverão adicionar 9 milhões de toneladas em capacidade de produção de celulose de fibra curta. É um terço do mercado global. "É difícil concorrer com o Brasil", disse. Entre projetos concluídos, a Suzano inaugurou oficialmente ano passado a fábrica de Imperatriz (MA), projeto de R$ 6 bilhões. Já a Klabin lançou, também mês passado, a pedra fundamental da fábrica em Ortigueira (PR), aporte de R$ 5,8 bilhões.

Na indústria aeronáutica, a projeção do BNDES passou de R$ 9,4 bilhões, na primeira versão do levantamento 2014-2017, para R$ 14 bilhões, na atual versão. O plano de investimentos da Embraer é o destaque nessa área.

Em fevereiro, o BNDES aprovou empréstimo de R$ 1,411 bilhão para o desenvolvimento da nova geração dos jatos comerciais E-Jets (E2) e do jato executivo Legacy 500, projeto de US$ 1,7 bilhão, em oito anos.

Já a projeção para a indústria química passou para R$ 26 bilhões, em comparação aos R$ 24,8 bilhões previstos anteriormente. Segundo Puga, alguns projetos no setor de fertilizantes foram confirmados. Por outro lado, Fernando Figueiredo, presidente executivo da Abiquim, entidade representante do setor, destaca que esses investimentos estão a cargo da Petrobrás e são feitos mais por seu caráter estratégico do que pela rentabilidade.

No médio prazo, o setor privado tem investido pouco, US$ 4 bilhões por ano, apenas para tentar manter sua participação de mercado - um terço do mercado nacional é suprido por importações. Segundo um estudo da Abiquim, o mercado brasileiro tem potencial para receber US$ 167 bilhões em investimentos em dez anos.

Gás de xisto

A indústria nacional sofre com mudanças no cenário internacional do setor, provocados pela revolução energética nos EUA - a exploração do gás de xisto (shale gas) barateou o principal insumo dessa indústria, dando competitividade aos norte-americanos. Apesar disso, Figueiredo é otimista. "Se resolvermos os gargalos, a indústria química será o segmento mais brilhante nos próximos dez anos", diz. Os gargalos são o custo-Brasil para investir (incluindo impostos), a falta de uma política pública de preços para a principal matéria-prima (o gás natural), o custo da eletricidade e a infraestrutura precária. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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