Você sabia que garrafões de água têm prazo de validade? Saiba como identificar
Embora muitas pessoas associem riscos apenas à água ou a sua procedência, o próprio recipiente também tem limite de uso
Você sabia que os garrafões de água de plástico têm prazo de validade? Isso ocorre porque o plástico se desgasta com o tempo soltando micro partículas que podem contaminar a água e causar danos a saúde. Mas afinal, por quanto tempo os garrafões de água podem ser usados?
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De acordo com a Resolução nº 193 da Agência Nacional de Mineração (ANM), os garrafões podem ser utilizados por, no máximo, três anos. A norma também determina que a data de fabricação e de validade estejam gravadas em alto-relevo na parte superior do vasilhame, para que dessa forma o consumidor possa verificar as informações com facilidade.
Esse controle é importante porque, com o passar do tempo, o plástico sofre desgaste natural. Quando expostos ao calor, ao sol ou a oscilações bruscas de temperatura, os garrafões podem liberar partículas indesejadas e até alterar o sabor e o odor da água.
Como os garrafões são fabricados
No Brasil, os garrafões retornáveis (de 10 e 20 litros) podem ser fabricados com três tipos de plástico: polipropileno (PP), policarbonato (PC) e Polietileno Tereftalato (PET). São materiais rígidos e resistentes.
A Norma Brasileira Regulamentadora (NBR) 14222 também determina que esses plásticos devem ser “resina virgem”, ou seja, não é permitido o uso de material reciclado para fabricação de vasilhames destinados ao consumo.
O processo começa com o aquecimento de uma pré-forma plástica — uma peça com cerca de 20 cm que se assemelha a um tubo de ensaio. Essa pré-forma é colocada em um molde no formato do garrafão, onde ar comprimido é insuflado para expandir o plástico até atingir o formato final. Todo o processo dura menos de 30 segundos.
Como o plástico resfria rapidamente, o garrafão pronto é ejetado assim que o molde é aberto. Em seguida, cada unidade passa por testes de resistência especificados pela NBR 14222, antes de estar apta ao uso.
Testes de resistência
Os principais testes previstos de na norma são:
Resistência à Compressão Estática (Empilhamento): Nos garrafões de 10 litros, são formadas três camadas com quatro unidades cada. Nos de 20 litros, cinco camadas com oito unidades por camada. O objetivo é avaliar se o garrafão suporta o empilhamento sem sofrer deformação irreversível.
Resistência à Queda (Impacto): Os garrafões são enchidos e lacrados, e depois arremessados de uma altura de 1,5 metro. Em seguida, são examinados para verificar fraturas e possíveis vazamentos. Qualquer rachadura torna o vasilhame inutilizável.
Passados em todos os testes, os garrafões estão prontos para serem envazados e comercializados.
Processo de higienização
Sempre que os garrafões retornam às envasadoras, eles precisam passar por um rigoroso processo de higienização antes de serem preenchidos novamente.
Esse procedimento inclui:
- lavagem industrial automatizada, com jatos de água sob pressão;
- uso de detergentes alcalinos para remover resíduos e impurezas deixadas pelo uso anterior;
- enxágue com água potável ou água ozonizada, que atua como agente sanitizante;
- inspeção individual, na qual se verificam rachaduras, arranhões, manchas internas, odores, deformações, amassados ou qualquer irregularidade. Caso seja identificado qualquer dano, o vasilhame é descartado.
Se aprovado, o garrafão é preenchido com água potável e selado com lacre inviolável, garantindo que o consumidor receba o produto seguro e em condições adequadas para consumo.
Os micro e nanoplásticos plásticos
Um ponto relevante ao falar sobre os garrafões de água é a presença de micro e nanoplásticos (MNP) que podem se desprender do material com o tempo.
De acordo com o professor do Instituto de Química da Universidade Federal Fluminense (UFF) Vitor Ferreira, esses fragmentos podem se acumular em órgãos como pulmões, boca e até alcançar a corrente sanguínea, caso sejam ingeridos continuamente.
Os MNP podem entrar no corpo de diversas formas: pela água consumida diariamente — seja engarrafada ou da torneira —, pela inalação de partículas suspensas no ar e até mesmo pelo contato com a pele.
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Ferreira explica que, embora os MNP já tenham sido encontrados em praticamente todas as partes do corpo humano — inclusive nas fezes, na placenta e até no leite materno — ainda não é possível determinar de forma conclusiva seus impactos na saúde.
“Atualmente, não temos como ligar os MNP a uma determinada doença ou condição porque os estudos sobre isso são muito limitados. Apesar disso, as pesquisas têm avançado e logo vamos entender de fato o que eles causam à saúde humana”, afirma.
Quando o assunto é ingestão, o professor destaca que “não há como determinar um nível seguro de consumo”. Os riscos, porém, podem variar conforme o tipo de plástico.
O poliestireno, por exemplo — bastante presente em utensílios domésticos e embalagens alimentícias — é considerado um dos materiais mais associados a possíveis distúrbios no organismo.
A fiscalização em Fortaleza
A gerente de monitoramento e avaliação da Agência de Fiscalização de Fortaleza (Agefis), Lianna Campos, explica que a fiscalização é feita exclusivamente nos estabelecimentos comerciais, sejam atacadistas ou varejistas.
“A Agefis só tem competência para fiscalizar os comércios. Nesses locais, verificamos como está sendo feito o armazenamento dos garrafões, as validades — tanto do garrafão quanto do produto —, além da rotulagem e do lacre na boca do vasilhame”, afirma.
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Caso alguma irregularidade seja encontrada, o órgão pode adotar diferentes medidas, como recolher os garrafões ou solicitar que o estabelecimento dê a destinação adequada.
“Se for problema de lacre ou rotulagem, por exemplo, o comerciante pode devolver ao fornecedor. Mas se for validade vencida do garrafão, ele precisa ser inutilizado”, explica Lianna.
Para verificar a validade do recipiente, os fiscais observam a numeração em alto-relevo. Já a validade da água consta no rótulo. As condições de armazenamento também são analisadas, pois "a água é um produto alimentício".
Nesse sentido, a vistoria analisa se o recipiente está afastado de paredes, piso e tento, além de verificar se o estabelecimento comercial segue as orientações do fabricante, como proteção contra luz solar.
Sobre a vida útil dos garrafões, Lianna explica que não é possível precisar o número de uso, pois são muitos os fatores que influenciam, como material, quedas e até mesmo a higienização na envasadora.
O que o consumidor deve observar
Para garantir que o produto é seguro, o consumidor deve verificar:
- a validade do garrafão, em alto relevo;
- a validade da água, presente no rótulo;
- se a embalagem não está amassada ou com vazamentos;
- se o lacre está íntegro e se o rótulo está legível.
“Se houver rasgo no rótulo, lacre violado ou vazamento, o produto não deve ser consumido”, alerta Lianna.
O descarte correto
Como já mencionado, apesar de resistentes, os garrafões não duram para sempre. O manuseio repetido, quedas, transporte inadequado e ciclos de lavagem industrial reduzem a integridade do material, encurtando sua vida útil.
Se o consumidor possuir um garrafão vencido ou danificado, o destino correto é a reciclagem, que pode ser feita gratuitamente nos mais de 100 Ecopontos espalhados por Fortaleza.