Você sabia que garrafões de água têm prazo de validade? Saiba como identificar

Você sabia que garrafões de água têm prazo de validade? Saiba como identificar

Embora muitas pessoas associem riscos apenas à água ou a sua procedência, o próprio recipiente também tem limite de uso
Atualizado às Autor Carlos Daniel Tipo Notícia

Você sabia que os garrafões de água de plástico têm prazo de validade? Isso ocorre porque o plástico se desgasta com o tempo soltando micro partículas que podem contaminar a água e causar danos a saúde. Mas afinal, por quanto tempo os garrafões de água podem ser usados?

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De acordo com a Resolução nº 193 da Agência Nacional de Mineração (ANM), os garrafões podem ser utilizados por, no máximo, três anos. A norma também determina que a data de fabricação e de validade estejam gravadas em alto-relevo na parte superior do vasilhame, para que dessa forma o consumidor possa verificar as informações com facilidade.

Esse controle é importante porque, com o passar do tempo, o plástico sofre desgaste natural. Quando expostos ao calor, ao sol ou a oscilações bruscas de temperatura, os garrafões podem liberar partículas indesejadas e até alterar o sabor e o odor da água.

Como os garrafões são fabricados

No Brasil, os garrafões retornáveis (de 10 e 20 litros) podem ser fabricados com três tipos de plástico: polipropileno (PP), policarbonato (PC) e Polietileno Tereftalato (PET). São materiais rígidos e resistentes.

A Norma Brasileira Regulamentadora (NBR) 14222 também determina que esses plásticos devem ser “resina virgem”, ou seja, não é permitido o uso de material reciclado para fabricação de vasilhames destinados ao consumo.

O processo começa com o aquecimento de uma pré-forma plástica — uma peça com cerca de 20 cm que se assemelha a um tubo de ensaio. Essa pré-forma é colocada em um molde no formato do garrafão, onde ar comprimido é insuflado para expandir o plástico até atingir o formato final. Todo o processo dura menos de 30 segundos.

Como o plástico resfria rapidamente, o garrafão pronto é ejetado assim que o molde é aberto. Em seguida, cada unidade passa por testes de resistência especificados pela NBR 14222, antes de estar apta ao uso.

Testes de resistência

Os principais testes previstos de na norma são:

Resistência à Compressão Estática (Empilhamento): Nos garrafões de 10 litros, são formadas três camadas com quatro unidades cada. Nos de 20 litros, cinco camadas com oito unidades por camada. O objetivo é avaliar se o garrafão suporta o empilhamento sem sofrer deformação irreversível.

Resistência à Queda (Impacto): Os garrafões são enchidos e lacrados, e depois arremessados de uma altura de 1,5 metro. Em seguida, são examinados para verificar fraturas e possíveis vazamentos. Qualquer rachadura torna o vasilhame inutilizável.

Passados em todos os testes, os garrafões estão prontos para serem envazados e comercializados.

Processo de higienização

Sempre que os garrafões retornam às envasadoras, eles precisam passar por um rigoroso processo de higienização antes de serem preenchidos novamente.

Esse procedimento inclui:

  • lavagem industrial automatizada, com jatos de água sob pressão;
  • uso de detergentes alcalinos para remover resíduos e impurezas deixadas pelo uso anterior;
  • enxágue com água potável ou água ozonizada, que atua como agente sanitizante;
  • inspeção individual, na qual se verificam rachaduras, arranhões, manchas internas, odores, deformações, amassados ou qualquer irregularidade. Caso seja identificado qualquer dano, o vasilhame é descartado.

Se aprovado, o garrafão é preenchido com água potável e selado com lacre inviolável, garantindo que o consumidor receba o produto seguro e em condições adequadas para consumo.

Os micro e nanoplásticos plásticos

Um ponto relevante ao falar sobre os garrafões de água é a presença de micro e nanoplásticos (MNP) que podem se desprender do material com o tempo.

De acordo com o professor do Instituto de Química da Universidade Federal Fluminense (UFF) Vitor Ferreira, esses fragmentos podem se acumular em órgãos como pulmões, boca e até alcançar a corrente sanguínea, caso sejam ingeridos continuamente.

Os MNP podem entrar no corpo de diversas formas: pela água consumida diariamente — seja engarrafada ou da torneira —, pela inalação de partículas suspensas no ar e até mesmo pelo contato com a pele.

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Ferreira explica que, embora os MNP já tenham sido encontrados em praticamente todas as partes do corpo humano — inclusive nas fezes, na placenta e até no leite materno — ainda não é possível determinar de forma conclusiva seus impactos na saúde.

“Atualmente, não temos como ligar os MNP a uma determinada doença ou condição porque os estudos sobre isso são muito limitados. Apesar disso, as pesquisas têm avançado e logo vamos entender de fato o que eles causam à saúde humana”, afirma.

Quando o assunto é ingestão, o professor destaca que “não há como determinar um nível seguro de consumo”. Os riscos, porém, podem variar conforme o tipo de plástico.

O poliestireno, por exemplo — bastante presente em utensílios domésticos e embalagens alimentícias — é considerado um dos materiais mais associados a possíveis distúrbios no organismo.

A fiscalização em Fortaleza

A gerente de monitoramento e avaliação da Agência de Fiscalização de Fortaleza (Agefis), Lianna Campos, explica que a fiscalização é feita exclusivamente nos estabelecimentos comerciais, sejam atacadistas ou varejistas.

“A Agefis só tem competência para fiscalizar os comércios. Nesses locais, verificamos como está sendo feito o armazenamento dos garrafões, as validades — tanto do garrafão quanto do produto —, além da rotulagem e do lacre na boca do vasilhame”, afirma.

Caso alguma irregularidade seja encontrada, o órgão pode adotar diferentes medidas, como recolher os garrafões ou solicitar que o estabelecimento dê a destinação adequada.

“Se for problema de lacre ou rotulagem, por exemplo, o comerciante pode devolver ao fornecedor. Mas se for validade vencida do garrafão, ele precisa ser inutilizado”, explica Lianna.

Para verificar a validade do recipiente, os fiscais observam a numeração em alto-relevo. Já a validade da água consta no rótulo. As condições de armazenamento também são analisadas, pois "a água é um produto alimentício".

Nesse sentido, a vistoria analisa se o recipiente está afastado de paredes, piso e tento, além de verificar se o estabelecimento comercial segue as orientações do fabricante, como proteção contra luz solar. 

Sobre a vida útil dos garrafões, Lianna explica que não é possível precisar o número de uso, pois são muitos os fatores que influenciam, como material, quedas e até mesmo a higienização na envasadora.

O que o consumidor deve observar

Para garantir que o produto é seguro, o consumidor deve verificar:

  • a validade do garrafão, em alto relevo;
  • a validade da água, presente no rótulo;
  • se a embalagem não está amassada ou com vazamentos;
  • se o lacre está íntegro e se o rótulo está legível.

“Se houver rasgo no rótulo, lacre violado ou vazamento, o produto não deve ser consumido”, alerta Lianna.

O descarte correto

Como já mencionado, apesar de resistentes, os garrafões não duram para sempre. O manuseio repetido, quedas, transporte inadequado e ciclos de lavagem industrial reduzem a integridade do material, encurtando sua vida útil.

Se o consumidor possuir um garrafão vencido ou danificado, o destino correto é a reciclagem, que pode ser feita gratuitamente nos mais de 100 Ecopontos espalhados por Fortaleza.

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