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NOTÍCIA

Edifício Joelma: O prédio mais assombrado do mundo fica no Brasil

Há 47 anos o Edifício Joelma ardia em chamas, e até hoje podemos perceber marcas além das do fogo referentes a tragédia

Mirtes Rodrigues
17:35 | 12/04/2021
Foto Edificio Joelma em chamas (Foto:  Wikimedia Commons)
Foto Edificio Joelma em chamas (Foto: Wikimedia Commons)

Uma das tragédias que mais marcaram o Brasil ocorreu no dia 1º de fevereiro de 1974, no Edifício Joelma, deixando 187 mortos e 300 feridos. O incêndio continua sendo o segundo pior ocorrido em arranha-céu do mundo, pelo número de vítimas fatais, ficando apenas atrás da tragédia envolvendo as Torres Gêmeas, do World Trade Center, em Nova York, em 11 de setembro de 2001.

Há 47 anos o Edifício Joelma ardia em chamas, e até hoje podemos perceber marcas além do fogo referentes a tragédia. A relatos de casos sobrenaturais envolvendo o local e até mesmo no cemitério onde as vítimas foram sepultadas. Gritos, pedidos de socorro e gemidos, são alguns dos estranhos barulhos ouvidos por testemunhas vindos de uma vala comum com 13 corpos, vítimas da tragédia. Em entrevista televisiva em 2005, o até então zelador do local, Luiz Nunez, relatou que em um momento de desespero em meio aos barulhos, decidiu pegar seu regador e derramar o que tinha dentro em cima das 13 sepulturas. De acordo com ele, na mesma entrevista, a ação deu certo e acalmou a situação. Após o relato, começou o costume de deixar um copo d'água nos túmulos das vítimas.

O incêndio que as vitimou aconteceu em uma sexta-feira, por volta das 8h50, após um curto-circuito elétrico em um ar-condicionado no 12º andar do Edifício de 25 andares, recém-construído na época. Embora fosse um dos maiores prédios do centro de São Paulo, onde diversos trabalhadores frequentavam todos os dias, o local não tinha nenhum suporte em caso de incêndio. Por exemplo, não havia saídas de emergência ou alarmes de incêndio.


A notícia do incêndio correu rapidamente pelos corredores do local, fazendo as quase 800 pessoas que estavam no Edifício Joelma entenderem que não se tratava de um simples problema. O corpo de bombeiros demorou cerca de 20 minutos para chegar no prédio. Infelizmente, por conta dessa demora, o fogo atingiu os andares superiores. Os que estavam no 11º andar tiveram tempo de escapar das chamas e fumaça, porém, os que estavam nos andares acima encontraram diversos obstáculos para sair, incluindo as escadas, cobertas pelo fogo. Além da multidão que se formava nos corredores, os vidros se quebravam, e o oxigênio acabava. As escadas dos bombeiros, só chegaram até o 16º andar, deixando os andares superiores para os helicópteros, que mal podiam chegar perto com o risco de explosão.

De acordo com relatos e vídeos da época, cerca de quarenta pessoas preferiram pular das janelas do que enfrentar o fogo, nenhum deles sobreviveu. O que muitos não sabem, por falta de registros audiovisuais, foi que 13 pessoas conseguiram, em meio às chamas e fumaça, chegar até um dos elevadores que ainda funcionava, e usá-lo. A maioria deles, já estava quase entrando em colapso, por estarem desidratadas, e por terem inalado muita fumaça. A esperança dos 13 era de conseguir chegar aos andares de baixo, onde o fogo não estaria tão forte, porém, o elevador, embora não tenha desabado, ficou pendurado. Quando perceberam que não tinham mais saída, e que provavelmente ninguém conseguiria ajudá-los pela força das chamas, os 13 decidiram por se abraçarem como último gesto de suas vidas.


Os seus corpos foram achados após os bombeiros controlarem o fogo. De acordo com relatos de quem trabalhou na operação na época, a cena em questão foi muito forte, pois os corpos estavam irreconhecíveis, muitos deles haviam se fundido a parede de metal. Os 13, por fim, foram enterrados lado a lado, no cemitério de São Pedro, na época recém-inaugurado. As histórias sobrenaturais envolvendo o Edifício Joelma começaram logo depois, levantando histórias de até mesmo antes do prédio ser construído..

Crime do Poço

A residência ficava em uma boa localização de São Paulo, além de  dividir a vizinhança com o Theatro Municipal.
A residência ficava em uma boa localização de São Paulo, além de dividir a vizinhança com o Theatro Municipal. (Foto: Wikimedia Commons)

No mesmo terreno em que o prédio viria a ser construído, havia uma casa de propriedade de Paulo Ferreira de Camargo. A residência, apesar de simples, ficava em uma boa localização de São Paulo, além de dividir a vizinhança com o Theatro Municipal, um dos cartões postais da cidade. Parecia, realmente, ser um ótimo lugar para se morar e construir uma vida. Porém, um ato de crueldade viria a marcar o terreno por anos.

Camargo morava com sua mãe, Benedita Camargo, e suas duas irmãs, Maria Antonieta, e Cordélia. O jovem, que tinha se formado a pouco tempo em química pela USP (Universidade de São Paulo), despertava estranheza em seus vizinhos, por conta de seus comportamentos. Tudo piorou em novembro de 1948, quando, de repente, ele informou para os amigos, vizinhos e familiares que em uma viagem para o Paraná, o carro que transportava sua mãe e suas irmãs havia caído de um penhasco, e que as três haviam morrido.

 

Camargo morava com sua mãe, Benedita Camargo, e suas duas irmãs, Maria Antonieta, e Cordélia.
Camargo morava com sua mãe, Benedita Camargo, e suas duas irmãs, Maria Antonieta, e Cordélia. (Foto: Sombrio &Sobrenatural /Reprodução)

No entanto, em visita, seu irmão Carlos começou a desconfiar da história, pois Paulo contava detalhes da histórias sempre com pontos diferentes. Além disso, não havia informações reais e concretas sobre o acidente, além de não ter corpos para comprovar. Outro ponto que chamou à atenção, foi o comportamento do homem, que parecia não se importar com as mortes.

Estavam certos, a história dele não era real. Paulo Camargo estava vivendo um embate com sua mãe e irmãs por conta do seu relacionamento com a enfermeira isaltina dos Amaros, na qual conheceu em um hospital quando acompanhava as três em exames decorrentes. A matriarca, Benedita, não aprovava o romance dos dois, pois havia descoberto que Isaltina não era mais virgem. Embora a mãe e as irmãs não aprovassem, o rapaz continuou com a moça. Foi a partir disso que seu comportamento começou a mudar, além de parecer deprimido e ainda mais retraído, Paulo chamava à atenção de seus colegas professores da faculdade com perguntas não muito convencionais, como por exemplo, quais materiais eram mais eficientes para decompor um corpo.

Logo após isso, Camargo chamou dois funcionários e começou a construção do poço. Sua mãe achou estranho e não entendeu o motivo pelo qual o filho estava construindo aquilo. Quando o poço foi finalmente finalizado, Paulo Camargo atirou na mãe e nas irmãs a sangue frio, as matando. Os vizinhos não conseguiram ouvir os disparos, pois, na faculdade, o homem havia feito experimentos para abafar o som dos tiros. Após o crime, ele envolveu as três em mortalhas pretas, colocando capuzes em suas cabeças, e as jogando logo em seguida no poço.

Dezenove dias depois a polícia foi até a casa do rapaz para investigação, e ouviu piadas como: “Vocês, cavalheiros, acreditam que sou louco, que sou perturbado o suficiente para ter matado minha mãe e minhas irmãs e enterrado no meu quintal? Minha casa é toda sua”. Sabendo o desfecho, e que provavelmente iria ser descoberto naquele dia, Paulo não esperou ser desmascarado. O homem se trancou no banheiro, e com a arma que tirou a vida da mãe e das irmãs, atirou no próprio peito.

Edifício Praça da Bandeira

Foto do Edifício Praça da Bandeira
Foto do Edifício Praça da Bandeira (Foto: Wikimedia Commons)

O zelador do Cemitério São Pedro Luiz Nunes, não foi o único a ter experiências sobrenaturais em decorrência a casos envolvendo o terreno. Em 2004, um monge budista foi chamado pela equipe do prefeito, que alegou que só entraria no Edifício Praça da Bandeira - como foi rebatizado no começo dos anos 2000 - se o mesmo fosse purificado. Após a purificação, o monge relatou em entrevista à TV Globo que não poderia fazer nada para apaziguar os fantasmas que ali habitavam. De acordo com testemunhas que trabalham no local, os acontecimentos sobrenaturais mais comuns são os sussurros e gritos de dor que perseguem os funcionários e os faróis dos carros que piscam freneticamente no estacionamento do prédio.