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De onde vêm os pássaros? Conheça a origem destes animais

Popularmente conhecidos como pássaros ou passarinhos, estes animais representam 60% da sua espécie atualmente, mas não são as únicas aves do mundo. Entenda

14:48 | 12/03/2021
Soldadinho-do-Araripe (Antilophia bokermanni). A ave é endêmica do Ceará e ocorre, principalmente, na região do Cariri/Floresta do Araripe (Foto: Fabio Nunes)
Soldadinho-do-Araripe (Antilophia bokermanni). A ave é endêmica do Ceará e ocorre, principalmente, na região do Cariri/Floresta do Araripe (Foto: Fabio Nunes)

Eles chegam voando de todos os lados e não sabemos aonde estiveram. Por muitos anos, nos perguntamos de onde vêm os pássaros. E não só de onde vêm aqueles que vemos pousar nos fios, nas árvores, nos telhados de nossas cidades. Mas, literalmente, de onde vieram os primeiros pássaros? De que local, de que período no tempo alçou voo o primeiro destes animais a cruzar os céus?

Segundo o estudo internacional publicado em abril de 2019 pela revista científica PNAS, coordenado por pesquisadores da Universidade Estadual da Louisiana (LSU), dos EUA, com participação de colegas de 10 países, entre eles o Brasil, os pássaros teriam surgido por volta de 48 milhões de anos atrás. O estudo aponta que a região do Pacífico Sul, nos arredores da Austrália e da Nova Zelândia, foi o berço da espécie.

Durante muito tempo estiveram em pauta no debate científico inúmeras hipóteses sobre a origem das aves. Para além da famosa pergunta de "Quem veio primeiro, o ovo ou a galinha?", está a questão: "de onde surgiram o ovo e a galinha?". É com esse questionamento que a bióloga e mestra em Zoologia, Cristiane Monte, começa a explanação sobre a origem das aves, uma classe de vertebrados que inclui cerca de 30 ordens e mais de 1.400 espécies.

É preciso esclarecer: todo pássaro é uma ave; mas nem toda ave é um pássaro. Os pássaros ou passarinhos, como são conhecidos, pertencem à ordem Passeriformes, que representa 60% das aves atuais, de acordo com o artigo da PNAS.

“Atualmente, temos entre a maioria dos estudiosos da área um consenso: as aves surgiram há mais de 150 milhões de anos e todas as incontáveis espécies que podemos observar evoluíram de uma linhagem de dinossauros que escapou do processo de extinção”, explica a bióloga. Cristiane ressalta que o fóssil de dinossauro que possui características de aves mais conhecido é o do Archaeopteryx, que é considerado a primeira ave.

“Também já temos a descoberta de fósseis de outras espécies de dinossauros emplumados. Aliás, acredita-se que a função primordial das penas era o isolamento térmico ou até mesmo algo para auxiliar na seleção sexual, tornando os indivíduos mais atraentes. O Archaeopteryx foi o primeiro dinossauro a utilizar as penas para voar, um voo mais especializado e não apenas planador. Daí seu reconhecimento como sendo a primeira ave”, observa.

Pássaros e dinossauros?

 

Para explicar a ligação entre os dinossauros voadores e os pássaros atuais, Cristiane aponta que a semelhança entre ambos vai além das penas e está presente também no formato do crânio e do esterno, no sistema respiratório (com a presença dos sacos aéreos) e também nos longos ossos pneumáticos (ocos). “Todas essas características são essenciais para a capacidade de voo”, afirma a bióloga.

“Achados de fósseis de ovos de dinossauro contendo embriões permitiram também uma comparação com o desenvolvimento embrionário das aves atuais, observando-se similaridades em relação à composição, estrutura, forma e porosidade do ovo. O cuidado parental, como os hábitos de construir ninhos, chocar os ovos e nidificar em colônias, um comportamento comum entre várias espécies de aves, são costumes que também eram desempenhados por alguns dos dinossauros ancestrais”, reforça Cristiane.

Existem diversos tipos de aves, categorizadas principalmente por semelhanças no DNA, dentre elas as mais populares são os periquitos e papagaios (Psittaciformes), os pombos e rolinhas (Columbiformes), as galinhas (Galliformes), as corujas (Strigiformes), os patos e gansos (Anseriformes), os beija-flores (Apodiformes) e os mais diversos passarinhos (Passeriformes). 

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Nem toda ave é um passarinho

 

“Cientificamente falando, todo pássaro é uma ave, mas nem toda ave é um pássaro”, reforça Cristiane. “Os passarinhos são chamados também de aves canoras devido à sua capacidade natural de produzir encantadores assovios que lembram cantos. Essas criaturinhas pertencem a mais de 6 mil espécies, com uma incrível diversidade de tamanhos, cores e comportamentos”, explica.

O estudo publicado na revista PNAS sinaliza que a subordem mais antiga dos Passeriformes é a Acanthisittidae, que ainda aparece em algumas classificações como sendo a família das corruíras neozelandesas, aves que vivem em regiões altas, surgidas 3 milhões de anos antes das outras duas subordens. Em seguida, a dos Tyranni, da qual fazem parte os bem-te-vis e mais de mil espécies – a maior família encontrada na América do Sul. E a dos Passeri, dos sabiás e cerca de mais 4 mil espécies que vivem espalhadas em todo o mundo. Ambas originadas há 45 milhões de anos.

“Se pararmos para observar, podemos perceber vários deles pertinho de nós: bem-te-vis, sabiás, pardais, curiós, sanhaços, sibites... E os cantos das aves, além de oferecer beleza para os nossos ouvidos, têm funções importantes para a sobrevivência dos indivíduos: servem para atrair parceiros para acasalamento, para delimitar território, comunicação entre pais e filhotes e entre componentes do mesmo bando”, complementa Cristiane.

Atualmente, vivem no Brasil inúmeros pássaros das subordens dos Tyranni, como os bem-te-vis e as noivinhas; e dos Passeri, que são os pardais, bicos-de-lacre e os sanhaços cinzentos. Outras espécies também são comuns no território brasileiro, bem como no Ceará e facilmente vistas a voar diariamente. Destas podemos destacar o sábia-laranjeira, consagrado como a ave símbolo do Brasil. E em um recorte da fauna cearense, é importante lembrarmos do soldadinho-do-araripe, pássaro ainda encontrado no Ceará que está ameaçado de extinção por perda de habitat.