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Curiosidades
Dia dos Namorados

Conheça histórias de quem mantém relacionamentos fora do convencional

Todos estes relacionamentos têm uma coisa em comum: a liberdade para amar quem quiser, no tempo que quiser, com quem quiser e sem se preocupar com julgamentos alheios. Conheça alguns deles

16:18 | 12/06/2018

Atualizada às 11h11min do dia 13/06 

Foi-se a época em que o Dia dos Namorados era dedicado somente àqueles amores de comercial de TV tradicionais. A diversidade na sexualidade abriu muitas possibilidades nos modos de se relacionar.


Do namoro virtual ao que separa os casais por mil quilômetros de distância até chegar nos relacionamentos abertos e poliamorosos, confira a lista de relacionamentos fora do padrão monogâmico e histórias que O POVO Online conta de quem vive esses tipos de relações:

Poliamor

Nesse tipo de relacionamento o amor é plural. Ser "poli" é estar em múltiplos relacionamentos ao mesmo tempo com total consciência e apoio dos envolvidos. O poliamor é uma ramificação do que é a poligamia, mas sem o casamento. No poliamor não há expressamente uma união documentada.

Uma estudante fortalezense de 23 anos, que pediu para não se identificar, já namorou muitas vezes, desde a época da adolescência. De acordo com ela, anos atrás ela não entendia seus sentimentos por outras pessoas enquanto namorava. "Quando adolescente, eu namorava e sentia que me apaixonava por outros nesse processo. Daí eu sempre terminava a relação já pra entrar e outra e acontecia que era ruim porque eu ainda sentia algo pela anterior", explica.

Ao entrar na faculdade, experienciar novas coisas e conhecer pessoas diferentes foi entendendo que existe uma "pressão da sociedade e várias implicações em relacionamentos". A estudante relata que iniciou, nessa epóca, em 2012, outro namoro monogâmico, quando algum tempo depois fez uma viagem que mudou sua forma de relacionar.

"Fui para um congresso e acabei parando em São Paulo, onde encontrei pessoalmente um cara que eu conhecia havia quatro anos virtualmente. Aí me veio aquele sentimento de novo: 'Vixe, estou namorando e me apaixonando por outra pessoa'. Nesse encontro a gente conversou muito sobre relacionamento aberto e ele foi me dando alguns toques", comenta.

Na volta para Fortaleza ela conversou com o namorado e acabou percebendo que ele pensava da mesma maneira. Ambos já haviam tido pensamentos sobre gostar de outras pessoas. Eles engataram, então, um relacionamento aberto que durou quatro anos. Neste período, namoraram diversas pessoas, caracterizando um "relacionamento aberto poliamorista". "Alguns eu namorei por três meses, outro por um ano e teve até à distância, mas terminou depois de pouco tempo por conta de ser muito longe", diz. 
 
Socialmente, costuma-se achar que existe uma das pessoas da relação que é a “principal” ou “oficial”. “Isso não existe, nunca foi assim. A gente discutia muito esse dilema. Todos tinham a mesma importância”, comenta. 

Muita gente associa poliamor a vulgaridade ou promiscuidade. Mas, para a estudante, a lealdade e fidelidade que se esperam em um namoro monogâmico também existem no poliamor. "Não são coisas intrínsecas de namoros convencionais".

Sobre as dificuldades vividas em relações deste tipo, a jovem destaca a diferença de pensamentos entre os participantes. "Algumas coisas são dilema para um dos companheiros. Comportamentos que incomodam, posicionamentos. Mas, se conversar direitinho, dá pra passar", acredita.

Namoro à distância
Johnny e Paula farão 7 anos de namoro em setembro (Foto: arquivo pessoal)

Parecido com o namoro virtual, o relacionamento a distância não priva os amados de se encontrarem, nem que seja periodicamente. Também existem casos de que um relacionamento tradicional passe a ser a distância por muitos motivos, como a mudança de um dos parceiros para outra cidade, por exemplo.

Paula Alencar, 23 anos, e Johnny Ferreira, 25, mantêm relacionamento a distância há quase sete anos. Separados por cerca de 2,9 mil quilômetros, Paula estuda Direito em Fortaleza e Johnny trabalha com tecnologia em São Paulo. A estudante conta ao O POVO Online que eles se conheceram ainda na época da finada rede social Orkut. 

"Em 2011, a gente participava das mesmas comunidades no Orkut e eu sempre gostava dos posts dele, achava muito engraçado. Aí a gente começou a interagir e depois de cinco meses se falando todo dia, eu o pedi em namoro. A comunicação era pelo MSN e por SMS", relata.

O primeiro encontro cara-a-cara só ocorreu dois anos depois do inicío da história de amor. Em 2013, a família de Johnny visitou Fortaleza em férias e desde então eles se veem todos os anos, pelo menos duas vezes. "Antes era um pouco mais complicado se ver, mas depois que eu comecei a trabalhar e facilitou para eu ir para lá. Geralmente prefiro viajar a São Paulo porque ele mora só e eu ainda moro com minha família", afirma.

Na tentativa de tornar a distância "mais suportável", o casal tem algumas cartas na manga. Com as redes sociais, a dor da saudade fica um pouco menor. "Fazemos muita chamada de vídeo, quando a gente comemora alguma data combinamos de, por exemplo, assistir ao mesmo filme ou pedir a mesma comida. Vamos fazer isso hoje", conta a cearense. 

Para o futuro, o plano é morar em São Paulo após terminar os estudos. "Lá o mercado é melhor que o de Fortaleza e também sempre tive a vontade morar em outro estado. A gente já combinou".

Relacionamento aberto e a distância 
Frida e Filipe estão juntos há 1 ano e meio (Foto: arquivo pessoal)

“Amor pra mim não é monogamia”: é o que pensa a jornalista Frida Popp, que vive um relacionamento não convencional à distância e aberto. Ela e o psicólogo Filipe Alencar estão separados por um continente. Ela agora mora em Hamburgo na Alemanha, e ele em Fortaleza. Juntos há cerca de um ano e meio, eles mantêm namoro aberto desde o começo, de acordo com Frida.
 
A não-convencionalidade da relação dos dois é dupla. Desde o começo da história do casal, Frida já alertou a Filipe que precisaria se mudar para a Alemanha em um ano. “No começo surgiram dúvidas né, já que eu me mudaria em breve, mas a gente resolveu arriscar e ver o que ia acontecer. Agora que já estou aqui há sete meses (viajou em novembro passado), tenho certeza que foi a decisão mais acertada não terminar o namoro”, assinala.

É certo que a saudade bate quando se está a dias e dias de viagem um do outro, mas, assim como Paula e Johnny, a rede social ajuda, e o relacionamento encontra espaço para se Fortalecer. Para Frida,  definir o que cada um quer é essencial para um relacionamento aberto durar, além de outros diversos fatores que são implicados neste tipo de relação. Cada um tem sua particularidade. “Cada casal firma seus próprios acordos e define suas regras de como vai funcionar", aponta.

Em cerca de 1 mês, eles vão se reencontrar. Filipe vai a Berlim para visitar a namorada. O frio na barriga é certo para quem está a meses à parte. Assim eles vão seguindo a vida, como o pai de Frida uma vez disse, segundo ela: “O amor é inigualável, mas divisível”. 
 
Relacionamento aberto 
 
Um estudante fortalezense de 23 anos, que preferiu não se identificar, estava numa relação desde março de 2016 com seu então namorado. Após dois anos, os dois sentiram a necessidade abrir a relação, por terem conversado e chegarem à decisão de que ficar com outras pessoas não iria afetar a maneira de gostar dos dois.
 
"A gente foi moldado no relacionamento monogâmico e a partir do momento que a gente quer se jogar em algum outro tipo de relação, vem todo um aprendizado e é muito estranho se desconstruir, mas, como toda desconstrução, foi legal", aponta.
 
Com o namoro já aberto desde fevereiro, uma terceira pessoa chegou à vida do casal. Como toda relação, brigas e desentendimentos aconteciam, mas, com alguns pontos acordados, eventualmente aconteciam quebras no "acordo". "Quando a outra pessoa chegou, o ciúmes foi aumentando e eu sentia muito julgamento por parte de amigos e da sociedade. Chegou um ponto que a minha relação com o primeiro namorado estava tão desgastada que o que chegou depois foi suprindo tudo que eu sentia falta", relata o estudante.
 
Há duas semanas, um dos elos se quebrou e o primeiro namorado, com quem ele estava desde 2016, saiu da relação. Hoje em dia, ele continua com a terceira pessoa que chegou ao relacionamento. "Foram muitos fatores determinantes, mas a paixão não existia mais e decidi não prolongar mais. Ele ainda tentou correr atrás do tempo perdido mas não deu certo", conta.
 
Troca de casais

Geralmente, casais que se encontram numa monotonia e buscam agitar a relação de uma forma diferente combinam regras bem específicas para buscar prazer. Existem lugares especializados neste tipo de público, como boates ou casas de swing. Em fevereiro deste ano, O POVO publicou um material especial sobre swing. Dois jornalistas da casa foram convidados para ir a um clube de swing e puderam perceber diversas histórias, classes sociais e pessoas.
 

O preconceito sofrido em formas de namoro fora do padrão se manifesta de várias formas. Segundo uma das fontes ouvidas pela reportagem, para as mulheres ele é mais severo. "Por eu ser mulher, as pessoas olha, mais torto e criticam o fato de eu estar com vários homens", pondera. Todos estes relacionamentos tem uma coisa em comum: a liberdade para amar quem quiser, no tempo que quiser, com quem quiser e sem se preocupar com julgamentos alheios. Toda forma de amor é possível.

MATHEUS FACUNDO | SAMUEL PIMENTEL