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Aplicativo pesquisa a linguagem LGBT ao redor do mundo

O aplicativo de idiomas Babbel realizou uma pesquisa para saber se o Brasil é único País a usar o "pajubá"

13:36 | 27/06/2017
A linguagem, além de comunicar, é também ferramenta que distingue e, até, protege aqueles que a utilizam. A comunidade LGBT, ao longo dos anos, desenvolveu um vocabulário próprio para falar daquilo que não tinha total liberdade: suas vivências e identidades. No Brasil, essa linguagem é conhecida como “pajubá”, que é proveniente de línguas africanas ocidentais. Ao redor do mundo, as comunidades gays também possuem vocabulários próprios, chamados em inglês de argots queer, é o que aponta pesquisa do aplicativo de idiomas Babbel, em comemoração ao Dia do Orgulho LGBTI, nesta quarta-feira, 28. 
 
O pajubá incorpora elementos das línguas iorubá, já que as religiões afro-brasileiras são mais tolerantes à homossexualidade. Algumas dessas palavras são de conhecimento por parte dos brasileiros, como erê, que significa criança. Outras expressões são aqué (dinheiro) e alibã (policial). Outra marca do idioma é a utilização de nomes femininos. Dar a Elsa, por exemplo, é uma expressão que significa roubar. Geralmente, esses nomes e expressões vêm de atrizes ou personagens de novelas, cantoras e famosas. 
 
Na Turquia, o lubunca tem suas bases em línguas minoritárias faladas no país, como o grego, o curdo e o búlgaro, mas a maioria das palavras dessa linguagem vem do romani, idioma falado por uma das comunidades mais marginalizadas dentro e fora da Turquia, os roma (ciganos). A influência dessa língua no Iubunca está na experiência de marginalização comum aos dois grupos. 
 
A África do Sul, possui onze línguas oficiais, existem onze argots queer, mas dois refletem as divisões raciais históricas do país: gayle e isiNgqumo. 
 
O gayle surgiu na década de 1950 e é falado sobretudo pelos brancos. Baseado no inglês e no afrikaans, ele carrega diversos termos vindos do polari britânico e gírias queer estadunidenses. Como o pajubá, a maioria das palavras é feminina. Monica, por exemplo, vem de money (dinheiro); Priscilla, de policeman (policial); e Jessica, de jewellery (joias). 
 
Já o isiNgqumo, que significa decisões, é utilizado pela comunidade negra sul-africana, e é baseado em algumas línguas nguni, grupo dentro das línguas bantu. Comparado ao gayle, ele ainda não foi muito estudado e documentado. A diferença entre os dois argots sul-africanos também indica as tensões raciais existentes na história do país, que não se restringem as experiências compartilhadas pelos queers. 
 
Apesar de na Indonésia serem faladas centenas de línguas, lá só existe um grande argot queer, chamado de bahasa gay. A linguagem se caracteriza pela adição -ong- ao fim das palavras. Por exemplo, banci, que significa “mulher trans”, vira bancong. Outra maneira é adicionar -in- entre as sílabas. Utilizando o mesmo exemplo, Banci se torna Binancin. 
 
Redação O POVO Online
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