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Irmã de Pablo Escobar deixa bilhetes de desculpas em túmulos de vítimas

Alguns familiares de vítimas do traficante mais famoso da Colômbia se revoltaram com a iniciativa de Luz Maria Escobar

17:16 | 03/12/2014
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Morto há 21 anos durante um tiroteio no telhado de uma casa em Medelin, Pablo Escobar, conhecido mundialmente como o maior traficante de drogas colombiano, foi responsável por diversos assassinatos e por instalar o caos na Colômbia.

Na tentativa de encontrar perdão para os crimes do irmão, Luz Maria Escobar tomou a iniciativa de deixar bilhetes com pedidos de desculpas nos túmulos das vítimas.

"Todos os dias, penso em todas aquelas pessoas que sofreram ou que estão sofrendo por causa de meu irmão, por causa da guerra que ele travou", afirmou Luz Maria Escobar.

A guerra foi declarada por Escobar para tentar impedir a aprovação de uma lei que previa extraditar traficantes para os Estados Unidos. Logo viriam se tornar comuns assassinatos, bombardeios, sequestros e torturas.

O famoso traficante chegou até mesmo a derrubar um avião, em 1989, na tentativa de matar um candidato à Presidência. A operação, no entanto, foi frustrada, pois o candidato, Cesar Gaviria, não estava a bordo, mas outras centenas de pessoas morreram na explosão.

Só em 1991, foram assassinadas em Medelin, segunda maior cidade do país, aproximadamente 7,5 mil pessoas. Escobar costumava se voltar principalmente contra políticos, policiais, jornalistas e também contra membros das forças de segurança e do Judiciário.

Por meio do tráfico, Pablo Escobar conseguiu se tornar o sétimo homem mais rico do planeta.Luz Maria diz que, em 1980, ela e sua mãe desconheciam o envolvimento do irmão com o tráfico de drogas, até que ele anunciou a existência de um testamento.

"Minha mãe estava muito triste. Ela disse a ele: 'Por que está fazendo isso? Está morrendo?'. E ele disse: 'Estou na máfia, e nenhum mafioso morre de causas naturais ou de doenças. Mafiosos morrem por causa de balas.' Nem sabíamos o que significava 'máfia'. Naquela noite, minha mãe e eu pegamos um dicionário, mas a palavra não constava dele.", relembrou.

De acordo com Luz Maria, apenas no dia em que Escobar mandou assassinar Rodrigo Lara Bonilla, ministro da Justiça, na época, foi que ela passou a conhecer melhor o irmão. "Foi um dia terrível para mim. Foi quando eu soube no que ele estava envolvido e do que meu irmão era capaz.", afirmou.

A mulher também contou que tentou resgatar o irmão. "Com frequência, o buscava - sempre com minha mãe. Falávamos que era um derramamento de sangue muito grande, que eram muitos massacres... Mas ele conseguia nos convencer do contrário".

Algumas pessoas das famílias de vítimas da violência de Escobar disseram não guardar ressentimentos e deixa recados em túmulos e explica que pede apenas perdão, pois ainda que seu coração esteja repleto de amor pelo irmão, o legado deixado por ele é doloroso. Por outro lado, Luz Maria também o defende, afirmando que ele também foi culpado por coisas que não fez e por ter realizado trabalhos com os mais pobres.  

Para um dos parentes de uma vítima, o bilhete causa uma confusão de sentimentos.
Redação O POVO Online
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