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Rede de apoio jurídico para LGBT+ é real, mas WhatsApp divulgado está desativado

Tem sido dito que a "Reaja" seria uma rede fake, utilizada para mapear e colher informações sobre potenciais vítimas. No entanto, O POVO Online apurou que o grupo é real

23:18 | 29/10/2018
Foto: Reprodução/Twitter
Após o resultado das eleições, pessoas LGBT+ têm se mostrado apreensivos com casos de violência, já que o candidato eleito, Jair Bolsonaro (PSL), tem um histórico de declarações consideradas homofóbicas. Ante essa apreensão, está sendo divulgado nas redes sociais uma suposta rede de apoio jurídico para ameaçados e agredidos LGBT . Entre as diversas mensagens, o assunto viralizou. Tem sido dito que a "Reaja" seria uma rede fake, utilizada para mapear e colher informações sobre potenciais vítimas. No entanto, O POVO Online apurou que o grupo é real.
 
Formado por diversos coletivos e organizações não governamentais (ONGs), Reaja se identifica como uma frente LGBT , formada para representar e apoiar. Com um grupo de seis advogados, houve a ideia de prestar apoio e orientação jurídica para vítimas de agressão e ameaça por sua condição LGBT. "A nossa intenção inicial era orientar e ajudar juridicamente aqueles que se sentem  ameaçados. A ideia surgiu há duas semanas, mais ou menos", explicou Hal Paes, um dos integrantes do Reaja.
No entanto, ao viralizar na internet, a reação foi muito além do que o grupo esperava receber. "Eu disponibilizei o meu número pessoal, com WhatsApp. Em pouco tempo, recebi mais de 15 mil mensagens e a conta foi cancelada", disse Hal. Com a massiva resposta recebida, não foi possível responder aos interessados.
 
 
Não demorou para que, ante a falta de resposta, começassem a surgir teorias na internet. Em algumas redes sociais, como Twitter e Facebook, prints e mensagens compartilhadas indicavam que o tal Reaja era uma forma de mapear e colher informações sobre a população LGBT , tornando mais fácil encontrar potenciais vítimas para crimes de ódio. Embora a rede Reaja exista, não disponibiliza mais um número de contato. Por essa razão, algumas imagens podem ter sido replicadas com números falsos.
 
Uma outra teoria difundida nas redes é a de que o número, na verdade, seria de uma academia que ensina defesa pessoal para mulheres e LGBTs, sendo a divulgação do Reaja apenas uma maneira de conseguir mais clientes.
 
"As aulas de defesa pessoal realmente existem e fazem parte dos objetivos do nosso grupo. A ideia é possibilitar a defesa pessoal de mulheres e LGBT. No entanto, o meu número já estava como contato dessa academia muito antes da ideia do apoio jurídico", explicou Hal Paes.
 
Em um vídeo publicado no Facebook, Hal mostra as mensagens que chegam no WhatsApp, mostrando que era impossível responder a todas as solicitações. "Por enquanto, ainda não sabemos como faremos para abrir um canal de comunicação com os interessados. Mas o apoio jurídico vai ser disponibilizado, sim".

IZADORA PAULA