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CHECAGEM DE FATOS

Após boatos de assassinato, "Lorão do Rap" fala ao O POVO Online e grava vídeo

Eram aproximadamente 17h15min quando Lorão do Rap subiu em direção à Praça da Estação. Informado da procura, ele concordou em conceder entrevista ao O POVO Online

09:46 | 12/01/2018

Lorão do Rap posa para foto. Ao fundo, a antiga estação que dá nome à Praça (Foto: Carlos Holanda/Especial para O POVO)

O vídeo de um homem assassinado, que pôde ser visto nesta quarta-feira, 9, nas redes sociais, despertou comentários de que a vítima seria Fábio de Almeida Pimenta, popularmente conhecido como "Lorão do Rap". Diante da repercussão da suposta morte, a reportagem do O POVO Online passou a tarde desta quinta-feira, 11, em busca do artista na Praça da Estação e em locais próximos.

 

Eram aproximadamente 17h15min quando Lorão do Rap subiu em direção à Praça da Estação. Informado da procura, concordou em conceder entrevista ao O POVO Online. Sentado no banco de uma parada de ônibus, descreveu o dia em que recebeu a notícia da própria morte. "Rapaz, eu tava lá em casa de manhã. Chegou um cara lá, eu nunca vi esse cara na minha vida. Ele chegou perguntando: 'ei, má, aqui num é tu, não?'. Eu disse: 'meu irmão, parece muito. Será que é montagem, ein?'", relata o rapper. Agora, Lorão diz que escuta brincadeiras como "ei, tu num morreu, não?" ou "tu tem sete vidas, Lorão?".

 

Os comentários de que Lorão tinha morrido estavam relacionados a uma vigança de uma facção criminosa que foi alvo de uma rima do artista. Sobre o vídeo, ele acredita que alguém publicou para ver o seu mal. "Eu fiz na curtição, reconheço que errei", assume. Hoje, ele diz que continua recebendo propostas de facções, que giram entre R$ 100 e R$ 150, para fazer rimas sobre grupos criminosos inimigos. "Do jeito que o mundo tá, ninguém pode brincar com nada".

 

Sobre o estilo de rimar, o rapper diz que "é mais pro lado positivo", da crítica ao governo, à política em geral ou a uma pessoa que está presa injustamente. Suas fontes de inspiração são "primeiramente o 'lá de cima'" e, em seguida, Gabriel O Pensador, Marcelo D2, Chorão e o rapper de brasília Gog.  Sobre o funk ostentação, ele afirma que não é muito simpático ao gênero, mas se fosse pra fazer, "também botava pra arrebentar, mas eu gosto mais de fazer meus raps, que é minha realidade", explica.

 

A realidade de Almeida Pimenta é a casa que divide com a mãe 68 anos, hipertensa, e a prima. O irmão, segundo ele, está "por aí, mundo afora, é pior do que eu. É usuário", confessa Almeida Pimenta, que disse ser dependente químico.

 

No momento em que Lorão falava que os boatos foram prejudiciais, também, para a mãe, que ficou muito preocupada, o vigia de carros Francisco da Cunha Souza parou sua bicicleta para dizer à reportagem sobre sua reação à falsa informação. "Conheço ele há muito tempo. Na hora que disseram essa barbaridade, eu tava comendo uma carne. Ficou todo mundo triste, não só eu como muitos que conhecem ele. Ele é um cara sofredor, não é merecedor disso. Todo mundo ficou abalado", diz Souza.

 

Sonhos

Lorão diz que ao olhar para os seus ídolos e os aplausos que eles recebem, o pensamento do "e se fosse eu?" é inevitável. Para ele, a possibilidade de cantar junto com Gabriel O Pensador e Marcelo D2 seria um sonho. Por outro lado, segundo Lorão, ele diz que muitas pessoas já falaram que seu dom é para louvar a Deus.

 

"Eu sonho muito em entrar no palco e mostrar a minha realidade. Tipo assim, rapaz, saca só, tu não duvida. Já pensou se eu tomasse vergonha na cara e mudasse de vida? Quem sabe o aperto do sapato é quem calça, a verdade positiva, aí: cadê a alça? Mandando o som, o que é que tem. 'Ei, Lorão, tu se responde, ma, tu é famoso, tu manda bem, o cara se responde, ma, o dia inteiro. O que é que tu tá fazendo aqui, tu devia tá ganhando dinheiro. A minha rima é essa parceiro, passa os pano (sic), enquanto isso, Deus vai abençoando", rima Lorão, que segue vivo.

 

A reportagem do O POVO Online entrou em contato com a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), mas não obteve resposta de quem era o homem no vídeo. 

 

A busca por "Lorão do Rap"

Entre as várias pessoas ouvidas - pessoas em situação de rua, que esperavam ônibus, comerciantes e policiais -, grande parte sabia quem era o Lorão, mas a maioria afirmava que ele tinha sido assassinado. "Ele vivia andando por aqui batendo nos peitos e fazendo rima, mas mataram o homem recententamente", afirmou um vendedor de calçados de couro, que não quis se identificar, em referência ao modo como Lorão improvisa o instrumento de repercussão das sua rimas.

 

Por volta das 16h30min, um vendedor de espetinhos da Praça disse à reportagem que "Lorão do Rap" tinha passado pela sua frente há 20 minutos, seguindo para o Oitão Preto, onde mora com a mãe e a prima. Por questões de segurança e aviso dos policiais que estavam na Praça, a reportagem do O POVO Online decidiu por não entrar na comunidade. Um morador, então, à pedido da reportagem foi buscar o artista.

 

Confira a resposta de Lorão ao suposto assassinato: 

 

CARLOS HOLANDA