PUBLICIDADE
Notícias

Manifestantes fazem ato contra retirada de água do Cauípe e perfuração de poços

13:37 | 05/12/2017
NULL
NULL

[FOTO1] 

Ato contra obras do Governo do Estado - uma para retirada de água do Lagamar do Cauípe e outra para perfurações de poços - é realizado na manhã desta terça-feira, 5, na CE-421, em São Gonçalo do Amarante. Manifestantes da comunidade "Paul" protestaram no local desde às 7 horas da manhã. Galhos e pneus foram queimados próximo aos canos para perfuração de poços.

Desde outubro passado, comunidades próximas ao Eixão das Águas fazem atos contra o projeto que prevê a retirada da água do manancial para o município de São Gonçalo do Amarante e distritos de Caucaia, ambos na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). A água também será destinada ao Complexo Industrial e Portuário do Pecém, com expectativa de vazão de 200 litros por segundo.

Paulo França, líder comunitário e presidente da Associação do Planalto Cauípe, diz que a população solicitou, na 8ª Vara da Justiça Federal, embargos da obra no Cauípe. "Não tem água suficiente para tirar 200 litros por segundo do Lagamar, é uma área de proteção ambiental, não pode tirar nem pro nosso uso e querem tirar para mandar às empresas. A tendência é a água do lagamar baixar, a (água) do mar entrar e toda a região ficar salinizada, não vamos ter nem mais água para beber", afirma.

[FOTO2] 

A escavação de poços na região do Pecém também é criticada no ato, mas trata-se obra diferente daquela do Lagamar, conforme Secretaria dos Recursos Hídricos do Ceará. Em nota, a secretaria esclarece:

"Sobre o projeto de captação de água do sistema Cauipe, a Secretaria dos Recursos Hídricos do Ceará informa que a medida só foi adotada após estudo realizado entre os anos de 2011 e 2014 que comprovaram a sustentabilidade da intervenção.

De acordo com o levantamento, no período de quadra chuvosa, a Lagoa sangra para o mar cerca de 20 mil litros de água por segundo. A ideia da obra é retirar apenas 200 litros por segundo enquanto a lagoa estiver vertendo, ou seja, 1% da vazão despejada no mar. Assim, a captação não interfere no nível da Lagoa, tampouco, representa qualquer risco ambiental.

Da mesma forma, a perfuração de poços na área de dunas de São Gonçalo, outro projeto de diversificação de fontes hídricas, também é uma intervenção sustentável. Neste caso, a previsão é retirar apenas 10% da reserva renovável, volume restabelecido a cada inverno. Por outro lado, a implementação desses dois projetos agregará ações de preservação das áreas, que foram apresentadas à comunidade do entorno em reuniões, antes do início das obras.

Somente entre os meses de maio e outubro deste ano, foram promovidos cinco encontros entre gestores públicos e população. Essas agendas foram marcadas em pontos centrais da região e ônibus foram disponibilizados para garantir a participação de representantes das 27 comunidades. O último encontro, realizado no dia 25 de outubro, contou com a presença do presidente da Cogerh, João Lúcio Farias, do secretário dos Recursos Hídricos, Francisco Teixeira, e do Secretário Chefe de Gabinete do Governador, Élcio Batista.

A SRH informa ainda que, diante da falta de chuvas, registrada nos últimos seis anos, as intervenções são alternativas encontradas para complementar o abastecimento dos distritos de Umarituba e Catuana, em Caucaia; sede de São Gonçalo, e indústrias do CIPP."

Redação O POVO Online

TAGS