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Chefe de organização criminosa acusado de 50 assassinatos é preso

Identificado como Francisco Rivanildo Lima Sousa, 31, o "Botafogo" já responde por tráfico de drogas. Contra ele, já existia um mandado de prisão em aberto desde 2016

12:30 | 29/10/2020

*Atualizada às 12h55min

Um dos chefes de uma organização criminosa atuante nas cidades de Russas, a 171,1 quilômetros de Fortaleza, e Quixeré, distante 201,8 km da Capital, foi preso na tarde da última terça-feira, 27, em Crateús. Identificado como Francisco Rivanildo Lima Sousa, 31, conhecido como Botafogo, ele tem participação, segundo a Polícia, em cerca de 50 assassinatos ocorridos entre os anos de 2016 e 2019 e já responde por tráfico de drogas. Contra ele, já existia um mandado de prisão em aberto. O suspeito estava foragido desde 2016.

As informações foram repassadas no fim da manhã desta quinta-feira, 29, na sede da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), no bairro São Gerardo, em Fortaleza. De acordo com o titular a SSPDS, Sandro Caron, as investigações apontam que Botafogo faz parte de um grupo criminoso rival do grupo conhecido como "Diógenes", ambos atuantes na região do Vale do Jaguaribe. "Botafogo" tem influência direta em mortes ocorridas em Quixeré e no distrito de Flores, em Russas. Segundo Polícia Civil, a disputa entre os dois grupos resultou em cerca de 200 homicídios ocorridos na região entre os anos de 2010 e 2015. As vítimas são, ainda de acordo com Caron, criminosos dos dois grupos e desafetos deles. Além das mortes, Rivanildo é investigado por tráfico de drogas.

“Nossa linha é de procurar atingir a estrutura desses grupos criminosos com a prisão dos seus líderes e comandantes e com a descapitalização. Então com essa prisão e investigações que atingiram a estrutura levarão a uma redução futura do número de homicídios no Estado do Ceará”, informou o secretário durante a coletiva.

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A prisão de Francisco Rivanildo foi realizada por equipes policiais do Núcleo de Inteligência da Delegacia Regional de Crateús, em ação integrada com Polícia Civil e Departamentos de Polícia Judiciária do Interior Norte (DPJI Norte). Matheus Araújo, titular da Delegacia Regional de Crateús, coordenou a prisão do chefe da facção. Ele disse, na coletiva, que o trabalho começou há cerca de dois meses, quando a Polícia foi informada que o suspeito poderia estar na sua área de atuação e após um trabalho de inteligência. “Ele vivia sempre fugindo das localidades onde ele conseguia abrigo. Antes do Ceará, ele permaneceu um período no estado do Maranhão. E, ao se sentir ameaçado, voltou ao Ceará, para Fortaleza. Por aqui, permaneceu por um período”, informa.

De acordo Araújo, Rivanildo relatou que estava em Crateús há cerca de um ano. “Iniciamos o trabalho de localização e descobrimos uma residência, mas ele conseguiu se evadir da prisão. Reiniciamos mais uma vez o trabalho e conseguimos localizar a nova residência”, diz. No dia da prisão, a Polícia recebeu a informação de que o suspeito estava em deslocamento de Fortaleza para Crateús e montou uma operação de monitoramento. “Quando ele chegou em casa, nós realizamos a abordagem. A mulher dele tentou atrapalhar um pouco o nosso trabalho. Ele tentou evadir-se, pulando o muro, mas não conseguiu e tentou se desfazer dos telefones, mas nós recuperamos”, relata.

Foi localizado ainda um segundo mandado de prisão, também com origem da comarca de Russas, por organização criminosa e por tráfico e associação para o tráfico. Na prisão, foram apreendidos celulares. Titular da Delegacia Regional de Russas, Thales Melo informa que a região de Russas e Quixeré tem um histórico de crimes, desde 2010, quando um grupo criminoso se apartou. E a partir dessa cisão, os membros se dividiram em duas organizações criminosas rivais.

“A partir dessa guerra que se instalou na cidade de Russas, mais precisamente entre os anos de 2014 e 2017, foram mais de 200 mortes provocadas por essa guerra. Vários crimes ocorreram na região, inclusive de políticos, vereadores, comerciantes, muitos ceramistas. Ocorreu uma onda de crimes que provocou uma verdadeira chacina na região”, conta Melo. O Botafogo é um dos sobreviventes, ainda de acordo com o delegado. “Mandados de prisão ele tinha desde o ano de 2016, mas ele sempre conseguia fugir, mas nunca deixamos de procurar”, diz.

Mesmo estando foragido no Maranhão, Crateús e Fortaleza, ainda segundo Melo, ele nunca deixou de atuar na região de Quixeré. Botafogo alistava matadores para atuar. “Temos elementos que na passagem por Fortaleza, ele levou alguns indivíduos do Conjunto Palmeiras para praticar homicídios no Interior”.

Marcus Rattacaso, delegado geral da Polícia Civil, destaca que a ação é mais um trabalho de polícia judiciária especializada e o objetivo é tirar de circulação essas pessoas que exercem níveis superiores nas organizações. “É uma prisão importante que deve refletir em melhoria no número de mortes na região”, avisa (Colaborou Gabriela Feitosa).