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Foragidos, pai e madrasta são investigados por morte de menina de 3 anos no Ceará

Prontuário de hospital onde a menina foi atendida aponta que ela deu entrada na unidade já após o óbito

Jéssika Sisnando
21:23 | 21/07/2020
Maria Ester, de três anos de idade, foi morta e apresentava lesões em todo o corpo  (Foto: reprodução/arquivo pessoal )
Maria Ester, de três anos de idade, foi morta e apresentava lesões em todo o corpo (Foto: reprodução/arquivo pessoal )

Maria Ester Rodrigues Correia, de 3 anos, foi levada pelo pai ao Hospital de Russas com diversas lesões, na noite da última terça-feira, 21. O prontuário afirma que pai e madrasta foram à unidade hospitalar com a criança morta e teriam comunicado que ela havia sofrido um engasgo. Para justificar marcas de espancamento, o homem afirmou que a menina havia caído de uma motocicleta um dia antes. De acordo com o delegado de Russas, Eduardo Borges, o casal, Nemezio Correia Galvao Neto e Eduarda Ferreira Luiz, é suspeito da morte da vítima e, após deferimento de mandado de prisão temporária, são considerados foragidos

"A criança foi apresentada no hospital pelo pai e a companheira. A criança apresentava sinais de espancamento e agressões. Quando o pai deixou a criança no hospital, eles (pai e madrasta) se evadiram. Foi encaminhado guia e o corpo para verificar se existia sinais de natureza sexual", explica o delegado.

Conforme o delegado de Russas, existia inquérito desde fevereiro em relação a suspeita de um abuso sexual, mas que teria sido cometido pelo avô paterno. Maria Ester era acompanhada por conselheiros tutelares que visitavam a residência onde ela morava com o pai e a madrasta. Antes disso, ela viveu com o avô paterno e existia discussão forte em relação à guarda da criança, entre o avô e o pai.

Ester foi atendida no Hospital e Casa de Saúde de Russas (HCRS) na noite da segunda-feira, 20.

"Consta no prontuário da unidade de saúde que a menina deu entrada em óbito. O pai relatou aos funcionários do hospital que a menina estava engasgada com a alimentação e havia caído de moto no dia anterior. A companheira do pai foi responsável pela assinatura do prontuário e, assim que a criança foi (adentro) para receber atendimento, eles fugiram do hospital", disse o delegado.

Maria Nedi era uma das conselheiras tutelares que acompanhava Maria Ester. Ela diz que a criança estudava e era considerada uma menina alegre e que gostava de conversar e rir. "Ela não demonstrava tristeza", comenta a conselheira. "Foi chocante para todos nós. Todas as vezes que visitamos, a Ester estava bem e bem cuidada. Mas só eles vão saber dizer o que aconteceu para chegar a uma tragédia dessas", lamenta.

O conselheiro Wilk de Carvalho afirma que acompanhamento da criança começou depois que o Conselho Tutelar foi notificado pela escola de Ester, pois ela não estava indo à escola. Era um caso de evasão escolar. No período de fevereiro, quando foi feita a primeira visita, o casal alegou conflito com o avô paterno. "Tomamos conhecimento que existia um procedimento na Delegacia de um possível abuso sexual por parte do avô paterno", afirma.

De acordo com Wilk, a partir desse inquérito foi solicitado acompanhamento do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) e feita uma guia para que fossem feitos exame que pudessem identificar se houve violência sexual. "Depois do período que houve o procedimento, o conflito que chegava até a gente era que o avô não se dava bem com o filho, que era o pai da criança. E ontem aconteceu esse crime bárbaro", lamenta.

Will afirma que foi contatado por uma enfermeira do hospital sobre a entrada da criança na unidade e a morte dela. "Era visível que ela poderia estar sofrendo abuso sexual e acreditamos que o exame deva comprovar isso. O corpo todo marcado, todo roxo. Nós acreditamos que não tenha sido ontem, dias anteriores, mas como não foram feitas denúncias, nós não conseguimos tomar as providências", afirma.

O conselheiro explica que Ester morava com o pai e a madrasta, pois como constava a denúncia em relação contra o avô, o Conselho Tutelar entendeu que ela deveria morar com Nemézio. A família alegava que ele tinha problemas mentais e que fazia uso de drogas, mas que os conselheiros consideraram que ele poderia cuidar da criança, pois ele demonstrava carinho e afeto por Ester. Não havia nenhum documento ou laudo que comprovasse que o pai era incapaz, afirma Wilk.

Conforme o delegado Eduardo Borges, os relatórios técnicos do Conselho Tutelar fazem parte do inquérito anterior e vão servir também para o inquérito atual. "A sociedade russana ficou impactada com a gravidade do crime. Um crime monstruoso que envolve uma criança. A Polícia Civil está dando prioridade e vamos intimar familiares, vizinhos e alimentar a investigação com muitas outras informações", finaliza.