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Julgamento de Marcelo Barberena tem manifestação contra feminicídio

Manifestantes pedem o fim da violência contra a mulher e cobram políticas públicas mais consistentes

Rubens Rodrigues
12:01 | 30/11/2020
Representantes de movimentos sociais se reúnem do lado de fora da Câmara Municipal de Paracuru, onde Barbarena é julgado (Foto: Fábio Lima/ O POVO)
Representantes de movimentos sociais se reúnem do lado de fora da Câmara Municipal de Paracuru, onde Barbarena é julgado (Foto: Fábio Lima/ O POVO)

Acusado de matar esposa e filha em Paracuru, litoral Leste do Estado, o empresário Marcelo Barberena está sendo julgado nesta segunda-feira, 30. Do lado de fora da Câmara Municipal, onde a Vara Única da Comarca de Paracuru realiza o julgamento desde as 9 horas, um grupo de manifestantes protesta contra violência à mulher e feminicídio.

"É covardia! Só espero que a Justiça aqui da terra seja feita, porque a do céu já está sendo", diz uma manifestante em momento registrado pelo O POVO. Na sequência o grupo de manifestantes começou a gritar palavras de ordem pedindo por justiça. Outro manifestante diz que o Brasil precisa de justiça. Ele completa: "Uma pessoa é presa hoje, amanhã é solta".

Manifestantes também levantam cartazes com dizeres como "Lute como uma mulher", "Basta de feminicídio" e "Lugar de mulher é onde ela quiser". Elas também divulgam o número do Disque Denúncia: 180

A assistente social Lidiane Ramos é parte de movimentos sociais na cidade e também acompanha o julgamento desta segunda-feira. "Ao longo desse ano a gente vem travando uma luta contra todo tipo de
violência desfavorável à mulher. Faço parte desse movimento hoje por justiça à Adriana e Jade", diz.

Ela conta que o movimento se intensifica nos períodos de março e novembro, quando a luta pelo direito da mulher e contra à violência ganha mais divulgação. "Nosso movimento social se fortaleceu em 2017 com e reativação do Conselho Municipal das Mulheres. A gente vem discutindo esse e outros casos", continua.

"De 2013 até 2017 foi um feminicídio em Paracuru por ano. É um número grave. Precisamos olhar e fazer uma intervenção mais consistente, educativa, de reabilitação. Todos os tipo de trabalho possíveis precisam ser realizados para que essa situação venha a ser erradicada", conclui a assistente social.

Julgamento pode entrar para a história

 

O julgamento de Marcelo Barberena pode entrar para a história do Ceará por ser o mais longo. Ele ocorre cinco anos após os homicídios. Serão ouvidas 26 testemunhas de defesa e acusação ao longo do dia, três delas por meio de videoconferência. Em seguida, o réu deve ser interrogado. Ele vai a júri popular. (Colaborou: Lucas Barbosa)