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Família de ex-prefeito reclama posse de terreno de deputado, cedido para festival de Réveillon em Jeri

Empresa organizadora é ligada ao deputado estadual João Jaime, que enfatiza ser proprietário do espaço alugado para realização do evento. Procuradoria-geral do Município informa que toda documentação do evento está legalizada

Wanderson Trindade
21:30 | 28/12/2018
Com a pretensão de ser o maior do Brasil, o Réveillon John John Rocks 2019, de Jijoca de Jericoacoara, tem sido acusado de uma série de irregularidades em sua organização. Familiares do ex-prefeito do Município, Sérgio Herrero Gimenez, reclamam posse da terra onde ocorrerá a festa. Eles acusam também a empresa J.J. Serviços de Evento, ligada ao deputado estadual João Jaime (DEM), de não dispor de autorizações ambientais e jurídicas para organizar o festival. Parlamentar se defende, declarando possuir propriedade do terreno.
  
Gimenez foi empresário do ramo turístico e prefeito de Jericoacora por três mandatos. Faleceu em 2012 após enfrentar problemas cardíacos, Alzheimer e depressão. Em vida, teria adquirido muitas posses, as quais foram repartidas como herança entre herdeiros. Um dos bens seria a propriedade onde está ocorrendo o Réveillon John John Rocks, que teve início nessa quinta-feira, 27, e que está previsto para acontecer até a próxima terça-feira, 1º de janeiro. 
  
Ana Laura Herrero Garcia é inventariante do espólio do ex-prefeito, ou seja, responsável que administra a herança. Ela conseguiu liminar na Justiça contra a organização do festival, solicitando apresentação de registros necessários para realização do evento, que estima público de 30 mil pessoas. No documento, expedido e assinado pelo juiz plantonista de Direito, Paulo Santiago de Andrade Silva e Castro, no domingo, 23, são solicitadas autorizações do Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, licenças ambientais, além de alvarás exigidos pelo Poder Público.
  
[SAIBAMAIS] 
 
A inventariante afirma ainda ser a “legítima possuidora e proprietária de um imóvel” em Jericoacoara, o qual tem 20 mil metros quadrados e é onde estaria marcado para acontecer o festival. De acordo com o advogado Ernani Barreira, que defende Ana Laura Herrero, o espaço, há mais de 20 anos, pertence à família do ex-prefeito – a qual também não teria sido comunicada da realização do evento.
  
“Imagine alguém chegar na sua casa e organizar um show sem você sequer ser avisado. Foi isso que aconteceu”, argumenta Ernani, que complementa dizendo que “preocupação maior” seria a de “resguardar” responsabilidades sobre o evento, já que estaria ocorrendo em propriedade da família Herrero. “Queremos excluir responsabilidades do espólio da família.”
  
O Réveillon estaria acontecendo sob a organização da J.J. Serviços de Evento, empresa ligada ao deputado estadual João Jaime. Em seu quarto mandato na Assembleia Legislativa do Ceará (AL-CE), o parlamentar dispõe de base eleitoral em Jijoca. Ele declara que a história contada pela família de Herrero é fruto de “fofoca” e “fake news” espalhadas na cidade. “Não tem nada, nenhum processo contra nós. Nenhum problema. Tudo é fofoca, pois uma mentira repetida dez vezes vira verdade. Mas não tem nada na Justiça sobre isso”, enfatizou.
  
Fonte ouvida pelo O POVO Online, que preferiu não se identificar, disse que “todo mundo na cidade sabe que a posse do terreno é de João Jaime”. A identidade é preservada devido ao poder que ambas as famílias possuiriam na região. “Nem me meto, pois aí é ‘briga de cachorro grande’”, justificou.
  
Autorizações
   
De acordo com o procurador-geral de Jijoca de Jericoacoara, Ary Leite, o Réveillon está legalizado para sua realização. "Perante ao Município e aos órgãos fiscalizadores, o evento está ok. Não encontramos nenhum impedimento para que ele não aconteça", disse, demarcando ainda que todos os documentos solicitados foram entregues.
 
"O que está acontecendo é que há outra familia (a de Herrero Gimenez) que está pressionando a propriedade, mas ela não cabe aos organizadores", afirmou. O procurador comunica mais: "Todo o evento foi autorizado, tendo inclusos os alvarás de funcionamento e da vigilância sanitária."
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