PUBLICIDADE
NOTÍCIA

Vereador assassinado empregou mãe de um de seus executores na Câmara de Itaitinga

Mandados de prisão foram cumpridos pela Polícia neste fim de semana. Oito mandados de busca e apreensão também foram realizados. O parlamentar era presidente da Câmara do Município

12:28 | 08/04/2019
Delegados Jorge Monteiro e Wilson Camelo deram detalhes da investigação em coletiva de imprensa na manhã desta segunda-feira, 8
Delegados Jorge Monteiro e Wilson Camelo deram detalhes da investigação em coletiva de imprensa na manhã desta segunda-feira, 8(Foto: Alexia Vieira/Especial para O POVO)

O vereador João Roberto de Oliveira Martins, 52, que foi assassinado em frente a Câmara Municipal de Itaitinga em agosto de 2018, empregava a mãe de um de seus executores. A Polícia Civil divulgou a prisão de seis pessoas suspeitas de participar do crime. Todas elas são, segundo a Polícia, integrantes da mesma organização criminosa envolvida com tráfico de drogas e homicídios na cidade da Região Metropolitana de Fortaleza. Há indícios de que os suspeitos apoiaram a candidatura de João Roberto, atuando como líderes comunitários. De acordo com as investigações, a suspeita era de que o vereador tinha vinculação com o grupo. 

Apontado como líder do grupo, José Flávio de Souza, 43, foi preso neste fim de semana. Ele já tinha passagem por tráfico e homicídios. Rafael Ribeiro Carneiro, 30, seria o vice-líder da organização criminosa e também foi preso. Rafael Alves Nunes, 33, foi apontado como um dos executores. Nas imagens da câmera de segurança que gravou o assassinato, ele aparece dando os primeiros tiros na vítima. José Roberto Braga Mesquita, 27, confessou após prisão ser outro executor do político. Com Samuel Adams Barros Andrade, 22, também tido como executor, foram encontradas drogas, munição e uma balança de precisão.

Outro homem, chamado Renan de Souza Gomes, foi preso por participar da organização criminosa, mas não teve envolvimento com o assassinato do vereador. Uma mulher que também foi presa não teve sua identidade divulgada para manter o sigilo da investigação.

A Polícia Civil não divulga as linhas de investigação seguidas para descobrir a motivação do crime. Um mandado de busca chegou a ser cumprido na casa de outro vereador da cidade. Foram apreendidos celulares e documentação que podia ajudar na elucidação do caso.

Veja vídeo dos objetos apreendidos com os suspeitos:

<iframe width="560" height="315" src="https://www.youtube.com/embed/aTCN22BAuBg" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe>

Segundo o delegado do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) George Monteiro, os suspeitos foram presos provisoriamente por 30 dias. Ele explica que esta é a terceira parte da investigação do assassinato, que não se restringe apenas a Itaitinga. Oito mandados de busca e apreensão foram cumpridos, incluindo endereços em Fortaleza. Cerca de R$ 50 mil foram apreendidos. Notas em dólar, pesos e kwanzas (moeda angolana) estão incluídas no montante. O delegado afirmou que a mãe de um dos executores não seria a única parente de integrantes da organização criminosa que estariam empregados em órgãos públicos no município.

Delegado Wilson Camelo, da Delegacia Municipal de Itaitinga, explicou que os presos já eram alvo de investigações há muito tempo. Eles estariam envolvidos em outros homicídios, desaparecimentos, tráfico de drogas e até expulsão de famílias de territórios comandados por facções. Para ele, a expectativa é de que outros crimes sejam elucidados com a prisão dos indivíduos.

Relembre o crime

João Roberto de Oliveira Martins chegava a Câmara Municipal de Itaitinga por volta das 12 horas de 31 de agosto de 2018 quando foi surpreendido por quatro homens armados, que efetuaram disparos e atingiram ao vereador, que morreu na hora. A ação chegou a ser gravada por câmeras de segurança. O carro usado na ação foi abandonado na Lagoinha, em Fortaleza, e encontrado pela Polícia no dia seguinte. O vereador foi eleito em 2016 e deveria cumprir mandato até 2020. 

O Povo