PUBLICIDADE
Notícias

Estudantes de rede pública desenvolvem método para inibir transmissão do Zika vírus

Myllena Cristina e Gabriel Moura estão no último ano do Ensino Médio e desenvolveram uma pesquisa que pode contribuir para reduzir a transmissão do Zika vírus

19:26 | 09/11/2016
Alunos segurando a bandeira do Estado do Ceará
Alunos segurando a bandeira do Estado do Ceará

[FOTO1]Estudantes cearenses do Ensino Médio do município de Iracema, a 278 km de Fortaleza, desenvolveram uma pesquisa para inibir a transmissão do Zika vírus. O estudo realizado por Myllena Cristina e Gabriel Moura, com a orientação da professora Thyana Vicente e o universitário Helyson Lucas, foi selecionado para participar da Feira Internacional de Ciências e Engenharia - Fair Intel ISEF 2017, que ocorrerá no próximo ano em Los Angeles, Estados Unidos. Os jovens da Escola de Ensino Fundamental e Médio (EEFM) Deputado Joaquim de Figueiredo Correia irão ao evento com todas as despesas pagas.

A ideia de estudar mais a fundo o vírus surgiu com a epidemia no Brasil que ocorreu no início deste ano, principalmente pela alta concentração na região Nordeste. Diante disso, Myllena e Gabriel decidiram encontrar uma forma para diminuir os índices ou impedir a transmissão do vírus.

 

”A gente ficou preocupado com o surto e passamos a pesquisar o Zika vírus. Então, durante as nossas pesquisas, percebemos que o medicamento oselcamivir foi utilizado para inibir a proteína NS1 (responsável pela multiplicação do vírus) e a partir disso fizemos uma modificação no remédio”, contou Myllena ao O POVO Online.

 

%2bLeia Mais: Cearense ganha medalha de ouro em feira científica nos Estados Unidos

 

A alteração comentada pela estudante é capaz de inibir a ação da proteína NS1, o que implica na multiplicação do vírus e, assim, em sua transmissão. Conforme os resultados dos testes da eficácia do medicamento, a taxa de efeito colateral foi abaixo de 0,2%, percentual otimista que pode trazer novos caminhos para impedir novas epidemias. “Todos os testes em software utilizamos química computacional, modelagem matemática e molecular”, explicou.

E toda essa pesquisa pode servir como base para outros pesquisadores devido às poucas informações que se têm. “A partir desse trabalho podem produzir medicamento ou contribuir para o aprofundamento sobre o Zika vírus”, acredita a estudante.

 

%2bLeia Mais: Cearenses levam maior número de medalhas em Olimpíada de História 

 

Inspiração

[FOTO1]Um dos orientadores de Myllena e Gabriel já foi estudante da escola e tornou-se exemplo para a dupla. Helyson Lucas já participou de feiras de ciências internacionais. O ex-aluno da escola de Iracema ganhou medalha de ouro por desenvolver um composto antiviral mais eficiente do que os medicamentos convencionais no último mês de junho.

“Eu os conheci durante uma palestra na minha participação nas feiras científicas. Depois, eles me mostraram uma ideia e fomos buscar desenvolver”, contou Helyson sobre o primeiro encontro com os dois estudantes. Myllena, por sua vez, disse ao O POVO Online que exemplos como Helyson despertaram o seu interesse em participar desse mundo científico.

“Quando eu vi que ele (Helyson) conseguiu, percebi que também poderia ser capaz. Antes, acreditava que essa oportunidade era destinada apenas para jovens de classe média alta”, afirmou. A estudante disse que está realizando um sonho e que quando foi selecionada para a feira científica ficou emocionada.

 

Incentivo

Para serem selecionados para a Fair Intel ISEF 2017, os jovens precisaram participar de outras duas feiras. Uma em São Paulo e outra na cidade de Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul. Os estudantes tiveram que arcar com os custos dessas viagens e, como possuem poucas condições, tiveram que pedir patrocínio, vender rifas, fazer sorteios e outras formas paras arrecadar verba.

 

"Nunca recebemos financiamento do governo do estado e as nossas solicitações foram recusadas quando pedimos verba. A partir disso, criamos outras alternativas. Fizemos sorteios, rifas e outros meios para arrecadar dinheiro", disse Helyson Lucas.

 

O POVO Online entrou em contato com a Secretaria da Educação do Estado do Ceará (Seduc) para saber como funcionam os investimentos para a participação de estudantes em feiras científicas. Em resposta, o órgão informou que desde 2007 tem realizado várias ações de incentivo para o desenvolvimento de projetos e pesquisas científicas. 

 

"A Secretaria da Educação do Estado do Ceará (Seduc) vem desenvolvendo e apoiando, desde 2007, várias ações em educação científica, de forma que estudantes e professores se envolvam na elaboração de projetos/pesquisas no cotidiano escolar e na participação de eventos científicos e culturais como ambiente de troca e de produção de conhecimento. São eventos científicos como feiras, mostras, olimpíadas, dentre outros", comunicou a secretaria. 


 

TAGS