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PMs envolvidos em operação que matou Mizael Fernandes são afastados

Na primeira vez que se pronunciou sobre o caso, o governador Camilo Santana disse "não ter dúvida de que família e sociedade terão uma resposta"

Lucas Barbosa
15:24 | 06/07/2020
Mizael tinha 13 anos, ajudava a família em fábrica de castanhas, além de mexer com gado.  (Foto: Acervo Pessoal)
Mizael tinha 13 anos, ajudava a família em fábrica de castanhas, além de mexer com gado. (Foto: Acervo Pessoal)

O governador Camilo Santana (PT) se pronunciou pela primeira vez sobre a morte após intervenção policial de Mizael Fernandes da Silva, 13 anos, em Chorozinho (a 72km da Capital). O governador determinou o afastamento dos policiais militares (PMs) envolvidos na operação do serviço nas ruas. Por meio de nota, Camilo disse ter determinado investigação "imediata, rigorosa e isenta".

A Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança (CGD) abriu sindicância e Polícia Militar está instaurando Inquérito Policial Militar (IPM), informou ainda o governador. "Não tenha dúvida que a família e a sociedade terão uma resposta", disse.

Mizael Fernandes foi morto na madrugada do dia 1º de julho por policiais militares do Comando Tático Rural (Cotar). Conforme relato de sua família, ele dormia no momento em que houve a abordagem. Os policiais teriam entrado na casa após receber informação de que um suspeito de crimes como roubo se encontrava no local. Eles teriam mandado todos os ocupantes da casa saírem e entrado no quarto onde estava Mizael, atirando no jovem.

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O policial autor do tiro, reconheceu o erro, contou a família. "Fiz merda, fiz merda", disse ele seguidas vezes, em tom de desespero, conforme relatos de familiares. Em seguida, ele foi levado a um hospital, sob argumento de que seria socorrido. A cena da morte ainda foi desfeita, com uma limpeza, relatam. 

Em relatório de ocorrência, os policiais afirmaram que Mizael tinha uma arma e não atendeu comando para soltá-la. Um revólver calibre 38, com cinco munições intactas, foi apresentado à Polícia Civil. A versão é contestada pelos familiares, que dizem que os PMs não mostraram a arma após o disparo, conforme haviam pedido, nem tiraram fotos dele com ela. Também negam ter voz de comando antes do tiro.