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Ceará
Jurema e Pajuçara

Moradores acreditam em potencial de distritos que podem virar municípios no Ceará

Na última quarta-feira, 23, O POVO Online visitou os distritos de Jurema, em Caucaia, e Pajuçara, em Maracanaú

14:16 | 24/05/2018
Av. Dom Almeida Lustosa concentra o centro comercial de Jurema
Av. Dom Almeida Lustosa concentra o centro comercial de Jurema (Foto: Evilázio Bezerra/O POVO)
A Câmara dos Deputados deve votar projeto que regulamenta a criação de novos municípios no País nos próximos dias. No Ceará, 15 distritos podem virar município. Estima-se que, no Brasil, esse número chegue a 200. De autoria do senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), projeto de lei complementar (PLP) 137/15 precisa do apoio de 257 deputados.

Aranaú, Icaraí (Amontada), Jurema (Caucaia), Parajuru (Beberibe), Almofala, Guanacés (Cascavel), Adrianópolis (Granja), Betania do Cruxati (Itapipoca), São Pedro do Norte, Pajuçara (Maracanaú), Jamacaru (Missão Velha), Aruaru (Morada Nova), Mineirolândia (Pedra Branca), Flores (Russas) e Pecém (São Gonçalo do Amarante) são os distritos que poderão virar município no Ceará.

Jurema, na Região Metropolitana de Fortaleza, é desses o local mais populoso. Com mais de 100 mil habitantes, é um dos oito distritos que constituem Caucaia. A população do município é estimada em 362.223 habitantes, de acordo com o último panorama do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referente a 2017. Conjuntos habitacionais como Parque Guadalajara, Marechal Rondom, Parque Potira I e II, Parque Albano, Araturi e Nova Metrópole formam o distrito.

Moradora da Jurema há mais de 20 anos, a comerciante Ana Rita Marques, 45, diz que a localidade "merece" virar município. O principal motivo é a possibilidade de melhorias para a área. "A começar pelo arrecadamento de impostos porque tem muita empresa que chega e se instala aqui. Há um fluxo grande de comércio. Hoje, tudo que é arrecadado vai pra Caucaia e de lá ninguém sabe para onde vai", reclama. 

É a falta de atenção governamental que faz com que Ana Rita continue votando na Capital. "Sempre foi esse descaso. Já pensei em ir embora, mas aqui não é ruim. Tem tudo aqui, além do acesso fácil para Fortaleza. Só falta mais segurança pública e saúde. Se virar município, é mais atenção pra cá".
 
"É preciso improvisar" 

Um dos símbolos do distrito, a feirinha da Jurema, criada nos idos de 1970, reúne uma variedade de produtos e trabalhadores informais. Sempre aos sábados e domingos. Durante a semana, permanece a estrutura de madeira, cenário que se forma com os trilhos que cortam a cidade de Caucaia, e poucos vendedores. 
Feirinha faz sucesso no distrito aos fins de semana. De segunda a sexta-feira, poucos comerciantes resistem
Feirinha faz sucesso no distrito aos fins de semana. De segunda a sexta-feira, poucos comerciantes resistem (Foto: Evilázio Bezerra/O POVO)
Davi Moura, 45, chegou na Jurema ainda aos cinco anos de idade. E de lá não saiu mais. "O que tá faltando aqui é praça e trabalho. Se tivesse um mercado público funcional, resolveria o problema de muita gente", pondera. O manobrista de estacionamento - como consta na Carteira de Trabalho, ele diz - hoje vende bebidas em um estabelecimento do bairro. "É só um quebra galho, por enquanto. Emprego aqui é difícil. É preciso improvisar".

"As pessoas falam mal daqui. Dizem que tem muito vagabundo, muito assalto. Nunca fui assaltado aqui não, mas vai ver é sorte. Vivo dentro de uma grade, que nem um passarinho preso", disse, de dentro do estabelecimento. Separado da reportagem do O POVO Online por um portão trancado.

Após conversar com moradores de Jurema, a reportagem seguiu para Pajuçara, em Maracanaú. Um dos bairros mais populosos do Estado, com quase 19 mil habitantes. Mas para os moradores, isso não quer dizer muita coisa. A praça da rua João Henrique da Silva, ao lado da recém inaugurada Unidade de Pronto Atendimento (UPA) 24 horas, reunia moradores, vendedores ambulantes e um grupo de homens que ingeriam bebidas alcoólicas no fim da manhã dessa quarta-feira, 23. 

Ainda sem opinião formada, uma das moradoras do bairro falou sobre os recorrentes registros de homicídios no distrito. "Não tenho nada contra aqui, não. Tem tempo que tá calmo, mas tem tempo que fica mais alvoroçado", diz. O POVO Online preserva a identidade da moradora. Um colega dela, que pediu para não ser identificado, disse que embora tenha muitos moradores, Pajuçara não tem capacidade de se tornar um município. "Não tem Centro. É uma área mais popular, com muita gente pobre".

No entanto, o comerciante Ricardo Silva, 59, é otimista. De acordo com ele, o bairro é economicamente desenvolvido. Natural de Aratuba, morou no Eusébio e em Fortaleza antes de se instalar em Maracanaú, em 1978. Há 18 anos, ele mantém um ponto de alimentação no Mercado Público de Pajuçara. Do equipamento, cerca de 10 pessoas tiram o sustento. "Essa crise tá em todo canto. Antes, o pessoal esperava desocupar uma mesa pra almoçar aqui. E hoje tá assim", diz, apontando para as meses vazias. "Mas não é só aqui, é no País inteiro".
Mercado Público de Pajuçara
Mercado Público de Pajuçara (Foto: Evilázio Bezerra/O POVO)
 

RUBENS RODRIGUES