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Suspeito da execução de PM havia oferecido R$ 40 mil pela morte de policial do FTA no ano passado

Em 2015 famílias foram expulsas da comunidade e um comerciante chegou a ser enterrado vivo por traficantes

21:08 | 11/11/2016

O traficante suspeito da execução do sargento reformado Carlos Alberto Ribeiro Gomes, de 54 anos, nesta sexta-feira, 11, havia oferecido, no ano passado, R$ 40 mil reais como prêmio para os criminosos que executassem qualquer um dos integrantes da Força Tática de Apoio (FTA), que atuavam no Parque Leblon, na Caucaia, Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). 

denúncia de que a patrulha estava sendo ameaçada foi feita pelo O POVO no dia 9 de novembro de 2015. Pouco mais de um ano após o caso é registrada a morte de Carlos Alberto. O POVO apurou com uma fonte da PM do 12º Batalhão da Polícia Militar, que, apesar do sargento ser da reserva remunerada, ele passava informações sobre o tráfico de drogas para os policiais da região, e, por isso, ganhou inimigos no Parque Leblon.

 O POVO apurou que o traficante apontado pela Polícia como o suspeito da execução de Carlos Alberto possuía dois "gerentes" no Parque Leblon, que foram presos, em 2015, por uma composição da PM da Caucaia e, que, após a prisão, passaram a ameaçar os PMs responsáveis pela operação.

 Um PM que pediu para não ser idenfificado ressaltou que, atualmente, é impossível trabalhar na Caucaia. "Antes você tinha 23 viaturas no Centro, hoje só tem seis. O Policiamento Ostensivo Geral (POG), que é para toda a Caucaia, agora, tem dias que é somente uma viatura. Fica impossível entrar na comunidade", revela.

 Conforme a fonte, a estratégia dos traficantes do Parque Leblon é acionar a Controladoria Geral de Disciplina (CGD), para amedrontar e retirar o policiamento. "Quando entram na comunidade, eles (traficantes) entram em contato com a Controladoria para denunciar e mandam que os moradores ateiem fogo em pneus em forma de manifestação", afirma.

 

O POVO tentou contato com o comando do 12º BPM, mas as ligações não foram atendidas. 

 Denúncias


No dia 9 de novembro de 2015,  O POVO divulgou que detentos teriam dado ordens para metralhar PMs na Caucaia. Eles também mandavam recado para os pequenos comerciantes, que não fizessem vendas para policiais.

Ainda segundo um militar, um padeiro foi morto após ter servido café para PMs de uma viatura, desobedecendo as "regras". "Ele passou um ano fora e quando voltou foi morto. Mataram ele em cima de uma bicicleta, na avenida Ulisses Guimarães", comentou.

 No dia 23 de dezembro de 2014, Jamile Carvalho Amorim e Paulo Henrique Silva Melo foram encontrados mortos e enterrados em uma casa abandonada no Parque Leblon. Os dois estavam desaparecidos há pelo menos um mês. Informações repassadas pela Polícia é que o casal foi torturado antes da execução.

 No dia 14 de março de 2015
, um comerciante sobreviveu após um espancamento no Parque Leblon. Ele chegou a ser enterrado vivo, mas conseguiu fugir. Foi socorrido para o hospital de Caucaia e transferido ao Instituto Doutor José Frota (IJF), Centro, onde permaneceu internado durante dias.

 No dia 8 de dezembro de 2015, O POVO denunciou que o tráfico do Parque Leblon havia expulsado famílias e transformado locais movimentados em ruas fantasmas. De janeiro a novembro do ano de 2015, cinco famílias foram expulsas da comunidade. 

 

Policiais militares representam 82% dos agentes da Segurança Pública vítimas de violência 

 

As estatísticas mostram que 82% dos agentes de segurança pública do estado do Ceará que são mortos vítimas de violência são policiais militares. De acordo com a Associação de Cabos e Soldados Militares do Estado do Ceará, são 28 profissionais mortos neste ano. destes, 23 são policiais militares, dois policiais civis, dois agentes penitenciários e um policial rodoviário federal aposentado.  

 

No último domingo,  6, o policial rodoviário federal, aposentado, Leomar Saraiva Aquino, de 73 anos, foi morto durante tentativa de assalto no bairro Jangurussu. 

 

No dia 4 de novembro foi morto o cabo Fábio Romeu Morais e Lima, de 30 anos, da 4ª Companhia do 1º Batalhão da PM (4ª Cia/1º BPM), em Limoeiro do Norte. O PM foi atender uma ocorrência que resultou em tiroteio.  

 

 

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