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Ursos do Zoológico de Canindé serão transferidos para São Paulo

Justiça determina que dois ursos da espécie ursus arctos, animais que foram explorados por circos, sejam transferidos para o Rancho dos Gnomos. O calor foi a principal causa da decisão judicial

12:44 | 13/06/2019
A ativista Luisa Mell defende que os ursos sejam retirados do Santuário São Francisco, em Canindé, e levados para abrigo em São Paulo
A ativista Luisa Mell defende que os ursos sejam retirados do Santuário São Francisco, em Canindé, e levados para abrigo em São Paulo(Foto: Mateus Dantas/O POVO)

Os ursos Dimas e Kátia, da espécie ursus arctos, que estão no Zoológico de São Francisco de Canindé, serão transferidos do Ceará para São Paulo. Uma liminar, da juíza Tássia Fernandes Siqueira, determinou o traslado dos animais que viraram o centro de uma polêmica entre a diocese de Canindé, protetores de animais e a ativista Luísa Mell. Os animais serão removidos para o Rancho dos Gnomos, em Joanópolis (SP). O lugar é um centro de reabilitação de fauna.

Em dezembro de 2018, O POVO mostrou a situação dos ursos.

Ursos estão em zoológico de Canindé
Ursos estão em zoológico de Canindé (Foto: Mateus Dantas/O POVO)

Na decisão, a magistrada reconhece que os ursos estavam em melhores condições em relação à época de quando foram acolhidos, depois de sofrerem maus-tratos, por anos, em circos. Mas, de acordo com a juíza, “apesar de todo o carinho e cuidados que os animais recebem junto ao requerido, possuindo uma história no zoológico e também na própria cidade, tradicionalmente devota de São Francisco de Assis, há um fato insuperável: a alta temperatura inerente à região. E, quanto ao ponto, apesar de toda receptividade e cordialidade do querido povo cearense, é de se reconhecer que dois ursos de um habitat natural inversamente oposto ao seu não possuem capacidade de adaptação tamanha a modificar sua própria natureza”, escreveu na decisão.

De acordo com Tássia Fernandes, da 3ª Vara da comarca de Canindé, “se há atualmente uma possibilidade de reduzir o desconforto gerado em decorrência das altas temperaturas, proporcionando aos animais plena liberdade para expressar seu comportamento natural, esse deve ser o caminho também natural para o caso concreto”.

A juíza concluiu que não se pode afirmar, com certeza, que o comportamento do urso Dimas, que realiza movimentos coordenados e reiterados, decorre do desconforto causado pelo calor ou dos traumas gerados pela constante tortura a que era submetido junto ao circo.

A magistrada reforça na liminar que os dois ursos “são animais selvagens retirados da natureza de forma abrupta, torturados, submetidos a diversos atos verdadeiramente desumanos, em tempos em que forçados a promover 'espetáculos' circenses, como se ação humana que cause tanta dor a outros seres vivos fosse engraçada ou motivo de riso. Por tempo foi, infelizmente, mas ao menos quanto a isso a sociedade evoluiu (em tese), para perceber com maior sensibilidade a crueldade que permitida e aplaudida. A liberdade é da essência animal. E é da essência do Poder Judiciário a garantia de direitos fundamentais, inclusive ao meio ambiente, razão pela qual tenho que deve ser permitido aos ursos Dimas e Kátia o exercício pleno de seu direito natural”, escreveu Tássia Fernandes.

Os dois ursos serão transferidos de Canindé para São Paulo, provavelmente, em um avião da Força Aérea Brasileira.

Demitri Túlio