Após dois anos, Ceará tem queda de 7,7% nas mortes violentas e Fortaleza reduz 11%

Estado fechou o ano passado com 3.021 Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs), contra 3.272 registros no ano anterior. Apesar da redução no total, a Região Metropolitana apresentou aumento de 5,9% nos casos

19:14 | Jan. 08, 2026

Por: Mirla Nobre
Imagem de apoio ilustrativo. Mortes violentas tiveram redução de 7,7% no Ceará em 2025 (foto: Divulgação/Polícia Civil do Estado do Ceará)

O Ceará teve redução de 7,7% nas mortes violentas no ano passado após dois anos da última queda, em 2021. Foram contabilizados 3.021 Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs) em 2025. Os dados foram divulgados pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) nesta quinta-feira, 8. A Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), no entanto, teve aumento de 5,9% nos casos.

Na série histórica, o Estado apresentou, inicialmente, queda nos registros, seguida de estabilidade nos anos de 2022 e 2023, quando foram contabilizadas 2,9 mil mortes em cada ano. Em 2024, os números voltaram a subir, alcançando 3,2 mil crimes violentos, que incluem homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte.

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No balanço do ano passado, Fortaleza também teve redução nos índices, com 742 mortes, frente a 834 no ano anterior, o que representa queda de 11% nos crimes. Entre as regiões do Estado, o maior recuo aconteceu no Interior Sul, que fechou 2025 com redução de 16,5%, passando de 684 para 571 mortes.

Os dados da Superintendência de Pesquisa e Estratégia de Segurança Pública (Supesp), vinculada à SSPDS e responsável pela consolidação dos indicadores criminais, mostram que o Interior Norte registrou a menor redução na taxa de mortes: 10,6%. Em 2025, foram contabilizados 806 casos, frente a 902 casos em 2024.

Também foram divulgados os dados de latrocínio. Assim como nas mortes violentas, os casos de roubo seguido de morte apresentaram queda no ano passado, com redução de 39% em relação a 2024. O número de ocorrências caiu de 41 para 25. Em Fortaleza, a diminuição foi ainda mais expressiva: 55%, passando de 20 para nove casos.

Conforme o titular da SSPDS, Roberto Sá, que apresentou os indicadores criminais durante coletiva de imprensa, destacou que os resultados foram um conjunto de medidas estruturais e investimentos realizados pelo Estado. Entre eles estão a criação de um Centro de Tecnologia da Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança (Ciops), com uso de reconhecimento facial e de placas de veículos.

Também apontou para o aumento de gratificação por meio da ampliação de pagamento de horas extras e incentivo ao trabalho remunerado, o que ampliou o efetivo policial nas ruas. Além disso, Sá citou adoção de Sistema de Metas ao longo do ano.

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Outras medidas foram a expansão e reestruturação das forças de segurança, com novos batalhões, núcleos de perícia, comandos regionais e delegacias. Por fim, apontou para o investimento na Inteligência, com integração entre as forças e aumento do efetivo, que passaram de 135 para 791 no ano passado.

As prisões por envolvimento com organizações criminosas cresceram 96% no Estado no ano passado. Ao todo, foram 2,5 mil prisões e apreensões realizadas por meio de mandados judiciais e flagrantes.

Em Fortaleza, o aumento foi ainda mais expressivo: 153,3%, com 836 prisões, frente a 330 no período anterior.Na RMF, o crescimento foi de 75,1%, passando de 538 para 942 prisões. Já no Interior, os avanços foram de 74,9% no Norte e de 82,4% no Sul.

Ao longo do ano, uma média de pelo menos 20 armas de fogo foi apreendida por dia no Estado. No total, 7.221 armas foram retiradas de circulação — o maior número desde 2009 e um aumento de 13% em relação ao ano anterior, quando foram apreendidas cerca de 6,3 mil armas.

No balanço, Fortaleza teve aumento de 6,9%, com 1,6 mil armas apreendidas de janeiro a dezembro do ano passado contra 1,5 mil do ano anterior. Na RMF, o aumento foi de 18,2%, sendo retiradas 1,5 mil armas de fogo de circulação contra 1,3 mil em 2024.

Os dados da Supesp também revelaram redução nos Crimes Violentos contra o Patrimônio (CVPs) de 21,9% no Estado. Foram 19 mil ocorrências no ano passado contra 25 mil no ano anterior ao período. Os crimes de furtos também caíram, registrando redução de 8,9%.

Sá afirmou que, entre as medidas, estão a implantação das políticas públicas do Estado, como o “Meu Celular”, que alerta para casos de roubo e furtos de aparelhos celulares e busca a recuperação dos telefones.

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Foram recuperados 11,6 mil celulares desde a implantação do programa, em abril de 2024. Ainda destacou o programa “Moto Segura” e “Segurança no Ponto”, que atuam na recuperação de motos roubadas ou furtadas e reforço de policiais em pontos de ônibus, respectivamente.

O secretário de Segurança afirmou que, apesar dos indicadores mostrarem melhora, os resultados ainda não são satisfatórios. “Não estão satisfeitos. Nem nós. A gente vê que tá no caminho certo, mas queríamos muito mais. Vamos agora em 2026 em busca de manter essa tendência de queda, com a capacidade de mudar rapidamente e alterar metodologia e aperfeiçoar protocolos”, pontuou.

Região Metropolitana de Fortaleza tem aumento de 5,9% em mortes em 2025

Apesar dos resultados positivos dos indicadores criminais na maioria do Estado, a Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) registrou aumento no número de mortes violentas em 2025. Foram 902 CVLIs de janeiro a dezembro do ano passado contra 852 no mesmo período do ano anterior.

A região inclui os municípios de Caucaia, Maracanaú, Aquiraz, Eusébio, Pindoretama, São Gonçalo do Amarante e Maranguape, sendo essa última considerada, no ano de 2024, a região mais violenta do País, segundo Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Dados da entidade contabilizaram 87 mortes.

Em novembro do ano passado, Maranguape registrou 91 mortes até o dia 20 do mês, ultrapassando a quantidade que colocou a cidade no topo da violência. Para Roberto Sá, a região não pode ser classificada como a mais perigosa, já que os altos índices de letalidade estão diretamente ligados a disputas entre organizações criminosas.

Segundo ele, esses confrontos se intensificaram no segundo semestre do ano passado, o que levou a um cenário desfavorável. “A letalidade entre esses grupos aumentou, resultando em uma taxa elevada”, pontuou.

Como medida para fortalecer o policiamento e investigação na RMF, foi inaugurado o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Região Metropolitana.

Com sede no município de Caucaia, a unidade é composta por quatro delegacias responsáveis por investigar CVLIs registrados nos municípios metropolitanos. Ao todo, serão duas delegacias para Caucaia, uma para Maracanaú e para Maranguape. O Departamento conta com quatro delegados titulares e 31 investidores.

Crimes Violentos Letais Intencionais do Ceará (2020-2025)

  • 2025: 3.021
  • 2024: 3.272
  • 2023: 2.970
  • 2022: 2.970
  • 2021: 3.299
  • 2020: 4.039