Ceará ocupa o 1° lugar do Brasil em identificação de pessoas desaparecidas
No ultimo ano, foram 28 identificações por DNA de familiares e restos mortais, além de nove casos esclarecidos com perfis de condenados
19:04 | Jan. 06, 2026
O Ceará, por meio da Perícia Forense do Estado (Pefoce), registrou o maior número de identificações de pessoas desaparecidas no Brasil, a partir do banco de perfis genéticos. O dado consta no relatório técnico de novembro de 2025 da Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos (RIBPG), vinculada ao Ministério da Justiça.
LEIA TAMBÉM | Sucata Chico Alves: Pefoce usa drones e busca imagens para definir a causa do incêndio
No período de um ano, entre outubro de 2024 e outubro de 2025, a Pefoce realizou 28 identificações com a comparação de DNA entre familiares de pessoas desaparecidas e restos mortais sem identificação.
Outros nove casos foram esclarecidos a partir do cruzamento genético entre restos mortais e perfis de pessoas condenadas registrados no banco de dados. Com os índices, o Ceará fica na frente de estados como São Paulo e Mato Grosso.
O trabalho é desenvolvido pelo Núcleo de Perícia em DNA Forense (NUPDF). A unidade atua na identificação de pessoas por meio do cruzamento genético entre familiares de desaparecidos e restos mortais sem identificação, além de pessoas vivas não identificadas.
Segundo o órgão, o destaque se deve ao processo de modernização e ao reforço estrutural pelos quais a Pefoce passou nos últimos anos. Houve ampliação do quadro de servidores, com a entrada de novas turmas de peritos e auxiliares por meio de concursos públicos, além de avanços tecnológicos.
Nos últimos meses de 2024, a Pefoce adquiriu um analisador genético Spectrum, equipamento único no país dentro da RIBPG. “É um equipamento muito sensível, rápido e robusto, que faz toda a diferença, especialmente em amostras difíceis, como ossadas ou corpos em avançado estado de decomposição”, explica Samyra Brasil, perita legista e coordenadora dos Laboratórios Forenses da Pefoce.
O Ceará também se destaca pela rapidez na resolução dos casos. De acordo com um diagnóstico do Grupo de Trabalho sobre Informações Periciais (GT-INFOPER), do Conselho Nacional de Dirigentes de Polícia Científica (CONDPC), o estado é o que atua em menor tempo na identificação de pessoas.
Leia mais
“Em média, em até 10 dias já estamos identificando. Quando há confronto com material genético de familiares, damos prioridade máxima e conseguimos entregar o corpo à família em três, quatro ou cinco dias, dependendo do estado da amostra”, diz Samyra Brasil.
Conforme a perita, quando um corpo dá entrada no órgão sem identificação e não é possível identificá-lo pela papiloscopia, técnica baseada nas impressões digitais , o material genético é processado e inserido no banco estadual de perfis genéticos. “Esse banco se comunica com todos os outros estados do país, o que permite o cruzamento com dados de todo o Brasil”.
O trabalho tem impacto direto na segurança pública e na justiça, com atuação integrada à Delegacia de Pessoas Desaparecidas. “Criamos grupos de trabalho e novos fluxos para tornar o processo mais rápido. A delegacia está sempre em contato conosco, e isso permite que a investigação avance e o caso seja encerrado”, explica Samyra.
Para a sociedade, o impacto se dá principalmente para as famílias. “Elas passam a ter respostas sobre o que aconteceu com seu familiar. Essa resposta pode não vir da melhor forma possível, mas permite o encerramento de um ciclo, o que ajuda a amenizar um sofrimento que, muitas vezes, se prolonga por anos”, diz.
Além dos casos de óbito, o trabalho também alcança pessoas vivas não identificadas, como aquelas que se encontram ou vivem em abrigos, hospitais e instituições de longa permanência. Atualmente, a Pefoce mantém um cadastro de quase 100 pessoas vivas não identificadas.
“Nós orientamos as famílias a procurarem a Pefoce. Muitas vezes, elas têm receio de buscar o serviço por medo de encontrar o familiar morto. Mas é importante destacar que o banco não serve apenas para esses casos”, destaca.
Conforme o Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (SINESP), o Ceará registrou em 2025 2.376 pessoas desaparecidas, uma média desete pessoas desaparecidas por dia.
Familiares que estejam a procura de uma pessoa desaparecida são encorajados a se dirigir a uma unidade da Pefoce levando documento oficial de identificação com foto e, sempre que possível, informações sobre a pessoa desaparecida, como nome completo, data de nascimento, local e data aproximada do desaparecimento.
Não é necessário levar exames ou documentos médicos. A coleta do material genético é simples, indolor e feita por meio de swab bucal (cotonete na parte interna da boca). O serviço é gratuito e os dados passam a integrar o banco de perfis genéticos, que se comunica com sistemas de outros estados, ampliando as possibilidades de identificação.
Confira os núcleos da Pefoce na Capital e Interior:
Perícia Forense do Estado do Ceará (PEFOCE - Sede Fortaleza)
Endereço: Avenida Presidente Castelo Branco, 901, Moura Brasil – Fortaleza/ CEP: 60010-000
Telefone: (85) 3101.4900
Núcleo de Perícia forense da Região Sul – Juazeiro do Norte
Endereço: Avenida Tenente Raimundo Rocha, s/n, Planalto / CEP: 60.040-360
Telefone: (88) 3571.7018 / (88) 3571.5307
Núcleo de Perícia Forense dos Sertões de Canindé
Endereço: Avenida Francisco Cordeiro Campos, 912, Centro / CEP: 62.700-000
Telefone: (85) 3343.6940
Núcleo de Perícia Forense dos Sertões dos Inhamuns – Tauá
Endereço: Expedito Zacarias, S/N, Manoel Mota – Tauá CEP: 63.660-000
Telefone: (88) 3437-3651
Núcleo de Perícia Forense da Região do Vale do Jaguaribe – Russas
Endereço: Tabuleiro da Vaquejada, CE 356, Russas – Ce. 62900-000
Telefone: (88) 3311.8095 / (88) 3411-8089
Núcleo de Perícia Forense dos Sertões de Crateús
Endereço: BR-226, 796-a – Venâncio, Crateús / CEP: 3700-000
Telefone: (88) 6391-4527
Núcleo de Perícia Forense da Região Norte – Sobral
Endereço: Avenida Jonh Sanford, 2895, Nossa Senhora de Fátima / CEP: 62.034-001
Telefone: (88) 3614.5485
Núcleo de Perícia Forense da Região Central – Quixeramobim
Endereço: Rua alto do Boqueirão, s/n, Centro / CEP: 63.800-000
Telefone: (88) 3441.1641
Núcleo de Perícia Forense da Região Centro Sul – Iguatu
Endereço: Rua João Pessoa, nº 358, Centro – Iguatu CEP: 63.500-000
Telefone: (88) 3581-7469