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Ceará: pesquisadores discutem conservação de anfíbios e répteis ameaçados de extinção

Importância de anfíbios e répteis está vinculada a todo o ecossistema local, desde controle da cadeia alimentar, qualidade ambiental e produção farmacológica

Anfíbios e répteis são importantes para todo o ecossistema local, e a discussão sobre essas espécies ameaçadas de extinção no Ceará foi tema de discussões nesta semana na sede do Museu de História Natural do Ceará (MHNCE), em Pacoti. Chamado de Plano de Ação Nacional para a Conservação da Herpetofauna Ameaçada do Nordeste (PAN Herpetofauna do Nordeste), o evento promovido pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) reuniu pesquisadores do nordeste do País de terça, 7, a sexta-feira, 10. 

O doutor em Ciências Biológicas e professor da Universidade Estadual do Ceará (Uece), Daniel Cassiano, enumera três aspectos desses animais: (1) controle da cadeia alimentar, (2) qualidade ambiental e (3) produção farmacológica. “Os répteis e anfíbios são animais essenciais na cadeia ambiental, controlando diversos animais que, fora de controle, poderiam ser prejudiciais às atividades humanas. Eles também servem de alimento para diversos grupos, sendo então parte fundamental das cadeias alimentares”, argumenta.

A presença ou ausência desses animais no ecossistema é um sinal da qualidade ambiental. Essas espécies podem servir para indicar ações como desmatamentos ou desertificação de uma determinada área, na maioria dos casos provocadas pela ação humana.

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“Além disso, esses animais têm uma grande importância farmacológica, pois muitos medicamentos, inclusive para doenças graves, foram produzidos a partir de substâncias produzidas por répteis e anfíbios. Corremos o risco de perder nossas espécies sem nem mesmo conhecê-las, e o pior, sem saber se elas possuem algum princípio farmacológico”, acrescenta Daniel. 

O professor Daniel ressalta ainda que as principais ameaças a esses animais ocorrem devido à agricultura desordenada, roçados, caça, queimadas, extração ilegal de madeira e plantas, e principalmente a especulação imobiliária

O maciço de Baturité é um centro de endemismoAquela espécie animal ou vegetal que ocorre somente em uma determinada área ou região geográfica , devido ao seu isolamento no contexto da caatinga seca. Para os pesquisadores, o município de Pacoti tem sido o local da descoberta de uma série de espécies até então desconhecidas para a ciência, como os lagartos Placosoma limaverdorium, Leposoma baturitensis, a serpente Atractus ronnie, os anfíbios Rhinella casconi e Adelophryne baturitensis.

As espécies de serpentes, lagartos e anfíbios podem até ser mal vistas ou representar algum “perigo” para a sociedade, mas o professor acredita que precisamos superar essa visão.

“É necessário que a sociedade entenda que as suas atividades dependem dos recursos naturais. Toda a vida está interligada, de modo que cada espécie é importante para a manutenção do meio ambiente. A herpetofauna de modo especial é mal vista pelo povo devido ao medo e preconceito.”

Para o coordenador das Oficinas do PAN e servidor do ICMBio, Carlos Abrahão, as oficinas são momentos importantes de troca de informação e experiências com a sociedade. "Esta oficina serve para que a gente receba as informações do que foi feito neste último ano nas áreas estratégicas do Plano de Ação e assim poder realinhar estratégias para a conservação das espécies."

O grupo do PAN delimitou 13 áreas estratégicas para a conservação das espécies. "Todas as áreas contemplam uma parte da distribuição das espécies-alvo e beneficiadas do PAN, assim como reúnem condições de paisagens que possibilitam sua recuperação", explicou Bruna Meneses, bolsista do CNPq no Núcleo de Informação do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios do ICMBio (RAN/ICMBio).

Plano de Ação Nacional para Conservação de Espécies Ameaçadas de Extinção (PAN)

Tudo começou no em setembro de 2019, em uma reunião de planejamento na Universidade Católica de Salvador. Na ocasião, os pesquisadores decidiram formar o Plano de Ação Nacional para Conservação de Espécies Ameaçadas de Extinção (PAN), um instrumento de gestão e de políticas públicas vinculado ao
ICMBio, do Ministério do Meio Ambiente (MMA). 

Atualmente, o Plano contempla 107 espécies ameaçadas de extinção (23 anfíbios e 84 répteis), entre elas 46 ameaçadas nacionalmente, consideradas espécies-alvo, e 58 beneficiadas, por estarem nas listas de espécies ameaçadas da Bahia e de Pernambuco, além de três quase ameaçadas de extinção presentes na lista nacional.

Dentre as espécies-alvo que figuram na lista do PAN, está o sapinho maranguapense (Adelophryne maranguapensis), um pequeno anfíbio que atinge apenas 2 centímetros de comprimento e é encontrado somente nas partes mais altas da Serra de Maranguape, no Ceará.

Sapinho maranguapense (Adelophryne maranguapensis)
Sapinho maranguapense (Adelophryne maranguapensis) (Foto: Daniel Cassiano)

O sapinho é considerado como criticamente em perigo de extinção devido aos desmatamentos constantes, expansão dos bananais na serra e extração ilegal das bromélias, que são o local de reprodução da espécie.

O professor Daniel trabalhou com a espécie no doutorado. O docente acredita que a conservação do sapinho maranguapense é fundamental para nossa sociedade: "As espécies contempladas pelo PAN estão em algum grau de ameaça devido ao avanço das atividades humanas".

"As ações são muitas. Elas vão desde produção de artigos científicos, até o contato com ONGs, órgãos estaduais de meio ambiente. Há casos em que temos situações extremamente específicas como ações destinadas para os lagartos das dunas da lagoa do Abaeté em Salvador. Cada ação é responsável por contatar colaboradores, apresentar indicadores e resultados", explica.

 

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