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Peixe-leão: Qual origem? É uma ameaça? É venenoso? Como chegou ao Brasil?

O peixe-leão foi encontrado novamente nas praias do Ceará. Você conhece essa espécie perigosa? Saiba suas características, a origem e como identificá-lo na natureza

Grande predador, o peixe-leão já foi encontrado esse ano de 2022 em quatro regiões do Norte e do Nordeste do Brasil. Sua aparição é motivo de atenção devido ao seu veneno perigoso e à ameaça que representa ao ecossistema dos recifes.

Ainda que seus instintos não representem ameaça aos seres humanos, o peixe-leão possui 18 espinhos que liberam toxinas com força suficiente para causar convulsões. Um acidente envolvendo essa espécie pode causar grandes riscos à saúde, como aconteceu no sábado, 23, com o pescador Francisco Mauro da Costa Albuquerque.

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Características do peixe-leão, origem e como chegou ao Brasil

Peixe-leão peixe-dragão, peixe-peru, peixe-escorpião e peixe-pedra são alguns dos nomes populares para a variedade venenosa de peixes dos gêneros Pterois, Parapterois, Brachypterois, Ebosia ou Dendrochirus, da família Scorpaenidae.

Em entrevista para O POVO, Caroline Vieira Feitosa, engenheira de Pesca e professora do Instituto de Ciências do Mar (Labomar), afirma: “O peixe-leão tem um padrão de coloração rajada em tons amarronzados/alaranjados. Tem espinhos longos na nadadeira dorsal e são esses que inoculam o veneno. A nadadeira peitoral também é longa. Quando o peixe está 'armado', fica bem ornamentado.”

O peixe-leão é uma espécie carnívora, nativa do Indo-Pacífico. O animal passou a habitar os mares do Caribe, após a passagem do furacão Andrew, que ocorreu na Flórida, nos Estados Unidos, em 1992. Os peixes-leão, que estavam em um aquário do estado americano foram acidentalmente libertos no oceano e chegaram ao Brasil após atravessarem a barreira de recifes de corais do Rio Amazonas.

Em 2012, a espécie já existia na Venezuela, chegando este ano ao Brasil.

O peixe-leão é perigoso ao ser humano?

Ao ser humano, o veneno do peixe-leão no corpo pode provocar sintomas de dor intensa, seguida de edema local. A vítima também pode sentir náuseas, tontura, fraqueza muscular, respiração ofegante e dor de cabeça. Em casos graves, pode haver convulsão.

O peixe-leão é uma ameaça à vida marinha?

A professora Caroline Vieira comenta: “Nos recifes, é uma espécie carnívora e seu poder de predação é voraz”. Por ser uma espécie invasora e predadora de animais vertebrados e invertebrados, o peixe-leão representa uma ameaça ao ecossistema.

Em nota da Universidade Federal do Ceará (UFC), o professor Marcelo Soares explica que o peixe-leão é uma das espécies invasoras de maior risco local por não possuir predadores naturais.

De acordo com Marcelo, é preocupante que os registros desse peixe sejam em ambientes rasos, pois significa que ele já está espalhado por outras regiões do Brasil. Segundo ele: “estes resultados demonstram que o processo de invasão pode ser bastante rápido, afetando a biodiversidade local, a pesca artesanal, o turismo, sendo também um problema de saúde pública”.

Reprodução do peixe-leão

Outro fator que colabora para a sua rápida ocupação dos oceanos é a reprodução do peixe-leão. Após 48h do ritual de acasalamento, nascem os filhotes e, também em dois dias, eles passam a se alimentar e crescer.

De acordo com a professora Caroline, a fêmea atinge a maturidade com pouco mais de um ano e cerca de 19 cm, sendo ela capaz de liberar 50.000 ovócitos a cada 3 dias quando apta a reprodução.

O que fazer quando um peixe-leão for encontrado?

Caso o peixe-leão seja avistado, informações podem ser passadas para o Sistema Integrado de Manejo de Fauna (Simaf), por meio do site, ou, ainda, pelos e-mails da Secretaria do Meio Ambiente (Sema) cientistachefesema@gmail.com. Além disso, a Secretaria do Meio Ambiente do Estado (Sema) pode ser acionada pelo número (85) 3108 2768.

"O protocolo é se alguém avistar o peixe-leão, é preciso avisar imediatamente às Secretarias Municipais do Meio Ambiente ou diretamente à Sema, para que a gente possa mapear essas ocorrências, ver como o peixe-leão está atuando no nosso litoral e começar atuar nas questões dos protocolos para recolhimento e como lidar com esse tipo de situação”, explica Eduardo Lacerda.

Luís Ernesto, professor do Labomar e cientista-chefe de Meio Ambiente do Ceará, também explica que só é recomendado capturar o animal se existir uma forma segura para fazer isso. "Se a pessoa não tiver experiência ou não se sentir segura, é melhor não arriscar, porque pode se acidentar com os espinhos", pontua.

O professor também explica que o peixe-leão é um animal territorialista, o que pode facilitar sua captura. "Mesmo que seja um mergulhador que esteja tentando capturar, se não conseguir naquele momento por alguma dificuldade, o melhor a fazer é deixar para outro momento em que possa fazer de forma segura", completa.

Um aplicativo para poder inserir informações em casos onde o peixe-leão for avistado no litoral cearense também está sendo produzido, segundo informações de Luís. No dia 6 de maio, será feita uma reunião pelo Observatório Costeiro e Marinho com as Secretarias de Meio Ambiente e de Saúde dos municípios para esclarecimentos sobre a presença do peixe-leão no Estado. (Com colaboração de Marília Serpa e Carolina Parente)

Fontes: Universidade Federal do Ceará (UFC), Portal dos Animais, Bio Curiosidades e Governo do Estado do Ceará

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