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Na véspera da flexibilização, parte das pessoas já não usa máscara no Parque Rachel de Queiroz

Entre piqueniques, pedaladas, jogo de futebol, passeio com cachorros, aula de dança e caminhada, a população aproveitava a tarde de domingo no segundo maior parque de Fortaleza, com 10 km de extensão

A partir desta segunda-feira, 21 de março, começa oficialmente a flexibilização do uso de máscaras para a prevenção contra a Covid-19 em todo o Ceará, e o item não será mais obrigatório para a realização de atividades ao ar livre. Um dia antes da liberação, no Parque Rachel de Queiroz, localizado no bairro Presidente Kennedy, muitos dos frequentadores já não o utilizavam — enquanto outros criticavam a decisão.

Entre piqueniques, pedaladas, jogo de futebol, passeio com cachorros, aula de dança e caminhada, a população aproveitava a tarde de domingo no segundo maior parque de Fortaleza, com 10 km de extensão.

O vendedor Jackson Belarmino, 34, estava no Rachel de Queiroz para uma reunião familiar. Para ele, a flexibilização do uso da máscara é positiva e irá "atender a todos os lados". "Quem precisa do uso da máscara, continue. Quem também não precisa, que se sinta à vontade de não usar, porque o governador decretou que pode não usar mais a máscara", afirma.

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Mas não é em todas as situações, mesmo ao ar livre, que Jackson Belarmino pretende não utilizar o equipamento. Em aglomerações, quando não for possível manter distanciamento das outras pessoas, ele diz que irá utilizar máscara de proteção. "Hoje, (no parque) percebemos que as pessoas têm essa consciência de estar um pouco distante umas das outras, mas há locais abertos em que realmente você precisa usar máscara."

Para o estudante Luigi Pimenta, 24, e a webdesigner Claudiana Viana, 25, ainda é cedo demais para liberar. "Tem muita gente que não tomou a terceira dose ainda", aponta Luigi. É o caso de Claudiana, que teve que adiar a vacinação contra a Covid-19 por ter adoecido. Por isso, o estudante diz que vai continuar usando máscara. "Por agora, acho até meio irresponsável essa decisão de retirar a obrigatoriedade", afirma.

Em todo o Estado, até a última quinta-feira, 17, menos da metade da população havia tomado a terceira dose da vacina contra a Covid-19. Segundo informações do vacinômetro da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), a cobertura vacinal com a dose de reforço é de 49,07%. Em Fortaleza, a cobertura vacinal é de 49,8%, segundo os dados mais recentes da Sesa.

A funcionária pública Jamilli Honorato, 44, acredita que a mudança seja precipitada e diz que vai continuar utilizando máscara, além de manter outros cuidados, como manter distanciamento físico. "Eu acho um risco. Estamos tão recentes (do) avanço de tantas doenças respiratórias, como foi no início do ano a H1N1, essas novas variantes do coronavírus", afirma.

Moradora do entorno do parque, Dayanne Borges, 25, costuma ir com frequência ao local. Para ela, foi perceptível a mudança após o anúncio do governador Camilo Santana (PT) sobre a flexibilização do uso de máscara. "Acho que realmente a galera incorporou mesmo o anúncio", relata.

Também sem máscara, a estudante de Jornalismo tinha ido à área específica para animais de estimação e afirma que, no local, a maioria das pessoas não utilizava o item. Dayanne diz que vai agir de acordo com decreto e continuar utilizando o item nos locais onde é obrigatório.

"Acredito que o decreto do governador sempre foi baseado em estudos científicos e que, se ele tomou essa decisão, é porque realmente há essa possibilidade, essa oportunidade, de estar sem a máscara. E acredito que, de acordo com com a flexibilização, era uma tendência a acontecer mesmo", afirma.

O que diz o decreto estadual sobre a flexibilização do uso de máscara

A liberação é válida apenas para ambientes abertos, como:

  • Praças
  • Calçadas
  • Parques
  • Ruas
  • Áreas de lazer
  • Centros abertos de eventos
  • Feiras
  • Estádios de futebol

O decreto estadual define como espaço aberto todo aquele que não seja cercado ou delimitado por teto e paredes, divisórias ou qualquer barreira física e que seja destinado à utilização simultânea de várias pessoas.

O uso de máscara ao ar livre continua sendo recomendado para idosos, pessoas com comorbidades e pessoas que estejam com sintomas gripais.

As máscaras continuam obrigatórias em locais fechados, como:

  • Transporte público
  • Escolas
  • Salas de aula
  • Cinemas
  • Shoppings
  • Supermercados
  • Academias etc.

Os espaços fechados, segundo o documento, são aqueles delimitados por barreiras físicas, como teto e paredes ou divisórias, e destinados à utilização por várias pessoas simultaneamente. Nesses locais, o uso de máscaras segue obrigatório em todo o Ceará. Assim, o equipamento de proteção contra a Covid-19 deve ser utilizado nos ônibus, salas de aula, cinemas, shoppings, supermercados, academias etc.

Apesar da liberação, a seção do documento especificando eventos continua citando o uso de máscaras como obrigatório. O texto indica que eventos festivos, sociais e corporativos "poderão ocorrer desde que tenham controle de acesso e o público utilize máscara de proteção, ficando o ingresso condicionado à exigência do passaporte sanitário".

O que indica a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS)

Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), braço regional da Organização Mundial da Saúde (OMS), indica três situações em que o uso de máscara é recomendado onde há transmissão comunitária ou clusters do vírus da Covid-19.

  • Em ambientes internos onde há pouca ventilação, onde não se pode avaliar a qualidade da ventilação ou nos quais o sistema de ventilação não é mantido de maneira adequada, independentemente do distanciamento físico;
  • Em ambientes internos com ventilação adequada se o distanciamento físico de pelo menos 1 metro não puder ser mantido;
  • Em ambientes externos onde o distanciamento físico de pelo menos 1 metro não puder ser mantido.

Essas recomendações foram atualizadas pela OPAS em 5 de janeiro de 2022 e são indicadas ao se interagir com indivíduos que não são membros de própria residência, independentemente do estado de vacinação ou de infecção prévia.

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