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Pesquisadores da Urca denunciam comércio ilegal de fósseis do Cariri cearense

Nesta segunda-feira, 15, em entrevista exclusiva à rádio CBN Cariri, o professor e coordenador do Laboratório de Paleontologia da Universidade Regional do Cariri, Hálamo Feitosa, falou sobre esse assunto em programa apresentado pelo jornalista Jocélio Leal
22:23 | Nov. 15, 2021
Autor Carolina Parente
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Tipo Notícia

Pesquisadores e professores da Universidade Regional do Cariri (Urca) denunciam ao Ministério Público Federal (MPF) o tráfico de fóssil da Bacia do Araripe, situada nas imediações do Cariri cearense, encontrado em site de vendas europeu. A espécie foi identificada ocasionalmente pela paleontóloga Flaviana Jorge de Lima e pelo professor Hálamo Feitosa durante um levantamento de bibliografia para escrita de artigos científicos.

Hálamo Feitosa, que também é coordenador do Laboratório de Paleontologia da Urca, disse que costuma buscar na internet, por meio do portal Capes e de outros sites, estudos que tenham sido feitos recentemente. Ao fazer a pesquisa, para sua surpresa e de Flaviana, se deparou mais uma vez com uma oferta de venda ilegal de fósseis caririenses.

O Ministério Público Federal foi acionado sobre o caso, que também foi comunicado à Polícia Federal. O MPF em Juazeiro do Norte tem sido “muito bom”, atendendo prontamente os pleitos dos acadêmicos no sentido de levar a questão à justiça internacional para trazer de volta o material que pertence ao Brasil.

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Hálamo Feitosa diz achar que o número de pedidos de repatriação de fósseis locais comercializados fora do país de maneira ilícita já passou de uma dezena. “A gente pede a repatriação desse material porque, bem ou mal, o Brasil tem uma legislação que diz que a saída ilegal de fósseis é um crime e que deve ser pedido de volta”, conta à Jocélio Leal em entrevista exclusiva à rádio CBN Cariri.

O professor afirma que com os pedidos de devolução e repatriação de artefatos paleontológicos, tem-se notado a diminuição de ofertas de fósseis da Bacia do Araripe na internet. Agora, a venda se dá de forma direta entre traficantes e compradores “aficcionados pela paleontologia” no continente europeu, principalmente na Alemanha.

“Temos que continuar insistindo até que eles resolvam devolver esse material ou até que a Justiça da França, da Alemanha, da Inglaterra e de outros países resolvam dar ganho de causa e nos enviar de uma vez esse patrimônio cultural e científico que é indiscutivelmente nosso, do povo cearense, do povo caririense”, articula Hálamo Feitosa.

Como os fósseis são escoados para o exterior?

“A grande questão é como eles tiram esse material do Brasil”, diz o professor. Sabe-se que os fósseis são levados em caminhões do Cariri para São Paulo ou Fortaleza, de modo que para escoá-los, os traficantes compram “uma carrada de laje” e cobrem os objetos a serem vendidos. "Ainda tem muito material que foi traficado daqui nos anos 90 e na primeira década dos anos 2000 e esse material está sendo paulatinamente desovado”, continua.

Hálamo Feitosa se coloca à disposição, ainda, para tentar resolver o problema, assim como também aprova que pessoas realizem denúncias sobre a situação de venda ilegal de animais e plantas fossilizados ou que pessoas realizem voluntariamente a devolução de artefatos paleontológicos. Ele afirma que muitas gente ainda guarda em casa fósseis que receberam como presentes de familiares.

"Tem que lembrar que lugar de fóssil é no museu. O fóssil é um bem da União e não pode ficar na mão de um particular”, finaliza o professor.

Como denunciar?

Para denunciar, basta ligar 190, para a Polícia Ambiental, para o Museu de Paleontologia da Urca, para o Ministério Público Federal, para Polícia Federal ou então comunicar ao professor Hálamo pelo WhatsApp dele: (88) 99950303.

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