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Pesquisadores da UFC desenvolvem revestimento que aumenta vida útil de alimentos

Com a invenção, a instituição conquista sua 10° carta patente. O revestimento pode ser usado em diversos alimentos, como frutos e hortaliças
21:49 | Ago. 09, 2021
Autor - Lara Vieira
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- Lara Vieira Autor
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A Universidade Federal do Ceará (UFC) anunciou nesta segunda-feira, 9, a conquista de sua 14ª carta patente. O mérito é devido a invenção de um revestimento que aumenta a durabilidade dos frutos pós-colheita. O produto, desenvolvido no Departamento de Engenharia de Alimentos (DEAL), vinculado ao Centro de Ciências Agrárias da UFC, é feito com uma base de soro de leite e óleo essencial de erva-doce.

De acordo com comunicado da instituição, a eficiência do revestimento foi comprovada a partir de testes utilizando o mamão como fruta-modelo, da espécie Carica papaya L. A escolha se deu pela importância econômica que o fruto tem, bem como por ser suscetível a diferentes doenças depois de ser colhido. Por conta de seu alto nível de comercialização, o mamão também sofre com alto percentual de perdas.

As frutas usadas estavam em estado 2 de maturação, quando a fruta está com apenas 25% da superfície amarelada. Todos foram higienizados, imersos no revestimento, secados e acondicionados em caixas plásticas e armazenados à temperatura de 12º C. Os resultados indicaram que, com o revestimento, houve aumento de até 10 dias no tempo de vida útil do alimento. O mamão sem revestimento, por outro lado, mudou sua coloração em 13 dias. Já o mamão revestido chegou no mesmo estágio em 23 dias.

Revestimento adia etapa mais avançada de amadurecimento em até 23 dias
Revestimento adia etapa mais avançada de amadurecimento em até 23 dias (Foto: UFC/Reprodução)

"O principal diferencial [do revestimento] se deve ao fato de ser formulado com base em produtos naturais", destaca a professora Lucicléia Barros, que assina a invenção. Ela ressalta que se trata de "uma tecnologia limpa para tratamento pós-colheita de frutas e hortaliças, capaz de promover o aumento da vida útil sem deixar resíduos tóxicos".

O revestimento pode ser aplicado também em outros alimentos, entre frutos e hortaliças, sendo necessário apenas ajustes nas proporções das substâncias que o compõem. "Ao passo que esse revestimento aumenta o tempo de vida útil de vegetais, aumenta também o prazo para comercialização, consequentemente reduzindo o descarte", aponta. Segundo a professora, no Brasil, as perdas na cadeia de frutas e hortaliças podem chegar a até 40%.

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Patente

A invenção teve origem na dissertação de mestrado da pesquisadora Jorgiane da Silva Severino Lima, no Programa de Pós-Graduação de Ciência e Tecnologia de Alimentos. Já o pedido de depósito para a invenção foi feito em fevereiro de 2016 no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), sendo a carta expedida em julho deste ano. Assina ainda como inventor o professor José Maria Carvalho de Castro.

A perspectiva da equipe com a patente é estabelecer parcerias com setores empresariais. "Temos expectativas de uma aproximação cada vez maior entre a UFC e o setor produtivo e esperamos consolidar a transferência dessa tecnologia para empresas atuantes no setor agroalimentar", projeta a professora Lucicléia Barros.

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Professor da UFC é preso suspeito de ter abusado sexualmente de uma criança

Fortaleza
17:00 | Ago. 09, 2021
Autor Gabriela Almeida
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Um homem de 51 anos, que é professor de piano do curso de Música da Universidade Federal do Ceará (UFC), foi preso na última quarta-feira, 4, em Fortaleza, sob suspeita de ter abusado sexualmente de uma menina de seis anos. O docente teria cometido o ato criminoso contra a criança em 2012, em Brasília, no Distrito Federal (DF), e vivia como foragido da Justiça na Capital cearense. Informações foram publicadas no site da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). 

O abuso sexual só foi descoberto quando a vitima entrou na adolescência. Isso porque, conforme depoimentos colhidos pela polícia, aos 12 anos a menina passou a apresentar dificuldade em se relacionar com colegas da escola, vivia sempre chorando e se mantinha isolada. Preocupada, a mãe da garota resolveu ler a agenda particular da filha, onde se deparou com relatos do estupro sofrido. No diário, a menina contava que sofria violência sexual aos seis anos, por um amigo do pai dela. 

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O caso foi então encaminhado para a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), onde foi investigado. Logo em seguida ele foi mandado ao judiciário e teve como resultado a sentença condenatória em desfavor do acusado, com decreto de sete anos e sete meses de reclusão.

A expedição do mandado de prisão ocorreu em abril de 2018, mas naquela época o acusado não morava mais no Distrito Federal. Foi então iniciada uma operação chamada de O Pianista, em busca de encontrar o foragido. No decorrer da investigação foi descoberto que o suspeito residia em Fortaleza, ocupando o cargo de professor adjunto do curso de Licenciatura em Música da UFC, onde ensinava piano.

Vivendo como professor universitário o homem tinha doutorado e sustentava um currículo que o dava respeito dentro e fora da instituição acadêmica. Um equipe da DPCA veio então a Capital e atuou, na última semana, para a prisão do individuo, levando ele ao sistema prisional de Brasília.

O POVO procurou a UFC, nesta segunda-feira, 9, para saber se a entidade chegou a fazer uma apuração antes da contratação do foragido, indagando também sobre o tempo em que o homem atua na instituição. Como resposta, o órgão afirmou que não teve conhecimento do fato.

"A Universidade Federal do Ceará não tinha conhecimento do caso, nem recebeu qualquer comunicado oficial sobre o ocorrido, não podendo se pronunciar no momento. A UFC repudia com veemência o crime mencionado e, desde já, coloca-se à disposição das autoridades para o que se fizer necessário", disse em nota a entidade.

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Avião Solidário: pele de tilápia do Ceará recebe tratamento em São Paulo para uso medicinal

Economia
18:32 | Ago. 06, 2021
Autor Redação O POVO
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Reconhecido internacionalmente, o projeto desenvolvido na Universidade Federal do Ceará que utiliza pele de tilápia no tratamento de queimaduras recebeu o apoio do Avião Solidário da Latam e deve ter 75 quilos de pele do peixe transportados para São Paulo entre este ano e o primeiro semestre de 2022.

A pele será levada para o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), onde receberá a radioesterilização - processo necessário para que as peles de tilápia possam ser usadas como curativos biológicos no cuidado de queimaduras.

O material é destinado à pesquisa pelo setor de piscicultura de Itarema, a 214 quilômetros de Fortaleza, e será usado pelo Instituto de Ajuda aos Queimados (IAQ), do Ceará, que fechou parceria com a Latam para o transporte das peles entre São Paulo e Ceará, e retorno.

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"A utilização da pele de tilápias que seriam descartadas é fundamental para salvar a vida de pessoas e animais vítimas de queimaduras", reforça a nota da Latam.

A companhia aérea comemora 25 anos de projetos solidários em 2021 e contabiliza mais de 13 mil passagens doadas para projetos sociais, mais de 4,5 mil animais transportados para preservação ambiental e mais de 13 mil órgãos e tecidos transportados para transplante.

"Por meio do programa Avião Solidário, a companhia transporta pessoas e cargas em prol de causas humanitárias, ambientais, de saúde e educação por meio de apoio à ONGs em projetos de longo prazo ou em situações emergenciais", diz a empresa.

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Equipe da UFC impede ação de despejo que prejudicaria 250 pessoas em situação de rua

fortaleza
23:00 | Ago. 05, 2021
Autor Gabriela Almeida
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Francisco Santana da Silva, 53, atua desde 1987 como dirigente da Casa São Maximiliano Kolbe, situada no bairro Jacarecanga, em Fortaleza, onde presta assistência diária a cerca de 250 pessoas em situação de rua. Passando por dificuldades financeiras, o Irmão Francisco, como é conhecido, recebeu uma ação de despejo do imóvel que poderia acabar com o trabalho de décadas. Foi graças a uma equipe formada por alunos da Faculdade de Direito (Fadir) da Universidade Federal do Ceará (UFC) que isso não aconteceu.

A história por trás da ação de despejo teve inicio no começo de 2020. Isso porque, foi exatamente nessa época que a senhora que costumava doar o valor do aluguel do imóvel faleceu, vitimada pela Covid-19. Desempregado e sem assistência financeira, Francisco não teve mais condições de pagar pela moradia, onde diariamente, entre outras ações, serve café da manhã para centenas de pessoas em situação de rua.

Os responsáveis pela locação da casa entraram então com uma ação judicial, cerca de um ano depois, cobrando o valor total da pendência do aluguel que na época já passava de oito mil. No dia 13 de junho de 2021, veio a ordem judicial solicitando que Francisco saísse do imóvel de forma voluntária em apenas 15 dias. Esse foi o período que ameaçou a existência de um projeto de décadas.

"É o quadro da desigualdade social. Uns com muito, outros com pouco e assim a gente vivendo. Mas sigo aqui, com alegria. O que faz com que a gente lute é a gente ter esperança, ter fé. O melhor de tudo isso é a que a gente tem forças pra lutar, fazer com que essa desigualdade seja um pouco amenizada", desabafa o Irmão Francisco ao lembrar do período em que recebeu a decisão judicial.

O que ele não esperava é que a história fosse chegar até o conhecimento da professora Raquel Coelho, da disciplina Direito Constitucional II da Fadir, que levou o caso para sala de aula. Não foi preciso muito para que os alunos, que ainda estão no terceiro semestre do curso, decidissem ajudar o projeto. Eles estudaram a peça judicial e encontraram brechas que possibilitaram contestar a decisão.

"Nossos alunos não estão alheios aos problemas sociais. Ao contrário, a juventude que ingressa na faculdade de Direito de uma universidade pública, quer fazer a diferença, quer mudar, alinhar seus conhecimentos à luta por direitos daqueles que estão vulnerabilizados por várias situações de injustiças sociais", destacou a docente Raquel ao O POVO, sobre a participação dos alunos na iniciativa.

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Contando com apoio de advogados voluntários, a equipe entrou na Justiça e apresentou uma contestação à liminar de despejo - que foi aceita pela juíza titular da 11ª Vara Cível da Comarca de Fortaleza. Na ocasião, a ordem foi suspensa pelo prazo de seis meses, com base na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF 828), que proíbe ações de despejo de pessoas em vulnerabilidade.

"É a universidade a serviço da comunidade, dos que não tem nada, dos que têm o direto negado. É a universidade indo até as pessoas, indo até as pessoas que mais precisam, foi assim que senti", declarou o irmão Francisco, relatando o sentimento ao ser ajudado pela equipe.

Raquel Coelho (ao centro) e parte da equipe que atuou para evitar o despejo.
Raquel Coelho (ao centro) e parte da equipe que atuou para evitar o despejo. (Foto: Ribamar Neto / UFC Informa)

Apesar da alegria, que parece estar sempre presente em sua voz, Francisco ainda vive o drama de não ter a dívida perdoada e precisa juntar dinheiro para conseguir esse feito - sonhando também em ter uma casa própria para realizar as ações do projeto. Por essa razão, a equipe da UFC continua acompanhando caso, além de outras instituições prestarem apoio. Também está sendo realizado um financiamento coletivo para a compra de um imóvel (veja abaixo mais informações).

O testemunho por trás da história 

Quando a equipe do O POVO entrou em contato com Francisco, ele pediu para retornar em algumas horas, pois estava no Instituto Médico Legal (IML) realizando procedimentos necessários para a liberação do corpo de uma pessoa em situação de rua. Foi dessa forma, crua, que o homem mostrou, mesmo em poucas palavras, a entrega pelo trabalho humano que realiza há pelo menos duas décadas. 

A Casa São Maximiliano Kolbe faz parte da Associação Beneficente Padre Arturo Juncosa Carbonell (ABPAJC). Em 1987, Francisco passou a trabalhar no imóvel após sentir a necessidade de "testemunhar o evangelho de Jesus Cristo de Nazaré", como ele mesmo diz. Desde então, há mais de duas décadas ele tem realizado ações para auxiliar pessoas em situação de rua. Entre elas está a entrega diária de café da manhã para esse público, refeição que ele acorda de madrugada para preparar.

As ações, contudo, vão muito além de algo momentâneo. Junto a voluntários, Francisco acompanha as pessoas inseridas nesse tipo de situação oferecendo cuidados como levá-las para tirar documentos ou à comunidade terapêutica, fazendo ainda visitas àqueles que precisam ficam internados. Ao O POVO, o homem conta satisfeito que uma mulher, que há 11 anos está em situação de rua, vai finalmente rever a família que mora em outro estado graças ao acompanhamento realizado pelo projeto.

"Meu grande desafio todos os dias é tentar viver Jesus de Nazaré", reforça, destacando ainda que o objetivo maior do projeto é ajudar esse grupo a "construir uma história" para que "eles tenham um projeto de vida". São também doados roupas e materiais de higiene. Durante a campanha de vacinação contra Covid-19 para esse público em Fortaleza, o imóvel cedeu o espaço para profissionais realizarem a ação, dando ainda café da manhã e almoço para os contemplados.

Saiba como ajudar

O projeto não conta com apoio financeiro de instituições públicas e sobrevive de doações. A casa fica localizada na rua Carneiro da Cunha, 219, no bairro Jacarecanga, em Fortaleza. Quem desejar saber como entregar alimentos, roupas, entre outros, pode ligar para o número: 85 99620-3939.

No Instagram, o projeto mantém uma conta para divulgar o financiamento coletivo, acessível no 
@campanhakolbe. O e-mail é: [email protected] e o link para contribuir com a vakinha pode ser acessado no link: http://vaka.me/2247236

Com informações da UFC

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Casas de Cultura Estrangeira da UFC ofertam 134 vagas em seleção

Fortaleza
22:03 | Ago. 04, 2021
Autor Lara Vieira
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As Casas de Cultura Estrangeira da Universidade Federal do Ceará (UFC) receberão inscrições, para seleção de nível dos seus cursos regulares de idiomas em 2021.2. Serão ofertadas 134 vagas, distribuídas entre as casas Alemã, Britânica e Italiana. As inscrições acontecem das 8 horas do dia 23 de agosto até às 23h59min do dia 24 de agosto de 2021. As aulas estão previstas para serem iniciadas em 11 de outubro, de forma online.

Segundo a instituição, para se inscrever, o candidato precisa usar uma conta do Gmail e preencher um formulário eletrônico. Caso não possua, ele pode criar uma conta gratuitamente. A inscrição para a seleção não requer pagamento de taxa. Ainda, no ato da inscrição, o candidato deverá indicar a ordem de preferência de turmas para as quais concorrerá.

De acordo com o informado pela UFC, no entanto, a oferta de vagas de seleção de nível destinada à Casa de Cultura Francesa e aos cursos de Esperanto e Libras será preenchida por alunos veteranos que efetuaram a supressão da matrícula em semestres anteriores, em razão da pandemia de Covid-19. No caso da Casa de Cultura Hispânica, não haverá seleção porque serão convocados candidatos classificáveis do processo seletivo anterior.

Para o teste de nível, o candidato terá que comprovar ter cursado uma quantidade mínima de horas em um curso de língua estrangeira no qual foram trabalhadas as seguintes habilidades no idioma: leitura, escrita, fala e compreensão auditiva. O candidato poderá se inscrever para um único semestre. Será eliminado da seleção o candidato que não comprovar a carga horária mínima necessária, de acordo com o edital; não seguir as orientações de preenchimento do formulário eletrônico de inscrição ou se inscrever em mais de um semestre.

O resultado final da seleção, após os recursos, será divulgado no dia 3 de setembro, no site da Coordenadoria-Geral das Casas de Cultura Estrangeira. Enquanto perdurar a suspensão das atividades presenciais na UFC, em decorrência do isolamento social causado pela pandemia de Covid-19, as aulas serão ministradas a distância.

Serviço:

Dúvidas específicas sobre o processo seletivo devem ser encaminhadas ao e-mail [email protected]

Clique aqui para acessar o edital

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UFC analisa mais de 150 casos de possível uso indevido de cotas

FRAUDES
22:37 | Ago. 03, 2021
Autor Gabriel Borges
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O sonho de chegar ao ensino superior faz parte da vida de muitos brasileiros. Entre 2009 e 2019, de acordo com dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o total de matrículas na educação superior subiu 43,7% no Brasil. Mesmo assim, o acesso ao ensino superior não é simples, principalmente para o grupo PPI (pretos, pardos e indígenas), que luta contra a desigualdade histórica e o racismo estrutural latentes no País.

O Brasil possui mais de 8,6 milhões de estudantes matriculados em instituições de ensino superior, segundo os dados do Inep referentes ao ano de 2019. No entanto, apenas 613 mil se declararam pretos, o que representa apenas 7,12% do total. Diante do cenário adverso, as minorias ainda enfrentam outro problema, as recorrentes tentativas de fraudes ao sistema de cotas. Na Universidade Federal do Ceará (UFC), nove cursos já tiveram candidatos com matrícula cancelada por indeferimento no enquadramento de cotas, sendo eles: Direito, Engenharia Química, Medicina, Psicologia, Engenharia Civil, Engenharia de Produção Mecânica, Ciências Sociais, Ciências Econômicas e Jornalismo.

De acordo com a Universidade, 27 matrículas foram canceladas por indeferimento no enquadramento de cotas. Atualmente, outros 151 casos estão em processo de análise. Os casos são referentes às edições anteriores do Sistema de Seleção Unificada (SISU), pois em 2021 a banca de heteroidentificação que avalia divergências na autodeclaração dos candidatos está paralisada.

"Consideramos isso um problema. Diversas outras universidades estão fazendo isso de forma virtual. Existem muitos processos parados porque a gente faz a denúncia para a ouvidoria da universidade, é instaurado o processo, mas fica parado", relata Diogo Augusto, estudante de Medicina e membro da Famed Preta, grupo que busca amparar candidatos prejudicados por possíveis fraudes.

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Segundo a UFC, a banca de heteroidentificação está em processo de renovação de portaria para dar continuidade aos trabalhos, pois a portaria que instituía a comissão de 2020 perdeu vigência. A expectativa da Universidade é que a retomada das avaliações ocorra durante o segundo semestre de 2021.

A Universidade destaca ainda que fez o mapeamento de todas as denúncias durante o período da pandemia. Informa ainda que "todos os trabalhos permaneceram ativos, com exceção das convocações presenciais para heteroidentificação".

Mesmo com a Universidade garantindo total atenção aos possíveis casos de fraude, a preocupação dos estudantes é com o tempo que levará para cada caso ser analisado. "Se essas pessoas não passarem pela comissão logo, a última chamada de suplentes será em setembro, se os que estiverem fraudando não saírem logo, essas vagas ficarão perdidas, pois elas não vão mais para pessoas PPI, elas vão para transferência externa", declara um estudante de Medicina membro do Famed Preta, que prefere não se identificar por medo de represália.

Levando em consideração os dados divulgados em dezembro de 2020 pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), o Estado possui 72% da população total que se declara negra ou parda. De acordo com a análise do Ipece, a frequência escolar líquida da população de 18 a 24 anos de idade, no ensino superior no Ceará, é de 31,1% para brancos e de 20,2% para negros.

De acordo com Diogo Augusto, o grupo Famed Preta é inspirado em uma organização existente em umas das maiores universidades do País, o comitê antifraude que foi criado por pessoas negras da Universidade de São Paulo (USP). No momento, 193 denúncias de fraudes no sistema de cotas raciais estão sendo avaliadas pela universidade paulista.

Outro ponto de reclamação dos estudantes é o fato de que possíveis fraudes só serão identificadas em caso de denúncia dos alunos, uma vez que a UFC não possui nenhum método para identificar possíveis casos de divergências no processo de autodeclaração para que sejam levados até a banca de heteroidentificação. "É uma verdadeira deturpação de uma política tão importante para as minorias étnicas, porque ocorre principalmente no curso de Medicina e em outros cursos mais elitizados, a gente fica muito triste", diz Augusto.

A UFC alega que "até 2020 a documentação de cota era conferida em momento posterior ao momento de solicitação de matrícula". Entretanto, "em 2021, em razão da pandemia, a etapa de solicitação de matrícula passou a ser integralmente virtual", o que, segundo a Universidade, está prejudicando a análise preliminar das características fenotípicas do candidato. Sendo a denúncia o único método adotado para inclusão em procedimento de heteroidentificação.

Denúncias podem ser feitas na Ouvidoria da UFC, com a indicação do nome e curso do aluno ou candidato denunciado. De acordo com a Universidade, essas informações podem ser obtidas no site do SISU na UFC, por meio das listas de convocação. A UFC pede que o denunciante, se possível, encaminhe fotos do denunciado ou qualquer outro elemento que reforce a materialidade da denúncia.

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Serviço
Ouvidoria Geral da Universidade Federal do Ceará

WhatsApp: (85) 3366.7339
E-mail: [email protected]
Horário de Funcionamento: Das 8 às 12 horas e das 13 às 17 horas (apenas atendimento remoto)
Endereço: Av. da Universidade, 2995 – Benfica (Área III do Centro de Humanidades – ao lado da Fundação Cearense de Pesquisa e Cultura)

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