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Ceará
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Indígena Pitaguary passa em três cursos superiores e agora se prepara para ser médico

Aldemir da Silva, jovem idígena pertencente ao povo Pitaguary, começou a se preparar no 3º ano do ensino médio. O jovem tem recebido ajudas para poder cursar Medicina em Mato Grosso, cidade em que foi aprovado

10:06 | 22/07/2021
O jovem vinha se preparando desde 2017, quando estava no terceiro ano do ensino médio, conciliando os estudos nos períodos da manhã e da tarde com um cursinho preparatório para o vestibular no horário da noite (Foto: Arquivo pessoal)
O jovem vinha se preparando desde 2017, quando estava no terceiro ano do ensino médio, conciliando os estudos nos períodos da manhã e da tarde com um cursinho preparatório para o vestibular no horário da noite (Foto: Arquivo pessoal)

Natural de Maracanaú, município do estado do Ceará, Francisco Aldemir da Silva Freitas, 21, foi aprovado em Medicina pela Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) através Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2020. A aprovação no curso, sonhada pelo jovem pertencente ao povo indígena Pitaguary, foi garantida em maio deste ano, com a graduação à distância iniciando uma semana depois.

O jovem vinha se preparando desde 2017, quando estava no terceiro ano do ensino médio, conciliando os estudos nos períodos da manhã e tarde na Escola Estadual de Educação Profissional Raimundo Célio Rodrigues, na cidade de Pacatuba. Ele ainda fazia um cursinho preparatório no horário da noite, em Maracanaú.

O resultado da dedicação de Aldemir veio antes da aprovação em Medicina. O jovem também passou no curso de Enfermagem pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), na Paraíba. Mas o desejo sempre foi de ser médico, então ele continuou estudando para conseguir conquistar a vaga que sempre desejou, conciliando com os estudos do primeiro curso universitário.

Mais uma vez, sua dedicação trouxe retorno. O indígena foi aprovado em Odontologia na mesma universidade, deixando Enfermagem para trás. Nas duas graduações, por ter conseguido a vaga por meio de cotas para indígenas, o jovem recebia o auxílio do Programa Bolsa Permanência, que o ajudou a se manter na Paraíba durante o período.

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O estudante, porém, também não conseguiu se identificar com o segundo curso em que foi aprovado, comprovando que sua verdadeira vocação e sonho se encontravam na Medicina. A preparação para a sonhada aprovação aconteceu enquanto o jovem ainda estava na graduação de Odontologia. “Eu ficava estudando durante os intervalos das aulas, revisava por meio de vídeo aulas no YouTube e fazia redações em casa quando tinha tempo”, conta.

Medicina e as aulas presenciais

 

Aldemir foi aprovado em Medicina no dia 6 de maio deste ano, por meio do Enem realizado no ano passado. Suas aulas iniciaram uma semana depois, no estilo remoto, e se encerram em 20 de agosto, quando conclui o primeiro semestre da graduação. A previsão é de que as aulas presenciais e práticas iniciem a partir do próximo dia 6 de setembro.

A sensação do estudante não é somente de estar realizando seu sonho, mas de grande responsabilidade pela representatividade que sua aprovação trouxe para ao povo indígena. "Minha aldeia está me dando total suporte e confiando em mim. Sou o primeiro indígena Pitaguary que passou em Medicina e isso me orgulha muito pelo fato de eu poder ser exemplo e referência para outras pessoas que também sonham com o curso", explica.

Gesto de solidariedade 

 

Com a previsão do retorno das aulas presenciais a partir de setembro, Aldemir precisou lidar com a dificuldade de encontrar meios para poder se mudar para Mato Grosso, cidade da sua graduação em Medicina, e se manter durante o período do curso. Morando com a mãe, que está desempregada, e com quatro irmãos no bairro Vila das Flores, em Pacatuba, a família recebe ajuda do pai, soldador elétrico, que mora em outra casa.

Observando a luta e a persistência do jovem para continuar vivendo a realização do seu sonho, seus amigos resolveram entrar em ação. Delon Freitas, amigo de Aldemir, foi o responsável por abrir uma campanha para arrecadar R$ 10 mil, dinheiro que será utilizado pelo jovem para se manter enquanto estuda em outro estado.

“Ele disse que não poderia ajudar [com dinheiro], mas que iria criar uma vaquinha por meio dos contatos que ele já tem. Ele criou na intenção de ajudar, principalmente nos gastos iniciais que eu vou ter, como a questão de móveis, passagem de transporte, alimentação e aluguel”, explica o estudante.

A campanha online é chamada de “Eu não estou sozinho” e pode ser acessada por meio do link para quem desejar contribuir na causa.

Passagens aéreas garantidas

 

O prefeito de Maracanaú, Roberto Pessoa (PSDB), recebeu na manhã desta quarta-feira, 21, o jovem indígena com a intenção de oferecer ajuda para que o estudante continue estudando.

Sensibilizado pela história do rapaz por meio da campanha de arrecadação, Roberto vai custear, por meio de recursos próprios, as passagens aéreas para o deslocamento do estudante para Mato Grosso.

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