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Ceará
NOTÍCIA

Saiba como coletar amostra de DNA para auxiliar buscas por parentes desaparecidos no Ceará

Polícia cearense vai coletar o material, que será compartilhada em bancos de dados de todo o Brasil

Júlia Duarte
14:21 | 11/06/2021
A ação vai ser executada pela a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Estado do Ceará (SSPDS) (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)
A ação vai ser executada pela a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Estado do Ceará (SSPDS) (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Longos dias esperando que um ente querido volte para casa, em busca de sinal ou expectativa de retorno. Essa é uma das angústias de quem tem um parente desaparecido. Para ajudar nas buscas, a polícia cearense vai começar a colher o material genético de familiares e gerar um banco de dados desses parentes para que que sejam compartilhados com todos o estados do Brasil e no Distrito Federal. Ação de coleta de material acontece entre os dias 14 e 18 de junho, na próxima semana. Hoje, o Ceará tem uma lista de 2 mil pessoas desaparecidas.

A ação faz parte da campanha nacional "Desaparecidos" e, no Ceará, será executada pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Estado do Ceará (SSPDS), por meio da parceria entre Pericia Forense (Pefoce), Polícia Civil (PCCE) e a Superintendência de Pesquisa e Estratégia de Segurança Pública (Supesp). O Ministério Público do Ceará (MPCE) também está envolvido na iniciativa.

A realização da ação é do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e os estados deverão compartilhar os perfis genéticos por meio da Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos (RIBPG) para que os dados sejam cruzados, o que deve aumentar a possibilidade de localização de pessoas desaparecidas pelo Brasil. "É uma estratégia para que pessoas desaparecidas aqui no Estado do Ceará possam ser eventualmente localizadas em outros estados. E também coletas forenses realizadas em outros estados poderão levar à identificação de pessoas no Ceará", ressaltou o titular da SSPDS, Sandro Caron.

Ana Cláudia, perita de DNA forense explica que, no momento da coleta, os familiares preenchem formulários e assinam um termo de consentimento para que o material seja compartilhado com o banco de dados. Eles podem levar objetos pessoais dos desaparecidos, que não tenham sido usadas por outras pessoas, bem como os documentos do ente querido. "Como escova de dentes, escova de cabelo. Geralmente, as famílias guardam esses pertences, têm até um apego para sentir a pessoa mais próxima. Eles normalmente têm esses materiais guardados. Pode se dente de leite, óculos", pontua. Depois de coletadas, as amostras são encaminhadas ao laboratório.

A Pefoce já mantinha um banco de dados genético, mas era utilizado para as investigações de outros tipos de crimes e, agora, terá a ampliação para atuar na identificação de pessoas desaparecidas. "Nós teremos uma nova utilização para nosso banco genético. Ele parte da Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos (RIBPG) que tem comunicação com bancos todos os estados. Essas investigações acontecem rotineiramente, agora, esse banco nós utilizaremos para encontrar pessoas desparecidas ", afirma o perito geral da Pefoce, Júlio Torres.

O material colhido nos familiares vai ser cruzado também com o bancos da Pefoce de corpos não identificados ou sem reivindicação. No Ceará, cerca de 2 mil pessoas estão desaparecidas, segundo dados passado nesta sexta-feira, 11, pela delegada da 12ª Delegacia, especializada no desaparecimento de pessoas, Arlete Silveira. Segundo ela, o perfil, em sua maior incidência, são pessoas do sexo masculino, entre 15 e 24 anos, moradores do Grande Jangurussu. 

Não precisa esperar 24h para ir à Polícia


Para iniciar a busca de um parente desaparecido, é preciso ir até uma delegacia e registrar um Boletim de Ocorrência (BO). A indicação é que o documento seja feito assim que for notado o sumiço da pessoa. "Não existe um tempo. A gente não quer fortalecer mitos, esse mito que precisam ser esperadas 24 horas. Em casos de desaparecimento, ele é encaminhado até uma autoridade policial para avaliação do caso, porque nem toda situação que chega à delegacia é um desaparecimento real, explica a titular da 12º Delegacia, que funcionada no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), no bairro de Fátima. Em Juazeiro do Norte, Iguatu, Russas e Sobras, o BO deve ser feito nas unidades de Polícia Civil nos próprios municípios.

A coletado material genético pode ser feita logo após o o boletim. Nas próprias unidades, os polícias devem fornecer informações de como proceder. Quem já tem o documento, parentes de primeiro grau (pai, mãe, filhos ou irmãos) devem comparecer nas unidades da Pefoce com algum material das pessoas preservado. Nos locais, serão realizados também a coleta do DNA dos familiares, de forma indolor, por meio de um swab nasal, coletado na mucosa interna da boca. A indicação é que compareçam, pelo menos, dois parentes da pessoa desaparecida.

Interior

 

Para famílias do interior, a indicação é procurar a delegacia de Polícia Civil do seu município e registrar o BO. A unidade vai dar o encaminhamento para que a família compareça no núcleo da Pefoce mais próximo da localidade. Quem já tem o BO, deve procurar diretamente alguma das unidades em: Fortaleza, Juazeiro do Norte, Iguatu, Russas e Sobral.

Endereços dos pontos de coleta de DNA

Fortaleza
Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce)
Endereço: Avenida Presidente Castelo Branco, 901 – Moura Brasil
Telefone: (85) 3101-5054

Juazeiro do Norte
Núcleo da Pefoce na Região Sul do Estado
Endereço: Avenida Tenente Raimundo Rocha, s/n – Planalto
Telefone: (88) 3571-7018

Iguatu
Núcleo da Pefoce na Região Centro Sul
Endereço: Rua João Pessoa, 358 – Centro
Telefone: (88) 3581-7469

Russas
Núcleo da Pefoce na Região do Vale do Jaguaribe
Endereço: Tabuleiro da Vaquejada, CE 356
Telefone: (88) 3311-8095 / (88) 3411-8098

Sobral
Núcleo da Pefoce na Região Norte do Estado
Endereço: Avenida John Sanford, 2895 – Nossa Senhora de Fátima
Telefone: (88) 3611-7925

Delegacias para registro de Boletim de Ocorrência

Fortaleza
Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP)
Endereço: Rua Juvenal de Carvalho, 1125 – Fátima
Telefone: (85) 3257-4807

Juazeiro do Norte
Delegacia Regional de Juazeiro do Norte
Endereço: Rua das Flores, 2 – Romeirão
Telefone: (88) 3102-1116

Iguatu
Delegacia Regional de Iguatu
Telefone: (88) 3581-0307
Endereço: Avenida Joaquim Ailton Alexander, 1225 – Esplanada I

Russas
Delegacia Regional de Russas
Endereço: Rua Monsenhor João Luís, 528 – Ipiranga
Telefone: (88) 3411-8567

Sobral
Delegacia Regional de Sobral
Endereço: Rua Miguel Teles da Frota, 98 – Campo dos Velhos
Telefone: (88) 3677-4711

Com informações da repórter Angélica Feitosa