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Ceará
NOTÍCIA

Pesquisa cearense para tratamento contra o câncer recebe convite internacional

Uma vantagem da técnica desenvolvida para tratar tumores cancerígenos é torná-los menos agressivos. O estudo será apresentado no Simpósio Mundial de Pesquisas em Câncer 2022, em Cingapura

Lais Oliveira
22:48 | 13/05/2021
Da direita para esquerda: professor Alexandre Carreira (autor principal, IFCE), professora doutora Nágila Ricardo (coordenadora da pesquisa, UFC) e Déborah Hellen (autora colaboradora, UFC). (Foto: Acervo Pessoal)
Da direita para esquerda: professor Alexandre Carreira (autor principal, IFCE), professora doutora Nágila Ricardo (coordenadora da pesquisa, UFC) e Déborah Hellen (autora colaboradora, UFC). (Foto: Acervo Pessoal)

Uma pesquisa inovadora desenvolvida no Ceará estará no Simpósio Mundial de Pesquisas em Câncer 2022, em Cingapura. O estudo propõe um direcionamento de fármacos por meio da atração magnética para uma melhor resposta no tratamento contra o câncer. O Instituto Federal do Ceará (IFCE) e a Universidade Federal do Ceará (UFC) realizaram o trabalho com a colaboração da Universidade de Santiago do Chile.

O evento está programado para ocorrer de forma híbrida entre os dias 6 e 8 de maio de 2022. O professor Alexandre Carreira, do campus de Quixadá do IFCE, é autor principal da pesquisa e foi convidado para o simpósio mundial após publicação do trabalho na revista Carbohydrate Polymers neste ano. (Confira o artigo completo aqui)

A fórmula criada consiste em uma cápsula à base de amido, material biocompatível e biodegradável no corpo humano, envolvendo a medicação junto a partículas magnéticas. Essas nanopartículas respondem à atração de um imã e uma vez que o fármaco está no mesmo sistema direcionado por uma atração magnética isso permite concentrá-lo numa região de interesse.

Uma das vantagens da inovação é a possibilidade de reduzir as doses dos medicamentos utilizados contra o câncer. “Essas doses elevadas, muitas vezes, causam efeitos colaterais indesejados. Então, tanto você atua melhorando a resposta terapêutica por uma maior concentração na região de interesse, como também minimizando possíveis efeitos colaterais”, explica Alexandre.

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Resultados

O trabalho começou em 2018 como projeto de doutorado de Alexandre na UFC e contou com a participação de uma equipe de 13 pessoas, entre pesquisadores do IFCE, do Laboratório de Polímeros e Inovação (LabPim) do Laboratório de Oncologia Experimental (LOE), ambos da UFC, e da Universidade de Santiago do Chile.

Durante testes laboratoriais, usando a técnica in vitro, a fórmula já apresentou resultados anticâncer positivos contra quatro linhagens cancerígenas humanas. Além disso, demonstrou compatibilidade em testes com animais.

Em abril, a pesquisa já teve o depósito de patente realizado junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), de forma a garantir que a tecnologia traga frutos referentes à propriedade intelectual.

O professor Alexandre comemora o convite recebido para representar o Ceará em um evento de caráter internacional. O evento reunirá pesquisadores de diferentes países que trabalham no desenvolvimento de soluções terapêuticas inovadoras contra o câncer.

“É uma satisfação imensa. É motivo de muito orgulho representar o Ceará, o IFCE e a UFC levando uma tecnologia desenvolvida na nossa casa para contribuir numa linha de pesquisa tão demandada que é a das terapias cancerígenas”, comenta.

Próximas etapas

Ainda é cedo para dizer se a tecnologia elaborada pelas universidades cearenses poderá acelerar o tratamento de pessoas com câncer, segundo Alexandre. Também serão necessários alguns anos para que o resultado dos estudos chegue à sociedade.

Contudo, a pesquisa abre perspectivas para estudos com outros medicamentos de ação local, a exemplo dos anti-inflamatórios. “Esse projeto traz um potencial para uma ação melhor com menores efeitos colaterais de algum fármaco que já exista. Não necessariamente para uma atuação anticâncer, mas qualquer fármaco que atue de maneira local”, completa o professor.

Estudos adicionais serão feitos em parceria firmada com o departamento de Farmácia da Universidade de Genebra, na Suíça, com previsão de começar em setembro. Lá as formulações vão ser testadas em uma gama maior de tecidos biológicos e animais.