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Recarga dos açudes do Estado é de apenas 23,7% do volume aportado em 2020

Índice avalia os aportes recebidos de janeiro a março de ambos os anos. Até essa terça-feira, 30, o aporte acumulado de 2021 foi de 0,68 bilhão de metros cúbicos
15:17 | Mar. 31, 2021
Autor Marcela Tosi
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Marcela Tosi Repórter de Cotidiano
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Tipo Notícia

Mesmo com chuvas atingindo a média histórica de março e o normal esperado para o primeiro bimestre da quadra chuvosa, os aportes registrados nos reservatórios cearenses seguem tímidos. De 1º de janeiro até esta quarta-feira, 31, o aporte acumulado de 2021 foi de 0,72 bilhão de metros cúbicos. No mesmo período do ano passado, foram 3,03 bilhões m³. Com isso, até o momento, a recarga deste ano é de apenas 23,7% da registrada em 2020. Os dados são da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh).

"O que mais chama a atenção é a porção Centro-Sul do Estado, nas bacias do Banabuiú e Alto e Médio Jaguaribe, onde estão os principais e maiores reservatórios. Ainda não recuperaram sequer o volume em que estavam em 1º de janeiro", analisa Bruno Rebouças, diretor de Operações da Cogerh. Para ele, a atitude deve ser de parcimônia e economia de água.

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Ele dá o exemplo do açude Castanhão que, mesmo recebendo águas do Rio São Francisco desde o dia 10 de março, está 7 milhões de metros cúbicos abaixo do nível que apresentava no início do ano. "Nos últimos dias, temos observado uma recuperação, mas ainda é modesta e inspira cuidados e atenção de toda a população", afirma. O reservatório tem atualmente 11,5% do total de sua capacidade hídrica.

Mesmo com baixo aporte, o açude é a estratégia de garantia de abastecimento humano na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). "Os açudes Pacajus e Pacoti, que são os principais a abastecer a região metropolitana, ainda não tiveram aportes e estão com quase 100 milhões (de metros cúbicos) a menos do que estavam no ano passado por essa época", expõe o secretário de Recursos Hídricos, Francisco Teixeira.

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"Por conta disso, em reunião do Conselho Estadual de Recursos Hídricos nesta semana, já foi decidido que a partir de 1º de abril iremos fazer a transferência de água do açude Castanhão para a RMF. A ideia é que pelo menos aquela água que chegue ao Castanhão oriunda do Rio São Francisco garanta o abastecimento humano sem maiores problemas - não só esse ano como no próximo", detalha. O caminho é feito por meio do Eixão das Águas e leva água para Capital e as cidades ao redor até o Complexo Industrial e Portuário do Pecém.

O que é aporte hídrico?

 

O aporte representa o volume de água proveniente das chuvas incidentes em determinada bacia hidrográfica (área de drenagem) e que escoa para os reservatórios inseridos nessa região.

Balanço

 

Segundo a Cogerh, o volume acumulado total do Estado é de 26,2 %. Até esta quarta feira, 31, o Ceará registra dez açudes sangrando, outros seis com volume superior a 90% e 54 com volume inferior a 30%.

 

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