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Ceará
NOTÍCIA

Meteoro ou disco voador? Saiba o que é "bola de fogo" vista em algumas cidades do Ceará

O elemento é na verdade um lixo espacial (restos de satélite ou de foguete) que retornou à terra

20:57 | 17/03/2021
Objeto foi visto em cidades do Ceará e do Pará  (Foto: Reprodução/ Twitter)
Objeto foi visto em cidades do Ceará e do Pará (Foto: Reprodução/ Twitter)

Quem mora em cidades cearenses como Camocim, Itapipoca e Acaraú pôde presenciar, na noite dessa terça-feira, 16, uma "bola de fogo" surgindo no céu e logo em seguida desaparecendo. Apesar de parecer misterioso e deixar moradores assustados, especialistas afirmam que o fenômeno - também visto em algumas cidades do Pará, foi na verdade um lixo espacial (restos de satélite ou de foguete) retornando à terra. 

Os moradores que presenciaram o fenômeno gravaram o momento e em seguida divulgaram os vídeos nas redes sociais. Feitas de vários ângulos, as filmagens mostram o objeto luminoso, semelhante a uma bola de fogo, cortando o céu como se fosse um meteoro que tivesse caindo do espaço em direção ao planeta.

De acordo com Romário Fernandes, professor de astronomia, o elemento se trata na verdade de um detrito, resto de algum equipamento que acabou ficando no espaço depois de uma missão. Esse tipo de objeto é chamado de "lixo espacial", existindo atualmente cerca de 200 mil deles, cujo tamanho é possível de monitoramento, em órbita da terra.

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O docente explica que a maioria dos detritos são de foguetes. Isso porque, até o ano passado, essas máquinas eram utilizadas de "forma descartável" para realizarem missões como a de colocar um satélite em órbita. Dessa forma, após completarem ação elas não retornavam à terra, ficando no espaço e sendo deterioradas ou desintegradas.

Atrito provoca efeito luminoso

No entanto, a tendência é de que esse lixo espacial acabe retornando à terra, fato que costuma ser monitorado por especialistas. De acordo com Romário, o elemento permanece inicialmente em uma órbita alta, mas gradualmente vai descendo e, com a atmosfera um pouco mais densa, acaba sendo puxado para baixo. 

"Enquanto está sendo atraído para o solo, o lixo espacial vai aumentando de velocidade a cada segundo, comprimindo e consequentemente aquecendo os gases da atmosfera que estão entre ele e o solo", explica o docente, destacando ainda que cada segundo da queda a velocidade pode aumentar o equivalente a 36 quilômetros por hora.

Nesse sentido, o aquecimento gerado provoca calor e a energia faz com que o elemento fique luminoso, o que foi o caso do objeto observado em queda ontem. De acordo com o especialista, a Rede Brasileira de Observação de Meteoros (Braman) estuda a possibilidade do objeto ser uma peça chamada Sylda, pertencente ao foguete Ariane 5, lançado da Guiana Francesa em 2008.

Veja a repercussão nas redes sociais: