PUBLICIDADE
Ceará
NOTÍCIA

Ceará tem redução de 66% nas notificações de casos de arboviroses em janeiro e fevereiro

Entre janeiro e fevereiro, as arboviroses transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti totalizaram 1.985 notificações, enquanto em 2020 o número chegou a 5.835 casos

Lais Oliveira
18:02 | 09/03/2021
PANDEMIA dificultou o trabalho de prevenção. Visitas foram suspensas
 (Foto: Aurelio Alves/O POVO)
PANDEMIA dificultou o trabalho de prevenção. Visitas foram suspensas (Foto: Aurelio Alves/O POVO)

O Ceará apresentou uma redução de 66% nas notificações de dengue, zika e chikungunya nos dois primeiros meses de 2021 em relação ao ano passado. Entre janeiro e fevereiro, as arboviroses transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti totalizaram 1.985 notificações, enquanto em 2020 o número chegou a 5.835 casos no mesmo período. 

Neste primeiro bimestre, foram notificados 1.763 casos como dengue (518 foram confirmados), com um caso grave reportado no município de Viçosa do Ceará, segundo dados da Secretaria da Saúde do Estado do Ceará (Sesa). Zika e chikungunya representam 171 (31 confirmados) e 51 casos (16 confirmados), respectivamente.

A notificação é feita a partir da suspeita de um caso da doença, conforme a definição estabelecida pelo Guia de Vigilância Epidemiológica. Já a confirmação ocorre após definição de critério laboratorial, clínico ou clínico epidemiológico de acordo com o cenário.

O epidemiologista Luciano Pamplona avalia o dado como positivo, principalmente no momento atual em que o sistema de saúde do Estado é pressionado pelo recrudescimento de internações por Covid-19. No entanto, ele alerta que ainda pode haver um aumento nos indicadores conforme a quadra chuvosa (fevereiro a maio) no Ceará avança.

“Temos de lembrar que essas doenças são muito influenciáveis por fatores ambientais, como chuva, e a chuva começou mais no final de fevereiro. É possível que nos meses de março e abril a gente tenha um aumento no número de casos”, atenta.

Luiz Oswaldo Rodrigues, orientador da Célula de Controle de Vetores (Cevet) da Sesa, corrobora que o período chuvoso coincide com as notificações dessas doenças. “Isso porque são doenças transmitidas por um vetor, o Aedes aegypti, e quando se tem essas condições ambientais favoráveis como alta temperatura, alta umidade e chuvas, o inseto tende a aumentar sua população”, explica em vídeo divulgado pela pasta.

LEIA MAIS  | Em Fortaleza, suspeitas de dengue caem 74,5% em relação a 2020


Notificação de casos de dengue aumenta 17% em 2020

De 2019 para 2020 (com dados até a semana epidemiológica 48), o Ceará registrou aumento de 17% nas notificações dos casos de dengue. Nesse período, as notificações de dengue subiram de 33.264, com 46,6% (15.490) de confirmações, para 38.960, sendo 52,4% (20.415) casos confirmados. O diagnóstico das doenças é feito com exame de sangue.

As confirmações ocorreram em 83,1% (153/184) dos municípios cearenses, com registro de 18 casos de dengue grave, sendo que 11 evoluíram para óbito. As projeções para o último ano indicavam um cenário epidêmico para arboviroses motivado pela volta da circulação do sorotipo 2 do vírus da dengue, para o qual a população está mais suscetível. Apesar do incremento nos índices estaduais, Luciano Pamplona considera que a permanência das pessoas em casa pode ter “segurado” essa epidemia.

Para o epidemiologista, o Estado possui uma das melhores vigilâncias epidemiológicas do Brasil pelo trabalho integrado entre Sesa, laboratórios públicos e secretarias municipais. Contudo, a pandemia dificultou o trabalho de prevenção mais direto.

“As ações de controle de vetor foram negligenciadas, mas não de forma intencional. As atividades de visita casa a casa foram suspensas por causa da Covid-19. Isso foi uma necessidade imposta pelo isolamento”, considera.

O POVO questionou a Sesa sobre de que forma a pandemia impactou nas ações de combate às arboviroses. Porém, até o fechamento desta matéria, não houve retorno. 

No Plano de Enfrentamento de Arboviroses de 2021, a Sesa delibera sobre medidas para ações efetivas de prevenção nos municípios. O material lança estratégias de educação, comunicação e mobilização social alertando sobre prevenção das arboviroses e a eliminação dos criadouros do Aedes aegypti.

Ações básicas de prevenção

Medidas simples podem fazer a diferença na prevenção das arboviroses, especialmente no período de chuvas. Verificar se calhas estão desobstruídas, se certificar de que caixas d’água estão bem vedadas e eliminar reservatórios de água parada, como pneus e garrafas plásticas, são alguns exemplos.

“Basta que cada um tire dez minutos para fazer uma vistoria do seu domicílio. Isso pode começar dentro de casa, olhando todo recipiente que possa acumular água: o pratinho de planta, o ralo do banheiro ou bebedouros de animais”, indica o orientador da Cevet da Sesa, Luiz Oswaldo.

Confira algumas outras ações recomendadas

- Encher de areia os pratinhos das plantas, jogar no lixo os objetos que não estão sendo utilizados e que podem acumular água;

- Vedação das caixas d’águas, tonéis e barris de água, bem como evitar o acúmulo de água sobre as lajes também são recomendados;

- Casas com piscinas ou fontes precisam ter a manutenção em dia, sempre utilizando os produtos químicos apropriados, além de manter limpa a bandeja do ar-condicionado para evitar o acúmulo de água.