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Ceará
NOTÍCIA

Em hibernação desde 2016, usina de biodiesel em Quixadá está à venda

Petrobras afirma que em até oito meses o negócio esteja fechado e pronto para retomar as atividades. Usina da PBio CE está em hibernação desde 2016

12:24 | 03/07/2020
Usina cearense chegou a produzir 108,6 milhões de litros de biodiesel por ano. (Foto: Divulgação/Petrobras Biocombustíveis)
Usina cearense chegou a produzir 108,6 milhões de litros de biodiesel por ano. (Foto: Divulgação/Petrobras Biocombustíveis)

Em saída do segmento de biocombustíveis, a Petrobras divulgou na manhã desta sexta-feira, 3, a venda integral da Petrobras Biocombustível (PBio). A transação consta com a venda de 100% das ações da Petrobras na Pbio - o que inclui três usinas de biodiesel nos estados de Minas Gerais, Bahia e no Ceará. No Estado, a usina fica no município de Quixadá e é a única que está em hibernação desde 2016.

A hibernação acontece desde o último dia 1º de novembro de 2016, com justificativa de alinhamento do Plano Estratégico da Petrobras para sair do setor de biocombustíveis. Inaugurada em 2008, a usina contava com cerca de 9 mil agricultores familiares que faziam parte do programa de suprimento agrícola - com produção de oleaginosas para a então revenda do produto. A capacidade de produção da PBio CE era de 108,6 milhões de litros de biodiesel por ano.

O diretor do Relacionamento Institucional da Petobras, Roberto Ardenghy, explica que desde a hibernação a usina está em formato operacional. "Mantemos em Quixadá uma equipe de manutenção e ela está pronta para operar e voltar a trazer obra prima", afirma. Quando questionado sobre a qualificação das mãos de obra da região, o diretor fala que a recontratação das famílias dependerá do adquirente. 

Devido ao aproveitamento de produtos regionais, o titular da Secretaria do Desenvolvimento Econômico e Trabalho (Sedet), Maia Júnior, avalia a retomada das atividades da PBio CE como de grande importância econômica. "Isso mantém uma atividade econômica na área de óleo e gás do Estado. Não temos nos posicionado contra a venda, mas que a PBio encontre bons parceiros para a compra", diz.

Ardenghy afirma não ter um prazo fixo para a compra, mas estima que em até oito meses o negócio esteja fechado e já volte a funcionar com suas atividades. O cronograma depende de visitas nos locais, que podem ser alteradas devido à pandemia do novo coronavírus. 

Saída do setor 

A saída da Petrobras do segmento de biocombustíveis vem em trâmite desde 2016. A empresa explica a mudança como um alinhamento com a estratégia de reposicionamento de seu portfólio. "Estamos fazendo um movimento de volta às origens", conversa Roberto. "A Petrobras não é a melhor na produção de biocombustíveis e há empresas no mercado com maior eficiência com relação a isso". 

No entanto, reafirma a dependência do País no mercado do diesel. "Temos uma frota muito grande de caminhões e a nossa mobilidade é baseada nisso. Estamos com expectativas otimistas pela venda", diz diretor do Relacionamento Institucional da Petobras, que define o setor de biocombustíveis no País como "dinâmico".

Em 2019, a Pbio vendeu sua participação de 50% na Belém Bioenergia Brasil (BBB); realizou o lançamento do teaser ao mercado de venda da BSBios Indústria e Comércio de Biodiesel Sul Brasil; venda das ações de emissão da Bioóleo Industrial e Comercial detidas pela PBio e a dissolução das Participações em Complexos Bioenergéticos (PCBios).